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Ao analisarmos a história da saúde mental e da reforma psiquiátrica no Brasil, veremos que a mesma foi marcada por reformulações e extinções de ações para com as pessoas com transtornos mentais. Com o fechamento dos hospícios, novas abordagens e práticas precisaram surgir para que realmente se realizasse os objetivos da luta antimanicomial: a dignidade, a cidadania e o respeito para aqueles que por muitos anos tiveram seus direitos violados e foram excluídos da vida social; dentre elas, os Centros de Atenção Psicossocial. Com as reformulações no campo da saúde mental no Brasil surgem os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) com uma nova ótica de ação em prol do doente mental. Dentre as ações vinculadas ao CAPS, temos o desenvolvimento de oficinas além de um rol amplo de intervenções que buscam garantir a vivência do doente mental em uma comunidade, e não mais a sua segregação como realizado anteriormente. Hoje o CAPS não atende apenas o doente mental, mas também o dependente químico. Há locais em que o CAPS atende ambos os públicos, e existem outros espaços onde o CAPS AD atende somente os dependentes do álcool e das drogas. O CAPS é um ponto de referência da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e seus serviços têm abrangência territorial. Isso significa que tais equipamentos devem ser organizados de modo a atender uma parcela da população, segundo o local de residência. Contudo, o CAPS segue as normativas da RAPS e de tudo que está posto pela Política Social de Saúde Mental
O objetivo principal é fomentar o protagonismo dos usuários e família, onde os mesmos têm um espaço de liberdade da criação de ideias e expressão de sentimentos. Desmistificar o trabalho do Caps. Dar visibilidade do serviço de saúde mental, assim como das políticas públicas da cidade. Ser um elo articulador da RAPS
Dessa forma, sendo a oficina de áudio visual uma prática complementar em saúde, ela funciona como um excelente dispositivo para a promoção da comunicação dos usuários com os profissionais e familiares, e, como consequência, como afirmam Oliveira et al. (2014), também auxilia à adesão aos tratamentos. Portanto, partindo dos estudos do sociólogo e antropólogo Bruno Latour (2008) e entendendo as interações sociais, humanas e não humanas, como fios que se desenrolam de uma rede maior, o projeto leva a atividade áudio visual para os espaços de saúde como uma alternativa eficaz para que haja fortalecimento e incentivo do coletivo e o consequente empoderamento dos grupos. A ideia é trabalhar a independência do paciente, ensinando o mesmo a trabalhar com a câmera do celular, para fazer postagem, entrevistas e assuntos pertinentes que São do Municipio. Junto com o profissional do CAPS, fazer a formatação do texto, edição e postar no Canal do CAPS no You Tube, para divulgação, com isso levantando a alto estima do paciente. Fazendo entrevista dentro do próprio CAPS, com outros paciente, outros profissionais, além de convidar profissionais de diversas áreas do municipio para participar dessas atividades, sendo entrevistados pelos pacientes do CAPS, com apoio dos profissionais do CAPS, e uma profissional que tem conhecimento em Áudio visual que faz um trabalho voluntario no serviço. Link https://www.facebook.com/share/15h43KJLmU/ https://youtube.com/@capstvoficial-r6b?si=KtCUsbP4yia-Ni_u
São produzidos conteúdo de previsão do tempo entrevistas sobre eventos e atividades do Caps além de reportagens na comunidade, conteúdo relacionado a promoção da saúde, assim como conteúdos relacionados espiritualidade considerando o ser humano psicossocial e espiritual. A experiência que começou em Junho de 2024, é um sucesso pois além de colocar o usuário de saúde mental como protagonista, o serviço do Caps está tendo mais visibilidade e interação com a comunidade a qual faz parte. A princípio os conteúdos são publicados nas redes sociais dos próprios usuários, no Facebook, YouTube , tick tok. Temos parceria com a conta do Facebook Pereira Barreto News onde, conteúdos criados pelos usuários são postados, possibilitando maior interação com a comunidade. Os munícipes interagem e visualizam as publicações resultando em comentários positivos sobre o trabalho desenvolvido , que esta tendo muitas visualização assim como comentários positivos sobre o trabalho no serviço. Em janeiro de 2025 criamos o canal Capstv Oficial ( facebook e youtube). https://www.facebook.com/share/15h43KJLmU/ https://youtube.com/@capstvoficial-r6b?si=KtCUsbP4yia-Ni_u
Ao utilizar os recursos audiovisuais, os usuários puderam se apropriar do saber tecnológico, problematizar as imagens e as narrativas que constroem sobre si mesmos e reconhecer que podem assumir outros lugares para além do sofrimento psíquico. Foi possível estimular a autonomia e o protagonismo social, visando transformar práticas que oprimem e excluem as pessoas em sofrimento psíquico e potencializar a criação de novos significados para a loucura. Outro aspecto muito importante é a visibilidade e desmistificação do tratamento em saúde mental. Sobre a autoria, Spohr, Maraschin e Rainone (2009) afirmam que, ao assistirem à própria produção, os sujeitos se reconhecem e são reconhecidos nas marcas de suas contribuições. Assim, essas experiências instauram espaços de deslocamento, com a invenção de lugares como ator, narrador, diretor e editor, no contexto dos serviços substitutivos, o que contribui para que os usuários tenham mais contatos com as tecnologias utilizadas, uma vez que, no processo de construção, procuramos ressaltar suas potencialidades e estimular a participação em todas as etapas do processo de produção audiovisual.
Comunicação, Oficina Áudio visual. Saúde Mental.
LUCIO PERCIO MARIANO DA SILVA