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Em Campinas, há a difusão da Plataforma Saúde Digital, que visa realizar atendimentos de forma remota. A legitimação do Saúde Digital ocorreu na cidade a partir do Decreto Municipal n° 22.387, de 20 de setembro de 2022, que descreve as possíveis modalidades dessa proposta de cuidado. Assim, nos centros de saúde do município, diretrizes de teleatendimentos foram dadas, fazendo com que as Unidades Básicas de Saúde (UBS) precisassem estudar a sua população em termos digitais e, a partir desse diagnóstico (em sua maioria vivencial), propor estratégias que viabilizassem essa modalidade. Em específico no Centro de Saúde Jd. Eulina, identificamos uma população majoritariamente idosa e que, apesar de ter acesso à internet e a aparelhos celulares, não possui familiaridade com a sua utilização, gerando um quadro de marginalização em relação aos serviços e possibilidades ofertados. Diante disso, profissionais da UBS Eulina, ao reconhecerem a necessidade de conhecimento sobre o manejo do aparelho celular, junto com a identificação da modalidade de atendimento grupal como espaço fértil para compartilhar conhecimentos, desenvolveram o que atualmente é chamado de Oficina Conecta 60+. Esse grupo aconteceu no espaço da UBS, quinzenalmente, em um grupo fechado de 11 integrantes, com seis encontros. A experiência aqui relatada foi dividida em três etapas, realizadas de agosto de 2024 a janeiro de 2025: planejamento, aplicação do projeto piloto e feedback e readequação para continuidade.
Considerando o histórico de êxitos nas atividades de atendimento na modalidade grupal realizadas no CS Eulina na disseminação de conceitos de promoção e prevenção a saúde, a Oficina Conecta 60+ foi planejada e introduzida na rotina da UBS com o objetivo de capacitar a população idosa de abrangência para a utilização das principais ferramentas digitais disponíveis em aparelhos celulares, de forma a proporcionar a esses indivíduos autonomia no uso de tecnologias cotidianas e promover sua inclusão digital, reduzindo a disparidade de conhecimentos entre essa parcela da população e os demais usuários, que já possuem vivência com a tecnologia. Além disso, dado o contexto atual do município de Campinas quanto ao aumento da utilização do Saúde Digital, o projeto visa apresentar a plataforma aos participantes da Oficina nesta trilha de aprendizado, após ambientação com os demais recursos digitais cujos conhecimentos são necessários para a realização de teleconsultas de forma exitosa.
A oficina foi coordenada por duas Agentes Comunitárias de Saúde (ACS) e uma Terapeuta Ocupacional, e contou com a participação de uma Farmacêutica. Durante a sua elaboração, os critérios para inscrição dos participantes foram: idade superior a 60 anos, ser alfabetizado e possuir aparelho celular smartphone. O objetivo foi obter um grupo de indivíduos que tivessem características em comum, para melhor aproveitarem o conteúdo. Para o grupo piloto, existiram 10 vagas. O processo de triagem incluiu a aplicação do Mini Exame do Estado Mental (MEEM), permitindo às facilitadoras avaliarem o entendimento, orientação e memória dos inscritos. A oficina trouxe o conteúdo de forma interativa e lúdica, distanciando-se do modelo de palestra e colocando o indivíduo como ativo em seu processo de aprendizado, utilizando seus aparelhos e recursos elaborados pelas próprias facilitadoras, como materiais didáticos, jogos, colagens e apresentações durante encontros de 60 minutos. Os temas abordados nos encontros foram escolhidos com base nos recursos básicos do aparelho celular e nas maiores dificuldades encontradas pela população idosa em relação à tecnologia. Foram trabalhados: Funcionalidades gerais do celular (principais ícones e recursos do smartphone), Aplicativos do Cotidiano (Uber, Ifood, Google Maps), Segurança (prevenção de golpes) e Saúde Digital (explicação sobre teleconsulta e como ingressar a partir do WhatsApp), além de dois encontros para Início e Encerramento do grupo.
Ao longo dos encontros, foi possível perceber uma rica diversidade nos níveis de conhecimento prévio dos participantes, reflexo de suas distintas experiências e contextos sociais. Essa diversidade resultou em diferentes graus de familiaridade com o uso de aparelhos celulares e a tecnologia de modo geral. Diante disso, os resultados foram analisados de forma individualizada, levando em consideração a evolução de cada participante. Todo o conteúdo programático foi dado, mas de forma a adaptar seu modo de transmissão e com expectativas diferentes para cada integrante (alocado em mini grupos: básico, intermediário ou avançado). De forma geral, os resultados evidenciados nos participantes desse grupo piloto foram: maior nível de confiança para fazerem uso de seus aparelhos celulares, sensação de capacidade para manejar seus dispositivos no dia a dia, fazendo uso das suas principais funções (aplicativo de mensagens, relógio e câmera), segurança em relação à proteção contra golpes. Além dos resultados diretamente associados aos objetivos da oficina, foi possível, também, identificar outros benefícios secundários, mas também importantes no contexto da Atenção Primária à Saúde: maior vinculação entre participantes, profissionais e centro de saúde, identificação da UBS como serviço de promoção à saúde que se estende para além do bem estar físico, mas também preza pela autonomia e independência dos cidadãos e espaço fértil para socialização e relações interpessoais.
Ao final do primeiro ciclo da Oficina Conecta 60+, concluiu-se que o projeto se mostrou um espaço rico para trocas e aprendizado sobre tecnologia e o uso do celular. Identificamos, no entanto, maior dificuldade em alguns participantes, o que indica a necessidade de mais atenção para garantir que, antes de acessarem o Saúde Digital, se sintam mais seguros. Com base no feedback do grupo inicial, a experiência foi bem sucedida ao promover maior confiança no uso do smartphone e no entendimento da plataforma Saúde Digital. No entanto, sua continuidade exige adaptações, especialmente aos que necessitam de reforços para melhor assimilação do conteúdo. A Oficina ainda se mostra como um ambiente em processo de adaptação e aprimoramento, com diversas melhorias previstas nas próximas edições. Entre elas, destacam-se: revisão do material didático, divisão dos inscritos por nível de familiaridade com a tecnologia, processo de triagem mais otimizado e uso de mais recursos tecnológicos. Embora se trate de um grupo piloto e inicialmente com recursos limitados, o projeto conseguiu proporcionar uma experiência positiva aos participantes, mostrando-se uma ferramenta relevante para promover o Saúde Digital entre os idosos da área do CS Eulina
Capacitação,população idosa, ferramentas digitais.
GIOVANNA BEATRIZ TERTO DE OLIVEIRA, BRUNA AMORIM DA SILVA, LARISSA MAYUMI MORIYA