Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O município de Várzea Paulista identificou, em setembro de 2025, um cenário de fragmentação no cuidado às crianças com suspeita ou diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) atendidas em serviço especializado externo à rede municipal. A análise dos registros no sistema JBrasil mostrou que parte desses pacientes não possuía cadastro na Atenção Primária à Saúde, não havia encaminhamentos formais pelas Unidades Básicas de Saúde nem agendamentos via central de regulação, indicando acesso predominantemente por procura direta das famílias ou encaminhamentos autônomos. Entre os 648 registros avaliados, predominaram motivos relacionados a TEA, TDAH, atraso no desenvolvimento, alterações de fala e linguagem e dificuldades de aprendizagem, distribuídos em diversos bairros do município. No recorte específico de TEA (n=174), 76,4% dos casos (cerca de 133 crianças) ainda não possuíam laudo diagnóstico formal, o que dificultava o planejamento terapêutico e o acesso a benefícios e intervenções adequadas. Diante desse cenário, a Secretaria Municipal de Saúde estruturou uma experiência focada na análise epidemiológica dos prontuários e na integração desses usuários à Rede de Atenção à Saúde municipal, com ênfase na Atenção Primária e na saúde mental infantojuvenil, buscando ordenar o acesso, qualificar o cuidado e promover o desenvolvimento infantil no território.
Objetivo geral: organizar a linha de cuidado de crianças com suspeita ou diagnóstico de TEA e TDAH, integrando os usuários atendidos em serviço especializado à rede municipal de saúde, com foco na Atenção Primária e na saúde mental. Objetivos específicos: mapear o perfil dos pacientes atendidos no serviço especializado quanto à idade, território, motivo de encaminhamento e situação diagnóstica; identificar crianças sem cadastro na rede municipal e sem laudo diagnóstico formal para inclusão em linha de cuidado prioritária; estruturar fluxos de encaminhamento e contrarreferência entre serviço especializado, Unidades Básicas de Saúde, regulação e saúde mental; ampliar o acompanhamento multiprofissional e o acesso a diagnóstico e intervenções adequadas para crianças com TEA/TDAH; e fortalecer a articulação com Educação e Assistência Social para suporte integral às famílias.
Trata-se de estudo e intervenção de gestão a partir da análise dos atendimentos de crianças e adolescentes em serviço especializado externo à rede municipal, registrado no sistema JBrasil. Inicialmente, foram extraídos os dados consolidados de 648 registros, contemplando ano de entrada, faixa etária, bairro de residência e motivo de encaminhamento (TEA, TDAH, atraso no desenvolvimento, dificuldades de aprendizagem, entre outros). Em seguida, esses dados foram organizados em tabelas e gráficos para apoiar a interpretação pela equipe gestora. A equipe técnica da Secretaria Municipal de Saúde confrontou as informações do serviço especializado com cadastros da Atenção Primária e da central de regulação, identificando usuários sem cadastro em UBS, sem encaminhamento formal e sem registros de agendamento regulado. A partir dos achados, constituiu-se grupo de trabalho envolvendo coordenação da APS, saúde mental, regulação e gestão da pessoa com deficiência, que definiu propostas de linha de cuidado TEA/TDAH, fluxos de encaminhamento, responsabilidades de cada ponto de atenção e critérios de priorização das crianças sem laudo diagnóstico.
A análise dos 648 registros permitiu caracterizar o perfil dos usuários atendidos, evidenciando concentração de casos nas faixas etárias de 6 a 12 anos e de 18 a 59 anos e maior número de registros em determinados bairros, o que orienta a organização territorial das ações. Também foi possível identificar que nenhum dos pacientes possuía encaminhamento registrado pelas UBS nem agendamentos via regulação municipal, revelando fragilidade na coordenação do cuidado e na ordenação do acesso. No recorte dos 174 casos de TEA, observou-se que 76,4% ainda não possuíam laudo diagnóstico, o que levou o município a definir esse grupo como prioridade para avaliação multiprofissional e emissão de laudos. Como resultado da experiência, elaborou-se proposta de linha de cuidado TEA/TDAH, com definição de fluxos entre serviço especializado, APS, saúde mental e regulação, além de listas nominais para cadastro e acompanhamento na Atenção Primária, fortalecendo o papel da rede municipal na organização do cuidado.
A experiência demonstrou que o uso qualificado das informações existentes em sistemas como o JBrasil pode revelar importantes lacunas na rede de atenção e orientar mudanças concretas na gestão do cuidado às crianças com TEA/TDAH. A constatação de que muitos usuários não estavam cadastrados na APS, não tinham encaminhamentos formais nem laudo diagnóstico reforçou a necessidade de integrar o serviço especializado à rede municipal, com fluxos regulados e corresponsabilidade entre os pontos de atenção. A construção da linha de cuidado TEA/TDAH, articulando Atenção Primária, saúde mental, regulação, educação e assistência social, representa um passo estratégico para qualificar o acesso, reduzir iniquidades e garantir atenção integral às crianças e suas famílias, em consonância com as diretrizes do SUS e das redes de cuidado à pessoa com deficiência e saúde mental
TEA, TDAH, Atenção Primária à Saúde, Saúde Mental,
ELAINE DE AGUIAR SILVA BALTAZAR