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Com o envelhecimento da população, tornam-se mais frequentes as doenças crônicas e, entre elas, a obesidade se destaca por sua alta prevalência e pelas diversas complicações associadas, atingindo diferentes faixas etárias, inclusive os idosos. Segundo o Censo do IBGE de 2022, o número de pessoas com 65 anos ou mais no Brasil cresceu 57,4% em apenas 12 anos, reforçando a necessidade de atenção a esse cenário. Com o avanço da idade, é comum que homens e mulheres, especialmente após os 50 anos, apresentem ganho de peso e mudanças na composição corporal, com aumento da gordura e redução da massa muscular. Além do processo natural do envelhecimento, hábitos do estilo de vida atual, como o sedentarismo e o consumo elevado de alimentos ultraprocessados, contribuem para o crescimento da obesidade no País. A obesidade está associada a diversas doenças crônicas, alterações emocionais e limitações funcionais. Pessoas com obesidade têm maior risco de desenvolver diabetes, hipertensão arterial, dislipidemias, doenças cardiovasculares, distúrbios do sono, câncer, depressão e artrose em joelhos e quadris podendo levar a dificuldades de locomoção e mobilidade, comprometendo a qualidade de vida. Diante desse contexto, o grande desafio para os próximos anos será prevenir doenças e oferecer cuidado adequado a uma população que envelhece com alta prevalência de condições crônicas e incapacitantes, promovendo um envelhecimento mais saudável e com qualidade de vida.
•Avaliar os dados dos pacientes encaminhados pela Atenção Primária e Secundária à Saúde ao Núcleo de Obesidade, que apresentaram expectativa de realização de cirurgia bariátrica; •Revisar e atualizar os protocolos de acesso ao serviço, buscando maior clareza e organização no fluxo de atendimento; •Planejar ações integradas em rede, voltadas ao cuidado da obesidade e à promoção do envelhecimento saudável.
Atualmente, o Núcleo de Obesidade, ambulatório multiprofissional localizado no CHMSA acompanha mais de 2.000 pacientes encaminhados pela Atenção Primária e Secundária à Saúde, após o esgotamento das possibilidades terapêuticas clínicas disponíveis nesses serviços. Para este estudo, foram selecionados 856 pacientes encaminhados desde março de 2019, todos com expectativa de realização de cirurgia bariátrica, Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 35 kg/m² e avaliação inicial prévia quanto às indicações e motivações para o procedimento, realizada pela equipe do ambulatório. Para avaliação das mudanças após a cirurgia bariátrica, foram selecionados 100 pacientes operados há mais de 2 anos. A amostra foi organizada e analisada de acordo com o que preconiza o Ministério da Saúde, considerando: Unidade Básica de Saúde (UBS) e se necessário ambulatório especializado de acompanhamento, os tratamentos já realizados, a idade, o IMC calculado no momento da admissão no Núcleo de Obesidade e a presença de comorbidades associadas, como hipertensão arterial e diabetes. Além disso, foram promovidos encontros intersetoriais com o objetivo de revisar e atualizar os protocolos de acesso, planejar ações de capacitação e fortalecer estratégias nos territórios, ampliando o cuidado e o suporte oferecido a esses indivíduos de forma integrada e contínua.
Do total de 856 pacientes com obesidade, 81,89% (n=701) estavam na faixa etária de 20 a 59 anos, sendo que 51,64% dos adultos possuíam hipertensão arterial e 23,39% possuíam diabetes tipo 2. Foram recebidos muitos casos com IMC elevado, cerca de 31,09% dos adultos com IMC ≥ 50kg/m2. Entre os idosos, haviam 155 indivíduos, sendo que 74,19% possuíam hipertensão arterial e 43,22% possuíam diabetes tipo 2. Cerca de 14,83% dos idosos possuíam IMC ≥ 50 kg/m2. Foram realizadas 166 cirurgias bariátricas, sendo 89,15% delas nos adultos e 10,84% nos idosos. Embora os idosos representem uma parcela menor dos pacientes (155 de 856), eles apresentaram maior carga de comorbidades, com elevada prevalência de hipertensão arterial (74,19%) e diabetes tipo 2 (43,22%), apresentando maior vulnerabilidade clínica. A realização da cirurgia bariátrica em idosos, ainda que em menor número (10,84% dos procedimentos), demonstrou resultados positivos e relevantes. Entre os 100 pacientes operados há mais de 2 anos, observou-se melhora do controle clínico, remissão de 75% de diabetes tipo 2 e de 58,2% de hipertensão arterial nos que possuíam estas doenças. Além disso, os benefícios não se limitaram aos aspectos físicos, havendo impacto favorável na mobilidade, na autonomia e na saúde mental, contribuindo para a qualidade de vida e o envelhecimento mais saudável. Paralelamente, houve a revisão dos protocolos e ampliação das ações em parcerias nos territórios.
As parcerias intersetoriais, encontros e capacitações de profissionais têm contribuído para qualificar o acompanhamento da pessoa idosa com obesidade, favorecendo intervenções mais precoces, integradas e voltadas à promoção da saúde e ao envelhecimento ativo. Com essa iniciativa, Santo André reforçou seu compromisso em promover um envelhecimento saudável e participativo, ofertando um olhar diferenciado para a prevenção e tratamento da obesidade e proporcionando ações para que os adultos e idosos tenham acesso à informação, cuidado humanizado e oportunidades de convívio social. Além disso, os benefícios da perda de peso proporcionada pela cirurgia bariátrica são incomparáveis no que se refere ao custo e efetividade do tratamento de casos graves, melhorando muito a qualidade de vida no processo de envelhecimento.
Intersetorialidade, promoção de saúde, obesidade.
JULIANA PARREIRA VASCONCELLOS SCIORILLI, MARIA CAROLINA PESTANA DE ANDRADE DO NASCIMENTO, VITOR BIAZOTO, EDENEIA MULTINI, ALEXANDRE BORGHERESI, SERGIO MURILO MARQUES DE SOUZA