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Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, aproximadamente 20 milhões de pessoas são acometidas por Diabetes Mellitus (DM) no país, o que representa cerca de 10,5% da população brasileira (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2024). Dados do Ministério da Saúde apontam que quase 30 milhões de atendimentos devido a DM foram realizados nas unidades básicas de saúde de todo o país em 2023 (BRASIL, 2024). A pandemia de COVID-19 contribuiu para o aumento no número de atendimentos relacionados ao DM, uma vez que, durante o isolamento, as pessoas ficaram mais sedentárias e passaram a desenvolver hábitos alimentares menos saudáveis, com o consumo de alimentos ultraprocessados. Como consequência, houve um aumento na incidência de sobrepeso e obesidade, o que impacta desfavoravelmente na evolução da doença (SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE, 2023). Estudos mostram que pacientes que passam por educação continuada com relação ao gerenciamento do DM conseguem manter a glicemia por um tempo maior dentro das metas (LEITE et al., 2008; PACE et al., 2006). A Associação Americana de Diabetes recomenda que as pessoas diagnosticadas com o DM deveriam ser direcionadas a programas de educação em diabetes, a fim de adquirirem conhecimentos, habilidades e confiança necessários para lidar com a doença (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2024). Nesse sentido, a Associação Americana de Educadores em Diabetes aponta os 7 comportamentos do autocuidado como um método eficaz de educação no autogerenciamento do DM.
A educação continuada em grupos de diabéticos na atenção básica, por meio do método de abordagem dos 7 comportamentos do autocuidado no DM, tem por objetivo específico fornecer conhecimentos e habilidades, além de municiar os pacientes com a confiança necessária para um adequado gerenciamento de suas taxas glicêmicas, com vistas a obter valores de hemoglobina glicada (HbA1c) e de jejum dentro das faixas consideradas como metas de controle glicêmico indicadas pela Sociedade Brasileira de Diabetes, de acordo com a faixa etária e condições clínicas individuais de cada participante. O objetivo geral dos encontros foi incentivar o autocuidado para um aumento da qualidade de vida dos participantes e familiares e reduzir possíveis complicações decorrentes da doença.
Os participantes dos grupos são selecionados a partir dos formulários de controle de dispensação de insulinas, disponíveis na farmácia da unidade de saúde. Além desses, os pacientes diabéticos atendidos pela equipe de enfermagem e médica da unidade são também convidados a participarem dos encontros. Os 7 comportamentos do autocuidado no Diabetes são abordados durante 8 encontros sequenciais, que ocorrem no espaço da academia da USF Wanel Ville, todas as quintas-feiras à tarde, com duração de cerca de 1h30min cada. Os encontros temáticos são conduzidos pela equipe multiprofissional, sob a responsabilidade da farmacêutica e da nutricionista. Além desses, uma profissional de educação física da equipe, uma enfermeira da unidade de saúde, uma médica e professora universitária e residentes de medicina, farmácia e serviço social também conduzem alguns dos encontros temáticos. No primeiro encontro, ocorre a acolhida dos pacientes, com breve anamnese da história clínica de cada um, seguida de uma explicação sobre os encontros subsequentes. São também solicitados exames de sangue a todos os pacientes que não realizaram averiguação dos parâmetros de glicemia de jejum e hemoglobina glicada nos últimos 6 meses. Os temas de autocuidado abordados nos 7 encontros seguintes são: vigiar as taxas, tomar os medicamentos, alimentar-se saudavelmente, resolver problemas, manter-se ativo, reduzir riscos e adaptar-se saudavelmente. Os parâmetros antropométricos foram avaliados durante o 2º encontro.
Foram realizados 7 encontros até o presente momento. No encontro intitulado “Vigiar as taxas”, notou-se desconhecimento dos participantes acerca dos valores de metas glicêmicas para a faixa etária e condições de saúde em que eles se enquadram, preconizados pela Sociedade Brasileira de Diabetes. No tema “Usar os medicamentos”, alguns participantes apresentaram dúvidas acerca do horário de uso das insulinas e demonstraram erros de armazenamento das mesmas, além de desconhecimento acerca da possibilidade de manter a caneta de insulina fora da geladeira após aberta. No encontro sobre “Alimentar-se saudavelmente”, os participantes questionaram acerca das opções de lanches saudáveis para o café-da-manhã, almoço e jantar e lanche da tarde. Na abordagem de “Resolver problemas”, alguns dos participantes mencionaram que não sabiam como lidar com as possíveis crises de hipoglicemia, embora soubessem reconhecer os sintomas. Durante o encontro “Manter-se ativo”, os participantes presentes puderam refletir acerca das suas possibilidades de aumentar suas horas diárias em movimento. No encontro “Reduzir os riscos”, os participantes tiraram suas dúvidas sobre as complicações do DM com a médica clínica da UBS e alunos de medicina, incluindo questionamentos acerca da saúde bucal e dos cuidados com o pé diabético. O encontro final abordará as influências dos fatores biológicos, ambientais e comportamentais no controle glicêmico e contará com a participação de residente de serviço social.
Pôde-se concluir que os pacientes, de forma geral, carecem de informações básicas acerca do DM e das formas de promover o autocuidado nessa condição clínica. Alguns deles mostram-se satisfeitos em poder compartilhar dos conhecimentos dos profissionais de saúde envolvidos nesse cuidado. A educação continuada no DM é de suma importância para incentivar o autocuidado e consequente melhora do gerenciamento dos níveis glicêmicos. O tempo de consulta médica, em geral, é insuficiente para que todos os comportamentos de autocuidado sejam discutidos e reforçados com o portador da doença. A abordagem dos 7 comportamentos do autocuidado em formato de educação em grupos na atenção básica pode ser uma possibilidade de redução no nível de hospitalizações e atendimentos de emergência por complicações decorrentes do descontrole glicêmico, o que gera ganhos de qualidade de vida para o paciente e familiares e reduz a sobrecarga do sistema de saúde nos demais níveis de atenção à saúde. Além disso, a educação continuada, no formato de encontros semanais, possibilita o fortalecimento do vínculo entre os pacientes e a equipe multiprofissional, o que aumenta a confiança do portador de DM na equipe para promover um cuidado continuado.
diabetes, atenção básica, grupo, farmacêutico
ALINE ANDRADE GODOY, FABIO SANTOS DE ANDRADE, JADON ARAUJO MACEDO SILVA, MARINA CARRARA