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As oficinas terapêuticas são estratégias de tratamento voltadas à promoção da saúde mental e à reinserção social de pessoas com transtornos psíquicos. Seus objetivos incluem fortalecer a autoestima, promover inclusão social, melhorar a qualidade de vida e desenvolver habilidades (Ministério da Saúde, 2004). Divididas em três modalidades – expressivas, geradoras de renda e de alfabetização –, recomenda- se que cada CAPS ofereça mais de uma opção, permitindo que os usuários escolham atividades para seu Projeto Terapêutico Singular (PTS). Segundo Saraceno (1999), a reabilitação deve abranger três pilares: casa, trabalho e lazer. Nesse contexto, as hortas destacam-se como aliadas na reabilitação psicossocial. A horticultura possui caráter terapêutico, promove reinserção social e autonomia, especialmente quando o usuário participa de todo o processo – do plantio à colheita. Essa prática reforça o PTS, integrando saberes em saúde mental. A oficina tem cunho educativo, baseando-se em práticas sustentáveis, como compostagem e rotação de culturas, alinhando-se à promoção de uma saúde integral e sustentável.
Promover a saúde mental e o bem-estar dos usuários do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Adulto por meio da oficina de horta terapêutica. Utilizando espaços verdes e conceitos agroecológicos em áreas urbanas, o projeto visa estimular o contato com a natureza, a interação social, a ocupação produtiva do tempo e a valorização pessoal. Além disso, busca fortalecer a consciência ambiental e social, contribuindo para a reabilitação psicossocial e a autonomia dos participantes.
A oficina de horta terapêutica utiliza conceitos de sistemas agroflorestais adaptados a contextos urbanos. Iniciada em maio de 2024, a atividade começou com o manejo de bananeiras já existentes no terreno e a compostagem de resíduos orgânicos gerados na Unidade. Inicialmente, contou com a participação de dois usuários em tratamento intensivo no CAPS, e posteriormente, mais três integrantes foram incluídos. As atividades ocorrem de segunda a sexta-feira, no período da manhã. A execução dos processos e o manejo diário – como roçagem, preparação do canteiro, adubação de superfície, cobertura do solo, plantio, rega, cultivo e cuidados até a colheita – são realizados sob a supervisão de um profissional da equipe técnica, em conjunto com os usuários. O planejamento, que inclui a definição das espécies a serem cultivadas, o desenho do consórcio e o design da horta, é estabelecido periodicamente em reuniões com a participação de todos os envolvidos na oficina. Essa abordagem colaborativa garante a integração dos participantes e o alinhamento das atividades com os objetivos terapêuticos e ambientais do projeto.
A oficina terapêutica está em pleno processo de implantação. Foram realizadas ações significativas, como o manejo de terra doada por um familiar de usuário e a montagem de dois canteiros (medindo 1,50×10 m e 1,50×12 m), onde foram plantadas mudas de brócolis e alho- poró, também doadas pela mesma pessoa. Até o momento, já foram colhidos frutos das bananeiras existentes no terreno, distribuídos entre usuários e funcionários da Unidade, promovendo integração e compartilhamento dos resultados. Observamos uma adesão significativa de usuários que possuem experiência prévia com o cultivo da terra, seja por residirem em chácaras, terem familiares que cultivam em quintais ou por terem vivido em zonas rurais. Essa familiaridade com práticas agrícolas tem facilitado a participação ativa e o engajamento nas atividades, fortalecendo o vínculo com a oficina e contribuindo para o processo terapêutico. A iniciativa tem demonstrado potencial para promover não apenas benefícios individuais, mas também a integração coletiva e a valorização de saberes tradicionais.
A participação na oficina terapêutica tem estimulado a autonomia e o empoderamento dos usuários, incentivando-os a replicar os conceitos de agroecologia em espaços disponíveis em suas residências. Além disso, a atividade promove a socialização, o trabalho em grupo e a cooperação, contribuindo para a redução do estresse e da ansiedade por meio do contato com a natureza, da prática de atividades físicas e da responsabilidade de cuidar de seres vivos. Os usuários têm demonstrado interesse crescente por temas como hábitos alimentares saudáveis, práticas sustentáveis e o cuidado com a coletividade e o meio ambiente. Esses resultados reforçam a importância da oficina como uma ferramenta eficaz no processo de reabilitação psicossocial, integrando saúde mental, educação ambiental e promoção de qualidade de vida.
Horta, PICS, ambiental, Saúde Mental, promoção.
MARTA ALMEIDA CONCEIÇÃO, VALÉRIA PAIXÃO, JÉSSICA LEOCÁDIA ARAÚJO PASSINI