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A fragmentação do cuidado e as longas filas para acesso a consultas especializadas e exames diagnósticos são desafios históricos do SUS, especialmente na detecção precoce e no tratamento oportuno dos cânceres de mama e de colo do útero. Para enfrentar esse cenário, o Ministério da Saúde instituiu a Oferta de Cuidados Integrados (OCI), estratégia que organiza o cuidado em linhas assistenciais, assegurando maior agilidade, continuidade e integralidade no atendimento, por meio de fila única, definição de tempo máximo para diagnóstico e dispositivos de coordenação e navegação do cuidado. A Casa da Mulher configura-se como serviço estratégico para o cuidado à saúde feminina, sendo cenário prioritário para a implantação das OCI relacionadas à investigação diagnóstica do câncer de mama e do câncer de colo do útero. A implantação do programa demandou articulação intersetorial, reorganização de fluxos assistenciais e engajamento das equipes envolvidas. Desde maio de 2025, a Secretaria Municipal de Saúde de Osasco iniciou um processo sistemático de reuniões com a equipe da Casa da Mulher, com o objetivo de esclarecer os critérios, diretrizes e responsabilidades relacionadas à adesão ao programa de OCI. A justificativa para a implantação fundamenta-se na necessidade de reduzir filas reprimidas, garantir o cumprimento dos prazos estabelecidos pelo Ministério da Saúde e qualificar o cuidado ofertado às mulheres com suspeita de neoplasias ginecológicas e mamárias.
Relatar a experiência do processo de implantação da Oferta de Cuidados Integrados (OCI) na Casa da Mulher, destacando as estratégias adotadas, a reorganização dos fluxos assistenciais, o papel da Atenção Primária e os impactos observados na organização do cuidado e no acesso das pacientes aos serviços. Evidenciar os benefícios da implantação da OCI para a população feminina, como o fortalecimento do rastreamento e da detecção precoce de patologias mamárias e ginecológicas.
Este trabalho apresenta um relato de experiência sobre a implantação das Ofertas de Cuidados Integrados (OCI) na Casa da Mulher para avaliação diagnóstica do câncer de mama (inicial e progressão II) e investigação do câncer de colo do útero. O processo teve início em maio de 2025, com reuniões periódicas entre a Secretaria de Saúde e Casa da Mulher, para esclarecimento do programa, definição de fluxos assistenciais e alinhamento das responsabilidades. As filas de espera para mastologia e colposcopia/PTGI, anteriormente represadas na regulação municipal, foram reclassificadas pela Atenção Primária à Saúde, garantindo o encaminhamento às OCI apenas das pacientes que atendiam aos critérios estabelecidos. Paralelamente, a Casa da Mulher reorganizou seus fluxos internos e agendas, além de elaborar uma cartilha orientadora para médicos e equipe administrativa. Em novembro de 2025, início da implantação, foram ofertadas cinco vagas mensais por OCI por profissional, dez vagas em dezembro e partir de janeiro de 2026, as agendas passaram a ser prioritariamente destinadas às OCI, garantindo vagas de retornos Foi desenvolvida pelas enfermeiras uma planilha de acompanhamento da trajetória das pacientes, para o monitoramento das etapas do cuidado, e realização de buscas em casos de ausência. Durante todo o processo, a equipe da Secretaria Municipal de Saúde manteve-se disponível para orientação e esclarecimento de dúvidas, fortalecendo o apoio institucional à implantação da OCI.
A implantação da OCI na Casa da Mulher resultou em maior agilidade no acesso ao diagnóstico e favoreceu o início oportuno do tratamento, com melhoria da organização dos fluxos, redução do represamento das filas reguladas e maior integração entre Atenção Primária, regulação e atenção especializada. Na OCI de avaliação diagnóstica inicial do câncer de mama, foram realizados 133 agendamentos, com 118 atendimentos e 15 faltas. Foram solicitadas 40 mamografias; 2 pacientes foram encaminhadas à oncologia e 32 à OCI de progressão diagnóstica para realização de punção. Na OCI de progressão da avaliação diagnóstica do câncer de mama II, ocorreram 60 agendamentos, com 57 atendimentos e 3 faltas, sendo realizadas 53 punções; 4 pacientes foram encaminhadas à oncologia e 3 ao Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo. Na OCI de avaliação diagnóstica inicial do câncer de colo do útero, houve 74 encaminhamentos, com 65 atendimentos. Destas, 28 realizaram biópsias, resultando em três encaminhamentos à oncologia. Destaca-se o papel da enfermagem na busca dos resultados de biopsias alteradas, priorizando o atendimento médico. Observou-se maior adesão da equipe de mastologia em relação à ginecologia, evidenciando desafios de adaptação aos novos modelos de cuidado. Ainda assim, o acompanhamento sistemático das pacientes e o uso de planilha de monitoramento permitiram controlar prazos, identificar gargalos e garantir a continuidade do cuidado, fortalecendo a efetividade das OCI.
A experiência de implantação da Oferta de Cuidados Integrados na Casa da Mulher evidenciou que a articulação entre gestão, Atenção Primária, regulação e serviço especializado é fundamental para qualificar o cuidado e garantir maior resolutividade na investigação diagnóstica dos cânceres de mama e de colo do útero. A reorganização dos fluxos assistenciais, a adequação das agendas e o monitoramento contínuo das trajetórias das pacientes contribuíram para maior agilidade no acesso ao diagnóstico e para o cumprimento dos prazos preconizados. Destaca-se o protagonismo da enfermagem na coordenação do cuidado, especialmente no acompanhamento das pacientes, na busca ativa de faltosas e no monitoramento de resultados alterados, reforçando seu papel estratégico na operacionalização das OCI. Apesar dos desafios relacionados à adaptação das equipes e às resistências iniciais, sobretudo em algumas especialidades, a estratégia mostrou-se factível e efetiva. Conclui-se que a OCI se consolida como importante ferramenta de organização das linhas de cuidado no SUS, ao permitir a gestão qualificada das filas, a ampliação do acesso e a melhoria da integralidade do cuidado à saúde da mulher.
Saúde da Mulher, Detecção Precoce de Câncer
NILVÂNIA CARZOLA IECKS DOS ANJOS, TALITA YURIE NAKATA, JOSÉ MERENDA JUNIOR, GIOVANA ALESSANDRA SEGUNDA COGO RODRIGUES ANDRADE