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A expansão populacional de Jundiaí e as urgências trazidas pelo período pós COVID resultaram no crescimento da contratação de trabalhadores para recompor a rede de saúde pública. Os serviços de saúde passaram a contar com novos profissionais, formados em áreas da saúde, ou não; como é o caso dos Assistentes de Administração, responsáveis, entre outras atribuições, pelo primeiro atendimento dos usuários que acessam as Unidades. Raramente esse servidor tem contato prévio com a área da saúde pública. Além do mais, vários profissionais atuantes há anos nesses serviços mostravam-se desconhecedores dessa política pública, em seu contexto mais amplo. O projeto nasceu dos esforços dos profissionais do Departamento de Planejamento em Saúde, Seção de EPS, Apoiadores Técnicos e Institucionais, Coordenadores, e profissionais da Unidade de Gestão e Promoção da Saúde que também atuaram como facilitadores do processo. Consideramos que o conhecimento das práticas e normas que regem o Sistema Único de Saúde, como seus princípios e diretrizes, são fundamentais para um melhor acolhimento ao usuário, o que favorece acesso qualificado da população aos serviços de saúde. Além de conhecer as políticas públicas de saúde, é importante que o profissional tenha ciência de que ele faz parte de toda essa organização, que tenha o sentimento de pertencimento ao SUS e que desempenha um papel crucial na sociedade, com a missão de garantir a execução de uma das mais importantes políticas públicas do país.
O objetivo principal, a longo prazo, é o de ampliar o acesso qualificado da população aos serviços de saúde pública no município de Jundiaí; Como objetivos específicos foram considerados: Incentivar os servidores a visualizar, nas suas atividades cotidianas, ações que os conectam com os preceitos do SUS; Construir juntos o sentimento de pertencimento e orgulho de fazer parte do SUS nos novos servidores e reacender tais sentimentos nos servidores mais experientes; Ampliar o conhecimento dos profissionais da saúde pública de Jundiaí sobre o Sistema Único de Saúde, seus princípios e diretrizes; Estimular que os profissionais repensem as suas ações do cotidiano no serviço, durante o processo de construção coletiva; Favorecer a reflexão sobre a melhor forma de acolher e ampliar acesso oportuno da população nas diversas situações no cotidiano do serviço.
Enviamos para os 54 serviços do SUS em Jundiaí cartazes com os dizeres “Eu sou SUS quando…” Uma semana depois de fixados os cartazes enviamos às unidades informações sobre o projeto e o pedido para que indicassem os participantes de sua respectiva unidade. Oferecemos 500 vagas, divididas em 25 turmas. Realizamos as oficinas divididas em 2 módulos, utilizando metodologia da problematização. No módulo 1, trabalhamos os casos dos 5 personagens da fictícia família Silva. Foram apresentados seus componentes, território, condições socioeconômicas e relato sobre como suas necessidades de saúde foram atendidas. As turmas foram divididas e cada uma delas analisou a condução do atendimento em saúde de um dos personagens. A seguir, todos se reuniram no auditório para compartilhamento e discussão sobre o trabalho de cada grupo. Encerrou-se o encontro com a apresentação da história do SUS, seus princípios e diretrizes, e foi proposta uma atividade de dispersão, com as seguintes questões a serem respondidas: “Eu sou SUS quando…” e “Eu promovo acesso quando…” No módulo 2 a tarefa foi a de escolher os “frutos do SUS em Jundiaí”, referindo-se às potencialidades da rede de saúde. Cada um dos grupos selecionou três “frutos do SUS em Jundiaí” e os representaram por meio de desenhos. Já no auditório, apresentaram suas visões e colaram os desenhos na árvore do SUS (desenho de árvore em um banner). Finalizamos o evento, apresentando toda a Rede de Saúde do município.
Dos 500 inscritos, 447 participaram do projeto (84%). No final de cada encontro os participantes responderam a um formulário de avaliação sobre sua participação na oficina, seus sentimentos e outras questões relevantes ao evento. Dentre os participantes, 198 responderam a enquete, de maneira anônima, que obteve os seguintes resultados: 91,5 % relataram que sua experiência na oficina foi muito agradável ou agradável 69,3 % responderam que a oficina os fez entender melhor as características do SUS (29,6 % declararam que já tinham essa percepção) 97,9 % consideraram agradável ou muito agradável partilhar experiências com profissionais de outras Unidades de Saúde 98,4% se sentiu ouvido e valorizado pelo grupo Sobre a “atividade de dispersão” que foi solicitada entre os módulos, 57% responderam Gosto da ideia! Vou tentar trazer a teoria para a prática”.
Inserir e fomentar a “cultura do SUS” nunca será uma tarefa simples ou fácil. O trabalho precisa ser contínuo, as abordagens inovadoras e interessantes para aflorar a paixão pela saúde pública oferecida por meio de atividades reflexivas. Gerentes, Administrativos, Enfermeiros, Técnicos de Enfermagem e de Saúde Bucal, Médicos de todas as categorias, Dentistas, Agentes Comunitários, Agentes de Endemia, equipes multiprofissionais do NASF, enfim, profissionais de todas as categorias profissionais puderam interagir num ambiente democrático, protegido e rico. Todos puderam compreender o quão proveitoso esse tipo de atividade pode ser e quão transformador é em seus ambientes de trabalho. Consideramos que o projeto atingiu seu objetivo, sendo hoje parte do cronograma anual da Unidade de Gestão da Saúde.
SUS, educação permanente, pertencimento
Jane Rodrigues de Campos Tonetti, Marcus Vinicius Pagliarini, Lais Helena Serra Ramalho, Nayara Rael Neves, Camila Marino Zago