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O Brasil, com o seu Programa Nacional de Imunização (PNI), é um dos poucos países no mundo que oferecem uma extensa relação de vacinas gratuitas à sua população. O PNI conta com vacinas para mais de 30 doenças, e objetiva normatizar a imunização á nível nacional, objetivando e contribuindo para erradicar doenças infectocontagiosas e imunopreviníveis. Indicadores que avaliam a cobertura vacinal em menores de um ano, demonstram uma queda da cobertura a partir de 2020, com piora em 2021, e no contexto Municipal não foi diferente. Segundo o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), Ubatuba, entre os anos de 2018 à 2022, obteve melhor cobertura vacinal em 2019, com 103%, e a pior em 2021, com 68,6%. Pensando neste cenário crítico de queda de cobertura vacinal, agravado com a Pandemia da Covid-19, os gestores da Atenção Primária a Saúde (APS), Vigilância Epidemiológica, e o Núcleo de Educação Permanente em Saúde (NEPS), articularam uma Oficina sobre imunização e vacinas para profissionais Técnicos de Enfermagem (TE) da APS, com intuito de reforçar a PNI e a oferta de vacinas como Pacto de Saúde Coletiva.
Melhorar os indicadores de cobertura vacinal do Município. Transformar o processo de trabalho dos TE dentro das salas de vacinação. Compreender o PNI. Promover trocas de experiencias , saberes, com problematização. Estimular o TE no protagonismo do processo de aprendizado. Discutir mitos e verdades sobre vacinas, com ênfase nas fake news.
Realizamos a divisão dos técnicos em três turmas, assim , foram três reuniões com metodologia dialógica para abordar os seguintes temas: Imunologia; Tipos de Vacinas; Fases de controle (a qual são submetidos os imunobiológicos antes de sua ampla distribuição); PNI ; Calendário Vacinal e Calendário Vacinal Indígena; Movimento anti-vacina (com ênfase também em fatos históricos como a “Revolta da Vacina”); vacinas contra a Covid-19. Utilizamos metodologia ativa de aprendizagem nas discussões setoriais ao dividir os profissionais para discussão das seguintes situações: Análise de carteira de vacinação (hipotética) de criança , para que apontassem o que deveria ser feito; Organização dos cartões de espelho da sala de vacinação (trata-se de cópia da carteira de vacinação, arquivada na Unidade para monitoramento da situação vacinal de crianças. É subdividido de acordo com cada mês do ano e idade dos pacientes). Discussão das seguintes situações hipotéticas, mas bem próximas da realidade: “A mãe pergunta sobre analgesia prévia para vacinação, o que devo orientar?”; “Vacina pode desencadear autismo?”; “A criança tem várias vacinas atrasadas e a família quer que faça apenas uma vacina, como proceder?”; “Qual condição de saúde pode impedir uma criança de ser vacinada?”; “ Meu filho é alérgico a ovo, ele pode tomar vacina?”; “Meu filho esta tomando antibiótico, ele pode ser vacinado?”.
Os Técnicos de Enfermagem foram receptivos as ações esplanadas durante as Oficinas, verbalizando situações dificultadas pela ampla divulgação de fake news. Quanto a organização da caixa de cartão espelho, muitos tinham o hábito de monta-la erroneamente apenas por idade ou por ordem alfabética, e não por mês de vacinação conforme preconizado pelo PNI. Tal fato dificultava o processo de busca ativa e monitoramento da situação vacinal das crianças. Em relação ao Indicador número 05 (proporção de crianças de um ano de idade vacinadas na APS contra Difteria, Tétano, Coqueluche, Hepatite B, infecções causadas por Haemophilus Influenza e tipo b e Poliomielite Inativada), do Previne Brasil, no quadrimestre de 2023, Ubatuba ficou colocada em primeiro lugar no contexto de litoral norte do estado de São Paulo, corroborando com a articulação realizada entre APS, NEPS e Vigilância Epidemiológica para transformação de processo de trabalho dos profissionais TE em relação a Vacinação.
Em maio de 2023, a ministra da Saúde do Brasil, Nísia Trindade, segundo informações do site da Unicef, declarou que o País apresentava uma cobertura vacinal das mais baixas da sua história desde a criação do PNI. “Já tivemos 95% de cobertura em relação a vacinas como a da poliomielite, e agora não chegamos a 60% de crianças vacinadas”, afirma a ministra. Mesmo a vacinação sendo um direito fundamental da criança e do adolescente, assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, e um dos meios mais importantes de prevenção de doenças, este público vem sofrendo as consequências de um mundo digitalizado, globalizado que propaga fake news. Além da velha problemática do acesso, tem-se, portanto, outro “nó crítico”, a propagação criminosa de falsas informações sobre vacinas, com repercussões catastróficas na saúde Coletiva, visto que, doenças já erradicadas podem e estão ressurgindo. Portanto, para melhorar a cobertura vacinal, desconstruir mitos e fake news sobre imunobiológicos/vacinas, os gestores devem investir na Educação Permanente em Saúde dos profissionais da Enfermagem a cerca deste assunto, visto que, é a profissão fundamental na gestão da imunização e na conscientização/ educação em saúde, da população.
vacinação, imonobiológicos, fake news
Amália Rocha Barros Vieira, Maria Olivia Pimentel Samersla, Paulo Geovani Almeida, Arieli de Oliveira Pereira Souza,, Alyne Christina Bittencourt Ambrogi Coli