Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Desde 2022 vimos trabalhando com um público que é encaminhado das UBS de São Bernardo do Campo; identificados como crianças com sinais ou risco para o TEA. O que percebemos é que os atrasos nos marcos do desenvolvimento infantil colaboram para que os pais/cuidadores de crianças menores de 4 anos mantenham no manejo com seus filhos comportamentos muito próximos àqueles observados com bebês. Nos casos das crianças com TEA os sinais mais explícitos apreendidos pela equipe e que dificultam o tratamento mais objetivo são de âmbito relacional. Os comportamentos iniciais apresentados pelas crianças, na sua maioria, são compreendidos como de dificuldade na separação dos pais. Eles ingressam colados aos seus pais, ainda com comportamentos de bebê: colo, hábitos orais (mamadeira, seio materno, chupeta). Em uma relação muito simbiótica, que dificulta, por um lado o acesso à sala de terapia e por outro as orientações com as famílias. No trabalho da equipe os pais/cuidadores devem ser nossos parceiros na reabilitação das crianças para que tenhamos êxito no processo terapêutico. Habilitá-los, capacitá-los para que sejam co-terapeutas é fundamental para que lidem com o comportamento dos filhos e os estimulem de forma que um novo comportamento aparece tanto na criança quanto na maternagem/paternagem.
Apresentar à rede de saúde de São Bernardo do Campo uma outra possibilidade de atender casos de TEA na atenção especializada considerando a grande demanda e a necessidade de resultados mais objetivos. Desta forma a equipe promoveu orientações pontuais aos pais fortalecendo-os e mostrando a eles que é possível que consigam participar mais ativa e positivamente do desenvolvimento da criança. Ensinando-os a fazerem análise funcional do comportamento, compreendendo o que gerou a alteração comportamental e fazendo-os perceber quais estratégias poderiam ser utilizadas para minimizá- las (aos comportamentos inadequados).
O pressuposto teórico da equipe está baseado no modelo cognitivo comportamental. Isto considerado, a equipe vem buscando intervenções mais pontuais com as famílias, algumas vezes somente com pais e outras em conjunto com pais e crianças. Nestas intervenções buscamos compreender esses pais e apontar os comportamentos que apresentam e que interferem, diretamente na segurança da criança para o ingresso na sala de terapia. No momento em que os pais percebem suas ações, modificam-nas e uma outra criança se apresenta: aquela que entra na sala de terapia. No acolhimento colhemos os dados e observamos o comportamento da criança e a forma como a família maneja-o. A partir dessas observações e em posse da rotina da família realizamos intervenções que possam apontar para os cuidadores como fazer para que a criança saia daquele lugar tão infantilizado e inadequado em que foi colocada. Apontamos a necessidade de retirada de bicos, de excesso de colo, da importância do brincar junto, da necessidade de retirada de telas e orientação para que a criança tenha mais uso do corpo nos diferentes ambientes na sua rotina diária. Mostramos a eles que podem colaborar com o filho, para que comportamentos mais adequados possam ressurgir. Essas intervenções são feitas evitando a culpabilização do possível diagnóstico e ressaltando os pontos positivos da criança.
Desde que a equipe iniciou a co-responsabilização dos pais no processo terapêutico de seus filhos, capacitando-os para se perceberem, se modificarem e colaborar no aparecimento de comportamentos adequados, de 4 sessões inicialmente necessárias para a permanência da criança sem a presença dos pais na sala de terapia reduzimos para 1 ou 2. Todas as nossas intervenções são realizadas estimulando os pais a sentirem-se seguros de que a disciplina, a inibição de comportamentos inadequados tornaos assertivos, e proporciona na criança uma sensação de segurança e a crença de que é possível viver, sobreviver sem a presença dos pais. Oferecendo uma maior independência a eles (os filhos). Com o objetivo de mensurar quantitativamente o quanto o comportamento das crianças se modificou, a equipe realizou uma pesquisa junto aos pais para verificar objetivamente de que forma nossas intervenções interferiram no desenvolvimento e evolução de cada caso. Para isso elaboramos um protocolo onde apontamos os ítens mais importantes de modificação de acordo com nossos objetivos terapêuticos: Pais assinalem: ( ) DIMINUIÇÃO DO USO BICOS ( ) DIMINUIÇÃO DE COLOS ( ) DIMINUIÇÃO DE TELAS ( ) AUMENTO DE SITUAÇÕES LÚDICAS ENTRE PAIS E FILHO ( ) DIMINUIÇÃO DE CRISES DE BIRRA (CHOROS) ( ) AUMENTO DE SITUAÇÕES DE FALA: BALBUCIOS/ NOVAS PALAVRAS ( ) MELHORA DO SONO ( ) MELHORA NAS HABILIDADES BÁSICAS COMPORTAMENTAIS: SENTAR, CONTATO VISUAL, ESPERAR…
Este projeto surgiu da nossa experiência em acolher e dar suporte e orientações aos pais de crianças de 0 a 4 anos acolhidas no nosso serviço. A expressão co-terapeuta, neste texto, deve ser compreendida como aquela pessoa que apesar de um vínculo afetivo importante e singular com a criança é quem será orientada a realizar em casa as tarefas solicitadas pelos terapeutas. Não deve ser compreendido como representante dos terapeutas da equipe em casa mas, sim como aquele que consegue perceber-se e modificar-se para atender às necessidades da criança.
TEA, TRATAMENTO, COMPORTAMENTO.
Giani Teresinha dos Santos, Luciane de Cássia Santarosa, Cibele Pereira Silva Gnandt