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A Dengue é endêmica no Brasil, com padrão sazonal em períodos quentes e chuvosos. Nos últimos anos, as epidemias tornaram-se mais frequentes e intensas, aumentando casos graves, óbitos e registros de Chikungunya e Zika (Ministério da Saúde, 2024). A principal estratégia de prevenção é eliminar criadouros do Aedes aegypti nas residências, focando em recipientes ou locais que acumulam água. Para isso, é importante realizar a remoção, adequação ou tratamento desses recipientes. No Brasil, os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE), em parceria com a população, promovem o controle mecânico e químico do vetor, cujas ações são centradas em detectar, destruir ou destinar adequadamente reservatórios naturais ou artificiais de água que possam servir de depósito para os ovos do Aedes (Ministério da Saúde, 2009). Para sensibilizar e reforçar as ações de controle foi realizada uma Oficina visando atualizar conhecimentos e aprimorar as estratégias de monitoramento pelo ACS. Essa iniciativa, além de fortalecer a integração entre ACS e ACE, também os prepara para prevenir e combater a proliferação do mosquito de forma mais eficaz, possibilitando a identificação de focos e a eliminação dos criadouros. Dessa maneira, a capacitação fortalece as políticas de saúde pública, promove a integração entre os profissionais e reforça a proteção da população.
Capacitar os ACS que atuam nas unidades de saúde de Ribeirão Preto sobre o combate ao Aedes aegypti, buscando atualizar informações para que estejam preparados para prevenir e controlar a proliferação do mosquito por meio de busca e eliminação dos criadouros nas residências.
As equipes da Coordenadoria I de Educação Permanente em Saúde (CEPS), do Setor Informação, Educação e Comunicação (IEC) da Divisão de Vigilância Ambiental em Saúde (DVAS) e da Coordenação da Estratégia Saúde da Família (CESF) elaboraram a oficina “ACS em ação: o Aedes na mira” com a seguinte programação (4 horas): 1) aula expositiva/interativa explorando a evolução do número de casos do município num mapa interativo e sobre a importância da atuação do ACS; 2) vivência prática com dinâmicas grupais subdivididas em 3 estações: Estação 1: Área interna da residência com a demonstração visual dos possíveis criadouros do mosquito e o olhar que o ACS deve ter nas visitas domiciliares (VD) e as orientações a serem dadas; Estação 2: Área externa da residência com a demonstração visual dos possíveis criadouros do mosquito e o olhar que o ACS deve ter nas VD e as orientações a serem dadas; Estação 3: Exposição em planta baixa em “tamanho real” de uma casa para a encenação de uma visita, e o caminho a ser percorrido, ilustrando, de maneira lúdica, as situações possíveis de serem vivenciadas pelos ACS; 3) apresentação das ações desenvolvidas pelos ACE;4) consolidação do conhecimento adquirido com um quiz (Kahoot®); 5) ao final, foi aberto um espaço para as considerações dos participantes, além da avaliação de feedback. As dinâmicas nas estações foram conduzidas pelos ACE do IEC e pelos coordenadores do DVAS com apoio da equipe da CEPS.
A oficina de 4horas foi realizada e repetida em quatro dias. As inscrições foram por formulário no Google Forms®. Participaram 156 ACS, de 28 unidades de saúde (das 35 existentes no município que possuem ACS), além da equipe do consultório na rua. A oficina teve colaboração de 06 ACE e 02 coordenadores de campo do DVAS, que se revezaram nos 4 períodos de realização das atividades. Uma avaliação foi aplicada aos participantes para medir o impacto da oficina sobre o conhecido a respeito do controle do Aedes aegypti. Responderam 133 ACS, dos quais 97,7% consideraram que a oficina contribuiu para seu aprendizado. As atividades mais destacadas foram o quiz/jogo de perguntas e respostas (54,9%), a estação com criadouros internos (49,6%), o percurso do imóvel (51,1%) e a estação com criadouros externos (47,4%). Além disso, 85% afirmaram que conseguirão aplicar e repassar os conhecimentos adquiridos. A maioria (97%) considerou o conteúdo completo, mas alguns sugeriram temas adicionais, como tipos de materiais recolhidos no mutirão e a história da transmissão das arboviroses. A oficina foi elogiada por sua abordagem dinâmica, interativa e didática, com linguagem acessível e exemplos práticos, preparando os ACS para a realidade do campo. Com essa experiência, a equipe do IEC incorporou a estratégia ao treinamento dos novos Agentes de Combate às Endemias.
Com aumento dos casos de arboviroses como dengue e Chikungunya ressalta-se a importância de estratégias preventivas e educação para controlar a proliferação do mosquito transmissor. A Oficina oferecida, estruturada em formato teórico e abordagem prática, com dinâmicas interativas e a utilização de ferramentas visuais e lúdicas, como a simulação de visitas domiciliares, promoveu um ambiente de aprendizagem eficaz e envolvente para os profissionais. A avaliação positiva indica que a capacitação atendeu aos objetivos propostos, com a maioria dos participantes afirmando que as informações adquiridas serão aplicadas em suas rotinas de trabalho. O uso de um quiz para consolidar o conhecimento foi uma estratégia eficaz. Além disso, a boa recepção dos conteúdos por parte dos ACS reforça a necessidade de continuidade e ampliação de iniciativas semelhantes, considerando a importância de manter os profissionais atualizados e preparados para lidar com novos desafios. Em suma, a oficina contribuiu significativamente para o fortalecimento das ações de vigilância e combate ao Aedes aegypti no município, destacando a importância da educação permanente como ferramenta essencial para o controle de endemias e a promoção da saúde pública.
Capacitação,Aedes Aegypti, Eliminação de Criadouro
FABIO HENRIQUE DI FELIPPO, MARIA DAS DORES GONÇALVES VIANA, JOANA D’ARC ALVES SILVA DE AGUIAR, FÁTIMA ISETE DA CRUZ, CÁSSIA APARECIDA D’ANTÔNIA, RODRIGO PEREIRA DA CRUZ, IRMA DE JESUS GALEGO LÁZARO, ROBERTA D’ANGELO AZEVEDO, RUTE APARECIDA CASAS GARCIA, FERNANDA GARCIA DE OLIVEIRA BARUFFI, DANIELA DE BORTOLI SANCHES, MARIA EDUARDA BIAGI MOROTI, MARIANA BODONI MASSOCATO MACHADO