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Este trabalho traz a vivência dos profissionais da saúde do Município de Sebastianópolis do Sul, sobre a importância da intervenção nos espaços escolares diretamente com as crianças e com os educadores. A equipe percebeu um aumento do número de solicitações para orientação na alimentação das crianças entre 1 e 6 anos de idade com alteração de exames de sangue e aumento de peso. Com isso, o Projeto foi iniciado em fevereiro de 2019, com a equipe da saúde visitando as escolas, realizando avaliação antropométrica semestralmente, assim como visitas à horta municipal, pic-nic e orientação nutricional aos familiares em reuniões escolares. A partir de 2020 incluímos também a prática do exercício físico durante as ações com a participação do educador físico. Durante a pandemia foram enviadas atividades por meio de vídeo aulas e folders para as escolas e familiares. No ano de 2022 as atividades voltaram a ser presenciais e realizadas na mesma frequência. Incluímos passeios e gincanas no campo de futebol, degustação de legumes, verduras e frutas diferentes do cotidiano e atividades que estimulem equilíbrio, coordenação motora e gasto energético.
Objetivo Geral: Desenvolver ações educativas voltadas para a prevenção da saúde e controle da obesidade infantil. Objetivos específicos: 1. Avaliar a saúde e a qualidade de vida das crianças através da avaliação do estado nutricional; 2. Encaminhar as crianças identificadas com obesidade para intervenção e cuidado na Rede de Atenção à Saúde; 3. Incentivar a melhoria dos hábitos alimentares com degustação e atividades sensoriais; 4. Oferecer atividades coletivas de promoção da alimentação saudável; 5. Prevenir e cuidar da obesidade infantil através das práticas corporais e atividades físicas; 6. Estender os cuidados da alimentação e esporte aos familiares por meio de reuniões educativas, mostras na Semana do Bebê e encontros escolares.
A realização de ações sobre a alimentação saudável e prevenção da obesidade é realizada através de: – Atividades de orientação nutricional aos alunos nas salas de aulas com cartilhas, degustação de alimentos diferentes do cotidiano como legumes (chuchu, vagem, mandioquinha) descascar ovos, preparar bolachinhas e bolinhos e aos pais nas reuniões escolares com o objetivo de estender o cuidado para casa; – Espaços preparados pela nutricionista e demais profissionais da saúde, para receber as crianças incentivando o conhecimentos e manejo dos alimentos saudáveis. Durante a visita à Horta Municipal, as crianças aprendem como as verduras consumidas na escola são plantadas e cuidadas. Elas participam da apresentação feita pelo cuidador, desde o plantio até a colheita das mesmas. São incentivadas a tocar, cheirar, irrigar e colher uma porção para comer em família; – Espaços preparados para realização de atividades físicas (Estádio Municipal de Futebol) realizada pelo educador físico da saúde. Onde são realizadas atividades com bambolê, círculos, obstáculos, corrida do saco, bolas e depois servido uma refeição equilibrada com os colegas e professores; – Avaliação antropométrica realizada semestralmente nas escolas de 0 a 6 anos para chamar a atenção dos familiares e cuidadores da importância do acompanhamento direto e individual, e se necessário, encaminhamento para especialista.
Ao longo destes seis anos de projeto, percebemos uma evolução na forma de ofertar alimentos às crianças nas escolas infantis, uma abordagem mais educativa e estimulante ao falar com cada criança de forma individual, respeitosa e pacienciosa quanto ao tempo de cada uma para as mudanças e aquisições de qualidade na forma de se alimentar. Isso reflete o aprendizado das cuidadoras e professoras sobre individualidade na alimentação e na crença de mudanças constantes das crianças e familiares. Houve um acesso maior aos familiares para direcionar e chamar para atendimento individualizado na atenção básica as crianças que se apresentam obesidade (acima do percentil 90) ou que estejam em sobrepeso. As mostras, encontros de primeira infância e os relatos das crianças para os pais sobre atividades físicas e ações realizadas na escola, trouxeram maior credibilidade para os profissionais envolvidos e às técnicas aplicadas. Após pandemia tivemos um aumento importante nas taxas de obesidade, seletividade alimentar e sobrepeso nas escolas com crianças acima de 3 anos. Com o projeto, foi possível avaliar e chamar os pais para iniciar uma mudança ambiental e comportamental da família e auxiliar as crianças no processo de melhoria de saúde.
Sabemos que a prevalência de obesidade mundial vem se destacando e se tornou um problema de saúde pública. Um novo estudo divulgado pela Lancet, com dados de 2022, mostra que mais de um bilhão de pessoas vivem com obesidade no mundo. A obesidade quadruplicou entre crianças e adolescentes (5 a 19 anos de idade). De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde, a obesidade é uma doença crônica complexa. As causas são bem compreendidas, assim como as intervenções necessárias para conter a crise, que são respaldadas por fortes evidências. No entanto, elas não são implementadas. Na Assembleia Mundial da Saúde, em 2022, os Estados-Membros adotaram o Plano de Aceleração da OMS para acabar com a obesidade, que apoia ações em nível nacional até 2030. Pensando nestas ações, apoiamos práticas saudáveis desde o primeiro dia de vida, incluindo a promoção, a proteção e o apoio ao aleitamento materno, conscientização sobre dietas saudáveis e exercícios nas escolas, integração de serviços de prevenção e controle da obesidade na atenção primária à saúde. Tudo isso nos faz pensar que estamos no caminho certo, plantando uma semente para o amanhã.
Obesidade infantil, atividade fisica, alimentação
WALAFF SANTOS DE OLIVEIRA, GISELI CATARINA DE LIMA