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É fundamental que as equipes de assistência disponham de recursos práticos para diferenciar as situações de maior gravidade, seja em casos novos, seja em casos já conhecidos e mesmo entendidos como crônicos. Concomitantemente é necessário criar estratégias que facilitem a sustentação do cuidado longitudinal pois a recidiva de certas crises pode gerar ainda mais prejuízos ao longo do tempo e alguns danos podem ser irreversíveis se o usuário não for assistido oportunamente. O presente documento se propõe a oferecer uma ferramenta que avalie, em um momento no tempo de acompanhamento do caso, seu estado atual. Isto se mostra extremamente importante principalmente em uma rede extensa como é o caso da rede paulistana. A estratificação de risco pretende subsidiar a intervenção (oferta de cuidado) e orientar o tempo oportuno em que a intervenção deve acontecer. A prioridade da atenção e o tipo de equipamento que se encarregará das ações deve ser determinada tanto por critérios clínicos como por critérios sociais, econômicos, culturais e familiares. Qualificar a demanda para facilitar o acesso é uma etapa importante, tal como o desenvolvimento e a aplicação de estratégias que garantam o seguimento do caso e o acompanhamento longitudinal. Essa qualificação implica em uma escuta ativa, interessada, eticamente orientada, que gerará uma proposta de conduta a partir da avaliação da singularidade do caso em questão.
O objetivo desta publicação foi fornecer subsídios práticos para a operacionalização do cuidado, do apoio matricial e do referenciamento da forma mais realista e articulada possível, prezando sempre pelo melhor uso dos recursos da RAPS e pela integralidade do cuidado.
A publicação foi construída pela Divisão de Saúde Mental em constante diálogo com as Interlocuções de Saúde Mental das Coordenadorias Regionais de Saúde e Supervisões Técnicas de Saúde (Prefeitura de São Paulo, 2023). Um piloto foi realizado em uma região da cidade e as considerações das equipes envolvidas foram inseridas no documento. A primeira versão do documento foi colocada, no primeiro semestre de 2023, para consulta pública. Após alguns ajustes advindos das considerações dos cidadãos e, também, a avaliação da necessidade de articulação deste documento com outros documentos construídos conjuntamente, ela foi reavaliada e republicada em setembro de 2023. Importa notar, também, que a ferramenta não se constitui como uma classificação diagnóstica, mas sim como uma combinação de três avaliações que devem ocorrer concomitantemente: a avaliação de sinais e sintomas; a avalição dos fatores de proteção e vulnerabilidade e a avaliação dos pontos de atenção do território.
O documento vem sendo utilizado para embasar discussões com a RAPS como um todo, principalmente em relação aos CAPS e à Rede de Urgência e Emergência. A publicação também tem sido discutida com frequência tanto em reuniões de casos clínicos quanto em debates acerca das atribuições de cada ponto de atenção ou mesmo do papel dos diferentes níveis da gestão frente à crescente demanda em saúde mental. O documento também tem servido de base para conversas com a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, bem como com a Secretaria Estadual de Saúde, tendo em vista o papel destes outros entes com relação ao cuidado compartilhado principalmente aos casos graves.
A importância das estratégias de atenção a crises psíquicas é reconhecidamente um elemento fundamental para o cuidado em saúde mental. Em uma rede extensa como a de São Paulo a existência de diversos serviços, gerenciados por diversos parceiros e com diferentes critérios de inserção e formas de acesso pode parecer, à princípio, um elemento que facilitaria este cuidado porém, na prática, muitas vezes torna mais complexo compreender qual o ponto de atenção adequado para cuidar de qual tipo de situação. A publicação do documento orientando a rede a como agir nestas situações permite, justamente, aprimorar o debate e a responsabilização dos diferentes pontos de atenção nesta linha de cuidados.
saúde, mental, longitudinal, RAPS, integralidade
Ana Cecilia Andrade de Moraes Weintraub, Wagner Hideki Lourenço e Laguna, Camila Braz Bortoluci, Adriana Brazão Pileggi de Oliveira, Claudia Ruggiero Longhi, Liamar de Abreu Ferreira