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A esporotricose é um agravo zoonótico de origem fúngica, historicamente associada à exposição ambiental e conhecida como “doença do jardineiro” (Pires, 2017). Entretanto, ao longo dos anos, observou-se mudança em seu perfil epidemiológico, com predominância da transmissão zoonótica, especialmente relacionada a felinos domésticos. O agravo vem adquirindo grande relevância para a saúde pública, diante do aumento expressivo do número de casos no Brasil e no estado de São Paulo. No município de Cotia, o primeiro caso humano foi registrado em 2022. Diante desse cenário, foi elaborado um plano de ação com o objetivo de organizar os serviços de atendimento à população exposta, bem como disseminar informações qualificadas sobre a esporotricose entre os profissionais de saúde. A experiência ocorreu no município de Cotia, a partir de maio de 2023, envolvendo Vigilância Epidemiológica, Vigilância Ambiental, Zoonoses e a rede assistencial. A partir de 2023, observou-se crescimento progressivo do número de casos confirmados, com registro de 5 casos em 2023, 15 casos em 2024 e 8 casos confirmados em 2025, evidenciando a necessidade de estruturação da resposta municipal frente a esse agravo emergente.
Objetivo geral: Organizar a vigilância epidemiológica e o fluxo assistencial para casos suspeitos de esporotricose humana no município de Cotia. Objetivos específicos: – Sensibilizar e capacitar profissionais de saúde; – Estabelecer fluxo padronizado de atendimento e notificação; – Fortalecer a integração entre Vigilância Epidemiológica, Vigilância Ambiental/Zoonoses, Atenção Primária e Central de Regulação; – Qualificar a identificação e o acompanhamento dos casos.
A experiência foi desenvolvida a partir de uma estratégia intersetorial envolvendo Vigilância Epidemiológica, Vigilância Ambiental/Zoonoses, Atenção Primária e Central de Regulação. As ações iniciaram-se com a realização do evento “Aspectos epidemiológicos da esporotricose no município de Cotia”, em 17 de maio de 2023, direcionado a profissionais da saúde humana e animal, além das equipes de vigilância municipal tanto do município como da região. Em seguida, a esporotricose humana foi instituída como agravo de interesse municipal por meio do Instrutivo Técnico nº 002/2023, com ampla divulgação. A partir desse marco, foi implantado um fluxo municipal de atendimento padronizado, com avaliação inicial na unidade notificante e encaminhamento via Central de Regulação para especialista dermatologista ou infectologista, responsável pela confirmação diagnóstica.
A implantação do plano de ação resultou na padronização da notificação e na organização do acesso ao atendimento especializado para casos suspeitos de esporotricose humana. Observou-se fortalecimento da articulação entre Vigilância Epidemiológica e Vigilância Ambiental/Zoonoses, maior capacidade de monitoramento dos casos e qualificação da resposta do SUS municipal. Os dados epidemiológicos evidenciam aumento progressivo dos casos confirmados após a identificação do agravo no município, com 5 casos confirmados em 2023, 15 casos em 2024 e 8 casos confirmados em 2025, reforçando a relevância da vigilância ativa e da organização do cuidado.
A experiência evidenciou a importância da antecipação da organização municipal frente a agravos emergentes. A estruturação prévia dos fluxos assistenciais permitiu ao município responder de forma qualificada antes mesmo da publicação da Resolução SS nº 88/2024, que instituiu a notificação compulsória estadual, e da Portaria GM/MS nº 6.734/2025, que tornou a notificação obrigatória em todo o território nacional. O monitoramento epidemiológico ao longo dos anos demonstra a necessidade de manutenção das ações de vigilância e reforça o protagonismo da gestão local, o alinhamento às diretrizes do SUS.
ESPOROTRICOSE, FLUXO, MANEJO,HUMANA
GISLAYNE SANCHES DA VEIGA ULLMANN, SILVANA APARECIDA DA SILVA, THAINY DE SOUZA DIAS, THAMIRES VIEIRA