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Este relato descreve a experiência de construção de vínculo entre a equipe do CAPS-AD Centro e MM, um homem entre 50 e 60 anos com diagnóstico de esquizofrenia desde a infância. Por anos, MM resistiu ao tratamento devido à codependência da mãe, que fazia tudo por ele, e ao uso de maconha como forma de fuga. Ele vivia em um estado psicótico, acreditando firmemente que um metrô passava sob sua casa, causando trepidações que sentia em seu próprio corpo. Durante a pandemia de COVID-19, MM não aceitava a vacina e também não permitiu que sua mãe se vacinasse, o que contribuiu para o isolamento da família. Enquanto o pai de MM estava vivo, os familiares ainda mantinham algum vínculo, mas, após sua morte, a codependência da mãe e as atitudes de MM levaram ao rompimento completo dos laços parentais. Após o falecimento da mãe em 2023, MM se viu em uma situação de vulnerabilidade financeira e emocional, o que o levou a aceitar o convite da psicóloga Cléa Gomes para buscar ajuda. A experiência ilustra como o vínculo terapêutico pode ser decisivo no manejo de casos complexos, especialmente em pacientes que apresentam resistência inicial ao tratamento, reforçando a importância de abordagens humanizadas e integradas no cuidado em saúde mental.
objetivo geral deste relato é demonstrar a importância do vínculo terapêutico no engajamento e tratamento de pacientes com esquizofrenia, destacando como a construção de uma relação de confiança pode superar barreiras de resistência ao tratamento. A experiência com MM ilustra como a empatia, a escuta ativa e o respeito às singularidades do paciente são fundamentais para promover a adesão ao cuidado. Busca-se relatar como a construção de vínculo permitiu que MM aceitasse o tratamento no CAPS-AD Centro. A partir de uma abordagem empática e não confrontadora, a equipe conquistou sua confiança, o que resultou em sua participação regular no serviço e na aceitação da internação no Hospital de Urgência HU. Além disso, destaca-se a importância da articulação entre CAPS, UBS e HU para o sucesso do caso. A integração entre os serviços permitiu a internação no HU, a obtenção do BPC e a transferência para o CAPS, garantindo a continuidade do tratamento e a melhora da qualidade de vida do paciente.
A experiência foi desenvolvida no CAPS-AD Centro, onde a equipe identificou a resistência de MM ao tratamento devido à esquizofrenia, à codependência da mãe e ao uso de maconha como forma de fuga. A estratégia adotada incluiu a construção de um vínculo terapêutico, baseado em empatia, escuta ativa e respeito às suas crenças, como a ideia de que um metrô passava sob sua casa. Em vez de confrontar suas convicções, a equipe sugeriu que ele registrasse suas sensações em um diário, o que ajudou a estabelecer uma relação de confiança. A articulação interinstitucional foi fundamental para o sucesso do caso. A equipe do CAPS trabalhou em conjunto com a UBS de referência e o Hospital de Urgência (HU) de São Bernardo, garantindo a internação breve de MM para estabilizar sua crise. Durante a internação, ele não apresentou fissura ou abstinência de maconha, o que reforçou a ideia de que o uso da substância era uma forma de fuga. Após a alta, a equipe orientou MM sobre o processo para obter o BPC, que foi concedido em julho de 2024, garantindo seu sustento financeiro. Por fim, ele foi transferido para o CAPS III, onde continua em tratamento com o apoio de um amigo de infância que assumiu o papel de familiar.
A experiência com MM resultou em avanços significativos em seu tratamento e qualidade de vida. Após a construção do vínculo terapêutico, ele aceitou frequentar o CAPS-AD Centro regularmente e participou de três semanas de conversas com a médica da equipe, o que culminou na aceitação da internação no Hospital de Urgência (HU) de São Bernardo. Durante a internação, MM estabilizou sua crise e não apresentou fissura ou abstinência de maconha, confirmando que o uso da substância era uma forma de fuga. Após a alta, ele foi transferido para o CAPS III, onde continua em tratamento até os dias atuais. Outro resultado importante foi a obtenção do BPC em julho de 2024, garantindo o sustento financeiro de MM após o falecimento da mãe. Além disso, a articulação entre CAPS, UBS e HU permitiu a continuidade do cuidado, com o apoio de um amigo de infância que assumiu o papel de familiar. Hoje, MM demonstra uma melhora significativa em seu estado emocional e participa ativamente do tratamento, reforçando a importância do vínculo e da humanização no cuidado em saúde mental.
A OMS enfatiza a importância da relação terapêutica na recuperação de pacientes com transtornos mentais graves. Este relato serve como exemplo de como a persistência, a flexibilidade e a criatividade podem transformar vidas, reforçando a importância de se trabalhar com as dinâmicas familiares e sociais no contexto da saúde mental, alinhadas às diretrizes do SUS e da Reforma Psiquiátrica. A experiência com MM reforça a importância do vínculo terapêutico como ferramenta essencial no tratamento, principalemnte quando apresentam resistência. A construção de uma relação de confiança, baseada em empatia, escuta ativa e respeito às singularidades do paciente, foi decisiva para superar as barreiras que impediam seu engajamento no tratamento. Bordin (1979) destaca os componentes essenciais da relação terapêutica: acordo sobre as tarefas, acordo sobre os objetivos e laço afetivo, fundamentais para o sucesso. A articulação entre os serviços de saúde demonstrou a importância da integralidade do cuidado, garantindo a continuidade e a efetividade das intervenções. Ilustrando a efetividade do modelo psicossocial, que prioriza a reinserção social e a autonomia do usuário, em contraste com abordagens tradicionais centradas na medicalização.
O, Vínculo, como, ferramenta, transformadora
SORIANE BERTAGLIA BRIGAT, CLÉA MÁRCIA GOMES SANTOS