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A sala de vacina desempenha um papel fundamental na promoção da saúde, sendo responsável pela administração das vacinas conforme calendário nacional de imunização. Ela atua diretamente na prevenção de doenças, contribuindo para a redução de morbidades e mortalidade e em relevante ação de prevenção de doenças infectocontagiosas. (Pugliesi, 2010) A organização e o gerenciamento eficientes da sala são essenciais para garantir a aplicação de todas as vacinas à população, assegurando que os indivíduos estejam imunizados de acordo com suas faixas etárias e condições de saúde. A busca ativa de faltosos vem tornando-se uma estratégia crucial para melhorar a cobertura vacinal, principalmente em áreas com baixos índices de adesão e nos grupos mais vulneráveis. A busca ativa consiste em identificar e contatar indivíduos que não receberam as vacinas no momento adequado, a fim de incentivar a imunização e evitar a disseminação de doenças preveníeis. Tradicionalmente, os registros de vacinação eram feitos manualmente ou em sistemas pouco dinâmicos, como as fichas espelho, exigindo que profissionais de saúde consultem os registros um a um, sendo um processo lento e propenso a erros, além de dificultar a organização das informações de forma prática. Com o advento da tecnologia, esse processo pode ser feito por meio de registros e sistemas informatizados, que permitem a identificação rápida dos pacientes em atraso, o que oferece uma abordagem mais ágil e eficaz.
Este estudo visa explorar o potencial da informatização nos processos de saúde na unidade básica de saúde (UBS) do bairro América 3 em Várzea Paulista, SP, com ênfase na sala de vacina, para otimizar a busca ativa de faltosos e, assim, contribuir para a ampliação da cobertura vacinal e a prevenção de doenças evitáveis. E promover a adesão às vacinas, com impacto direto na melhoria da saúde pública.
Sabe-se que as demandas em uma sala de vacina são diversas, pensando em uma maior agilidade do serviço, foi realizado uma tabela em que fosse possível identificar os usuários do serviço, identificando os faltosos de uma forma mais eficaz e direcionada. Inicialmente foi realizado um levantamento das crianças de 0 a 5 anos de idade cadastradas no sistema de informação do município. Os dados foram inseridos em uma tabela dinâmica, criada via Excel, com colunas que identificam a criança pelo nome, data de nascimento dados de contato situação vacinal e aprazamento da vacina. Todas as colunas contem filtros que pode-se filtrar e organizar os nomes, idades, de acordo a necessidade. Na coluna de idade em anos e idade em anos e meses, foi realizado a fórmula =DATADIF(B2;HOJE();Y)& Anos e =DATADIF(B2;HOJE();Y)& Anos e &DATADIF(B2;HOJE();M)-DATADIF(B2;HOJE();Y)*12& Meses , que atualiza diariamente os valores, deixando sempre as idades reais das crianças. Quando é cadastrado uma nova criança na faixa etária, ou é realizado uma vacina, os funcionários da sala de vacina atualizam a tabela com os dados necessários. Pelo menos uma vez na semana, é realizado uma busca ativa através do filtro, das crianças que estão em atraso, e como já tem o número de telefone a frente, é realizado o contato através do WhatsApp ou via telefone da unidade, convocando o familiar a comparecer com a criança na unidade.
O estudo começou no mês de junho de 2024, foram encontradas um total de 745 crianças cadastradas. Foi realizada uma triagem, destas, 91 crianças foram desativadas por mudança de endereço, 41 crianças eram de outra UBS cadastradas com código da UBS América 3. Restando assim 613 crianças pertencentes ao território. Destas crianças 419 estavam com esquema vacinal em dia e 194 crianças estavam com o esquema vacinal em atraso, o que equivale a 46% do número total de crianças. A análise do percentual de atraso nas vacinas revelou um padrão em que o número de faltosos tende a aumentar à medida que o intervalo entre as doses progride, como por exemplo, as vacinas aplicadas aos 15 meses de idade, como a tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola), apresentaram, no levantamento, um percentual de atraso significativamente maior em comparação com as vacinas administradas nos primeiros meses de vida, como as de 2 ou 4 meses de idade. Vale destacar também o desabastecimento dos imunobiológicos, varicela, meningocócica que acabou afetando a conclusão do esquema vacinal em muitas crianças nesse período. Atualmente, em fevereiro de 2025 temos um total de 633 crianças de 0 a 5 anos cadastradas, destas 133 estão com o estado vacinal atrasado, o que equivale a 21% do número total de crianças.
Concluímos que a busca ativa utilizando a tabela e o WhatsApp como ferramentas, foi capaz de poupar tempo para a unidade, por ser uma unidade EAP as saídas da unidade são mais restritas. Com a tabela não é necessário esperar um atraso exorbitante para acionar as mães das crianças a comparecer à UBS, este lembrete é feito de forma precoce. Através dos resultados, observou-se os grupos de maior tendência a se tornarem faltosos, o que permite focar os esforços em uma determinada faixa etária e tipos de vacinas. Além disso, proporcionou melhora nos indicadores de vacina, pois permitiu uma busca ativa mais eficaz e direcionada, que em comparação com oito meses atrás, houve uma diminuição da taxa de atraso de 25%. Um detalhe importante foi a percepção de que os lembretes feitos de forma simples e acolhedora, ao invés de constranger as mães, as aproximou da UBS, melhorando o vínculo. Pois apesar da vacina ser de extrema importância para as crianças, existem vários motivos que podem levar ao atraso vacinal e nem sempre se trata de casos de negligências das mães, e é importante que a unidade básica de saúde tente entender a realidade das mulheres no Brasil que na maioria das vezes, tratam-se de mães-solo que lutam para dar conta de tudo.
EAP, vacina; busca ativa; tabela dinâmica.
VANESSA CRUZ DE OLIVEIRA COSTA, FABÍOLA FERNANDA MORA RODRIGUES