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O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é um serviço de saúde de base comunitária e territorial, e suas ações são realizadas para além dos espaços geográficos da instituição CAPS como um “lugar” de ambiência e convivência na comunidade. Considerando as demandas apresentadas pelos usuários com deficiências crônicas no conceito psicossocial, percebemos a necessidade de articular estratégias para expansão de oportunidades no desenvolvimento do cuidado em saúde através da autonomia. Assuntos estes discutidos em Assembléias com os usuários, trabalhadores do CAPS II de Francisco Morato e gestores, em virtude da ação social para a arrecadação de fundos com intuito de comprar uniformes esportivos para o time de futebol dos CAPS do município. Definido como um conjunto de ações para aumentar a valorização do sujeito em seu contexto de pensar e agir, a reabilitação psicossocial propõe uma abordagem focada na contratualidade e poder de negociações com os usuários, no qual o eixo trabalho diz respeito à produção e troca de valores como um dos cenários da vida dos usuários como exemplo. É justamente com o propósito de reduzir a precariedade e a desvantagem social que os projetos de geração do trabalho e renda na área da saúde mental têm incorporado princípios da economia solidária e podem ser consultados nas portarias de saúde mental.
Elaborar conjuntamente com os usuários, profissionais e comunidade, propostas de geração de renda referenciado nos estudos de economia solidária através da oficina “Garimpei, bota fora do CAPS, de maneira neutra e sem fins lucrativos.
A construção de um Projeto de Oficina Geradora de Renda foi o primeiro passo para cumprirmos com as normas operacionais do Atendimento em Grupo, Oficina Terapêutica e demais responsabilidades técnicas direcionadas pela procuradoria de saúde e planejamento da Autarquia de Saúde do município. As provocações para a construção compartilhada de socialização ocorreram após o estudo técnico do projeto pela Procuradoria da Autarquia de Saúde de Francisco Morato e pela concomitância da efetivação da contagem dos indicadores de saúde mental associado a usuários que participam de oficina geradora de renda no Plano de Governo 2022-2025. O projeto foi realizado em etapas organizadas entre Abril a Agosto de 2024 para compor a transdisciplinariedade, movimentação social e a intersetorialidade do equipamento de saúde e o território, sendo estas: ETAPA 1 – Aprovação do projeto; ETAPA 2 – Formação dos grupos de atividade coletiva da oficina; ETAPA 3 e 4 – Organização dos espaços e das atividades desenvolvidas na oficina; ETAPA 5 – Provimento dos fundos monetários. As atividades iniciaram-se em 04 de setembro de 2024 no próprio CAPS II.
As oficinas terapêuticas desencadeiam ações coletivas que integram os indivíduos em grupos operacionais que incentivam o pensamento cooperativo. A oficina geradora de renda desmantelou as percepções de “ mais uma oficina ocupadora de tempo” para um vetor de existencialização e produção de práticas reais de interação com a diversidade de costumes, comportamentos e afetos. A produtividade e o empreendedorismo gerado entre os usuários participantes se estendiam em pautas de Assembleias junto ao equipamento de saúde (Imagem 2), com a intenção de rememorar os fluxos preexistentes do funcionamento do brechó e modernizar as negociações dos produtos no território e consolidar demais parcerias para a expansão das atividades. A oficina foi inicialmente idealizada pelo Enfermeiro Pedro, é direcionada pela Pedagoga Regiane e as Assembleias são organizadas pela Psicóloga Lucimara, com a participação de 4 a 6 usuários por período no Brechó (quartas e quintas-feiras das 09:00 a 11:00) e a participação de 6 a 12 usuários nas Assembleias, sendo realizada quinzenalmente das 14:00 as 15:00 no CAPS II.
A dinâmica em equipe se tornou um espaço para a produção de novos circuitos, comunicação intuitiva e ocupação do território (Imagem 3). O movimento de pertencimento ao qual os usuários forjaram todas as quartas e quintas-feiras pela manhã na oficina, conduziu novos direcionamentos na terapia em grupo (sob monitorização dos técnicos de referência). A oficina foi remodelada para o nome: “Garimpei – Bota Fora do CAPS “. Em síntese, observou-se a ampliação da autonomia dos usuários em determinar o curso dos eventos ao definir os valores dos itens para negociar após consultarem os facilitadores que supervisionam a oficina. Conclui-se que a promoção da solidariedade, cidadania e firmar com os compromissos e valores pactuados desde o início da construção da oficina produziu diferentes modos de viver, pensar e sentir entre os usuários, oportunizando a permeabilidade entre o serviço, a comunidade circunvizinha e demais campos sociais no município. Os fundos arrecadados serão direcionados à compra dos uniformes do time de futebol do CAPS II que participam dos campeonatos do INTERCAPS, manutenção do funcionamento do brechó e passeios recreativos legíveis em Assembleias e reuniões técnicas do CAPS II.
Brechó, oficina terapêutica, saúde mental
PEDRO HENRIQUE CLARIM PEREIRA, LUCIMARA JORDANA ORTIZ, REGIANE APARECIDA CARDOSO DOS SANTOS