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Segundo o Ministério da Saúde, as hepatites virais são um importante problema de saúde pública no Brasil, essas infecções podem assumir a cronicidade, trazendo impactos financeiros e biopsicossociais consideráveis. Mundialmente, as infecções hepáticas causadas pelas hepatites virais acarretam, aproximadamente, 1,4 milhões de mortes anualmente Em Maio de 2024, o Núcleo de Educação Permanente em Saúde (NEPS), com a diretoria de Atenção Básica, Vigilância Epidemiológica e Ambulatório de Infectologia, iniciou os planejamentos para a realização do Julho Amarelo, focando no empoderamento dos nossos ACS, considerando a importância e a potência de disseminação de orientações que essa categoria, que é a alma da Estratégia Saúde da Família, possui. Foi uma construção conjunta, planejada, com material desenvolvido pelo NEPS, fundamentado nas publicações do Ministério da Saúde e aprovado pelos participantes, justificando a necessidade de dar visibilidade ao Julho Amarelo, instituído pelo Ministério da Saúde como mês de valorização da importância e controle das hepatites virais, com foco no empoderamento sobre a doença e na necessidade de ressignificar a importância dos grupos para a população. Eis nosso desafio: Empoderar os ACS sobre as hepatites virais em todas as suas peculiaridades e encoraja-los a realizarem grupos informativos, resolutivos, acessíveis e divertidos.
Instrumentalizar os ACS de maneira a realizarem grupos interativos e bem dinâmicos em seus respectivos territórios através de jogos lúdicos e divertidos, de maneira a incentivar a participação social, educação em saúde e debates proveitosos na produção de saúde. Afirmar entre os profissionais que os grupos terapêuticos possuem potência e capacidade de amplo alcance quando o assunto é promoção e prevenção de agravos a saúde pública. Enfatizar o protagonismo do ACS dentro do seu território, fazendo com que a população tenha um olhar de grande confiança para esse profissional, que tem uma capilaridade excepcional na educação em saúde.
Realizamos uma grande oficina no Teatro Municipal de Ubatuba para todos os ACS de Ubatuba onde, em parceria com a médica responsável pelo Ambulatório de Infectologia, realizamos uma capacitação dinâmica onde foi explicado todos os pormenores das hepatites virais, em linguagem terapêutica e com espaço para deliberações e troca de experiências. O NEPS desenvolveu um modelo de grupo, com joguinho de figurinhas, onde cada figurinha correspondia a um tipo de hepatite, e os ACS iam direcionando as figurinhas aos espaços correspondentes às hepatites relacionadas ao objeto desenhado nas figurinhas, utilizamos projeções interativas e divertidas, músicas e desenhos que dançavam, e disponibilizamos os joguinhos em PDF para que os ACS pudessem realizar em seus territórios esse modelo de grupo, foi uma simulação onde o NEPS e a Infectologia eram os responsáveis pelo grupo e os ACS eram os participantes, mostrando que ações simples, mas planejadas, poderiam surtir grandes resultados.
A oficina foi extremamente divertida, exploramos inclusive o calendário vacinal, explicando sobre os esquemas de vacinação das hepatites, além de encorajar a busca nas unidades de ESF pela testagem rápida, não somente das hepatites, como também o rastreamento das IST’s. O NEPS colocou-se totalmente à disposição das equipes dos ACS para ajuda-los a conduzir esses grupos focais, caso os mesmos nos chamassem. E os convites vieram, participamos com os ACS de grupos em condomínios, nos seus territórios, mas como coadjuvantes, a participação, planejamento e orientações foram realizadas pelos ACS, que mostraram desenvoltura e total domínio sobre a temática, A disponibilização do material de apoio pelo NEPS foi assertiva, eles levaram as figurinhas impressas, cartolinas, cola, e produziram no território a mesma dinâmica do Teatro e a participação da população foi excepcional. Grupos explorando o Julho Amarelo aconteceram em quase todos os territórios de Ubatuba, e as informações se disseminaram entre a população. A potência da educação em saúde através dos grupos foi reafirmada, trouxe renovação e entusiasmo aos nossos ACS, que muitas vezes sentem-se cansados ou desmotivados em relação aos grupos nas unidades, não sentem-se pertencentes à nobre e ininterrupta tarefa de compartilhar saberes que possuem.
Muitas vezes, tecnologias simples, são subestimadas até pelos próprios profissionais de saúde, o contexto histórico hospitalocêntrico e médicocentrado acabam persistindo entre a população e práticas acessíveis, porém grupais, acabam sendo desencorajadas e desvalorizadas. Por vezes a falta de adesão aos grupos acaba trazendo desalento aos ACS e demais profissionais de ESF, que às vezes delegam essa atribuição unicamente às equipes de E-Multi, essa experiência serviu para trazer entusiasmo às equipes em relação aos grupos, afirmou a autonomia dos profissionais e trouxe diversão e leveza, valorizando seus saberes. As testagens rápidas tiveram aumento durante e após o Julho Amarelo, assim como a procura da realização do esquema vacinal das hepatites virais. Nossa saúde é pública, e para atingir a todos, afirmando os princípios doutrinários do SUS, a participação popular é o nosso norteador, assim como a valorização da capilaridade dos ACS, através de instrumentalização de suas práticas, portanto, sabemos o caminho a ser percorrido e seguimos colhendo frutos dessa iniciativa!
Testagem rápida, Educação Permanente, Hepatites
MARIA OLÍVIA PIMENTEL SAMERSLA, AMÁLIA ROCHA BARROS VIEIRA, ARIELI DE OLIVEIRA PEREIRA SOUZA, NATÁLIA GOUVÊA GASPAR, ALYNE CHRISTINA BITTENCOURT AMBROGI COLI, ROGÉRIO CARVALHO DE OLIVEIRA, SÍLVIA MARIA TENÓRIO DA SILVA, SIMONE BRITO DOS SANTOS MARCONDES