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Quando falamos de saúde mental atualmente, abrimos diversas pautas de discussão, bem como sua importância, seus desafios e suas crescentes demandas. E foi pensando nessas altas demandas em procura por saúde mental que esta profissional do Município de Socorro sentiu a necessidade de ampliar os leques de trabalho visando amparar melhor as necessidades. Pensando nisso, foi iniciado em 2021 o Projeto “Oficina das Emoções” para crianças entre 04 a 12 anos de idade, visando melhorar e otimizar os atendimentos no quesito Educação Emocional. Podemos dizer, a priori, quando falamos de crianças, que estas estão em constante fase de aprendizagem e aperfeiçoamento, nos mais diversos ambientes, têm como gênese seu processo de individuação, situando-se no mundo. Contudo, devido às diversidades da modernidade, podemos vislumbrar – cada vez mais – rompimentos nas fases do desenvolvimento infantil, deixando lacunas que futuramente podem ocasionar disfuncionalidades. Deste modo, percebemos que a Educação Emocional, desde a infância, pode ser um ponto chave na resoluções de tais demandas. Sendo assim, podemos considerar que a educação emocional é um assunto de suma importância, abordado amplamente por diversas áreas e que necessita de melhores aparatos de trabalho, divulgação e disseminação, uma vez que tem, como precursor fundamental, o de desenvolver as habilidades de autocontrole emocional por meio da psicoeducação.
O objetivo deste projeto, portanto, visando a atual necessidade, consiste no processo de psicoeducação das crianças, utilizando-se de métodos lúdicos para que a criança comece a identificar e nomear as emoções primárias. Além disso, o projeto traz benefícios globais na vida da criança, uma vez que, diante da criação de maior controle emocional, problemas relacionados com a indisciplina, conflitos entre pares e com adultos, queixas familiares e encaminhamentos a intervenções profissionais, tendem a diminuir diante ao trabalho de promoção e prevenção de saúde emocional.
A “Oficina das Emoções” – como citada acima – tem, em média, a duração de 3 meses, sendo realizado um encontro por semana com um grupo de, em média, 10 crianças, sendo elas devidamente separadas por faixa etária, sexo e demandas para que o trabalho seja melhor amparado. Os encontros são realizados apenas com as crianças e têm duração de 60 minutos. Ressalta-se que são realizadas as atividades com 3 grupos por dia em cada um dos dias da semana. Nesses encontros são abordados as temáticas “emoções”, baseando-se nos personagens do filme Divertidamente da Disney®. As atividades são, em sua totalidade, todas lúdicas. As temáticas abordadas são Alegria, Empatia, Tristeza, Raiva, Medo e Nojo. Todo o material utilizado é fornecido exclusivamente pelo Município, contudo requer baixo custo, sendo a maioria dos materiais composta de uso de reciclados. A “Oficina das Emoções”, além de ser um projeto de Psicoeducação das emoções, abre espaço para análise minuciosa das demandas infantis, dando ao profissional um olhar mais amplo sobre as necessidades da criança e assim proporcionando um trabalho mais integral, ou seja, se há a necessidade de outros encaminhamentos a demais serviços, além disso a oficina funciona como uma espécie de filtro para as necessidades de maiores urgências. Nosso público alvo é de crianças de 04 a 12 anos de ambos os sexos que, de alguma forma, foram encaminhadas ao serviço de psicologia infantil, sendo este ofertado gratuitamente pelo SUS do Município de Socorro.
O sucesso do projeto foi devido ao alto aproveitamento, a otimização do serviço e os elogios nas experiencias vividas pelas crianças. Atualmente o projeto foi ampliado e, em 2023, atendeu cerca de 60 crianças, sendo que dessas, 50 obtiveram alta e 10 foram encaminhadas a tratamentos necessários após. Neste período também pudemos observar o desinflar de 50% do serviço. A partir desse momento começou a contagem dos dados estatísticos do projeto que, antes, não eram contabilizados. No primeiro trimestre de 2024 (ainda não terminado) conseguimos ampliar ainda mais o projeto que hoje abarca 100 crianças que ainda estão no processo da “Oficina das Emoções”. Desta forma podemos dizer que o projeto conseguiu desinflar 100% da demanda do município. Seu aproveitamento ainda esta sendo contabilizado. No que tange a análise qualitativa, pode-se dizer que por ser um projeto 100% lúdico é de grande apreço pelas crianças, que aprendem, se divertem e são psicoeducadas ao mesmo tempo. Bem como também é um projeto elogiado pelos pais e escola, que conseguem mensurar as mudanças das crianças ao passarem por ele. Já em relação ao aproveitamento na área Psicológica, notou-se que as crianças que realizaram a A “Oficina das Emoções” conseguiram se apropriar da sua regulação emocional, alcançaram taxas satisfatórias de autonomia nas ações e comportamentos, sendo mais assertivos, houve também melhora nas relações socioafetiva e interpessoal.
Diante do exposto, percebeu-se que a “Oficina das Emoções” foi um projeto fundamental que proporcionou, com êxito, a educação emocional necessária para as crianças resididas nesse município, bem como foi um importante mecanismo de trabalho otimizado, diminuindo as demandas e as queixas, funcionando, além de um tratamento, como uma forma de prevenção e promoção em saúde. Além disso percebeu-se que a apropriação de uma regulação emocional, trabalhada de forma rigorosa e sistematizada, levando-se em consideração as atividades lúdicas como formas de melhores apropriações para este conhecimento, nos habilita a ser mais autônomos em nossas ações e comportamentos, nos tornando mais assertivos e nos dando maior elaboração para uma melhor relação socioafetiva e interpessoal. Este projeto mostrou que, de fato, foi capaz de sanar as demandas psíquicas infantis, uma vez que percebeu-se uma alta porcentagem nas altas psicoterapêuticas. Portanto, pode-se estabelecer o quanto a inteligência emocional é importante nas nossas vidas desde a infância, momento mais crucial para ser abordado, bem como nas demais fases de nossas vidas, sendo ela um material preventivo e promotora de saúde como um todo.
Saúde Emocional; Infância; Serviço Público.
Ingrid Geraldine Paiva Marques