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Você, leitor, ao ler este trabalho, olhe ao seu redor. Observe atentamente: tudo o que está à sua volta envolve trabalho—cadeiras, mesas, computadores… absolutamente tudo. Agora, imagine que cada objeto produzido e observado pode ter gerado adoecimento para aqueles que o fabricaram. Este estudo visa demonstrar a quantidade de acidentes de trabalho nas cidades da região do Alto Tietê, utilizando como fonte os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), abrangendo a área de atuação do CEREST Guarulhos e o próprio município de Guarulhos. De acordo com o IBGE (2022), Guarulhos possui aproximadamente 1.291.771 habitantes, enquanto a região do Alto Tietê tem cerca de 1.625.530. Desses, 435.171 são trabalhadores formais, e há 296.443 empresas ativas, das quais 168.813 estão em Guarulhos, segundo a Econodata. Em 2022, os setores que mais empregaram foram o comércio varejista, o transporte terrestre, o comércio por atacado e indústrias como as metalúrgicas e químicas. A partir dos dados do SINAN, este trabalho busca analisar a quantidade de acidentes de trabalho em Guarulhos, trazendo reflexões baseadas na literatura científica sobre os agravos notificados na região do Alto Tietê. Essas estatísticas são essenciais para a formulação de intervenções eficazes, que visam não apenas a prevenção de doenças, mas também a promoção do bem-estar no ambiente laboral e a construção de políticas públicas.
Quantificar e qualificar os dados de acidentes de trabalho na região do Alto Tietê. Analisar os dados obtidos. Propor ações de vigilância, prevenção e promoção da saúde do trabalhador.
Realizamos o levantamento das fichas de notificação no Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN), utilizando o banco de dados do CEREST de Guarulhos referente ao ano de 2023. Após a coleta, os dados foram analisados e submetidos à avaliação, com propostas de melhorias na qualificação dos dados. Também realizamos discussões com o Conselho Gestor do CEREST Regional Guarulhos e avaliações em equipe para coordenar intervenções no município. Esses dados são sistematizados quadrimestralmente e divulgados para autoridades sanitárias, sindicatos e conselhos de saúde da região do Alto Tietê.
Ao observar os dados, nota-se que Guarulhos é o município que mais notifica acidentes de trabalho, totalizando 1.397 casos em 2023. Esse número reflete não apenas a grande população da cidade, mas também o fato de sediar o CEREST Regional. Os municípios de menor porte não ultrapassam 500 acidentes por ano. Dentre os acidentes graves, identificamos três grandes grupos: alimentadores de produção, operadores de máquinas e ajudantes de motorista—categorias principalmente relacionadas aos setores industrial e logístico. Além disso, houve um número significativo de casos sem CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) definido, indicando falhas no preenchimento das fichas de notificação pelas unidades notificadoras. Observamos também que mais da metade desses trabalhadores sofreu incapacidade temporária, o que resultou em afastamentos prolongados do ambiente de trabalho. Além disso, foram registrados 25 acidentes fatais na região, distribuídos da seguinte forma: 12 em Mogi das Cruzes, 5 em Guarulhos, 4 em Itaquaquecetuba, 2 em Suzano, e 1 em Guararema e Santa Isabel, respectivamente.
Com base nos dados levantados, percebemos que o cenário epidemiológico dos acidentes de trabalho no Brasil não reflete a real dimensão dos fatos, tanto pela subnotificação quanto pela tendência de notificação apenas de casos de trabalho formal, excluindo trabalhadores informais. Outro fator que compromete a análise dos dados é a subnotificação nos serviços de saúde, que, muitas vezes, registram apenas acidentes graves ou fatais, além de preencherem as fichas de maneira incorreta, gerando dados epidemiológicos falhos para investigação e tabulação. É evidente também a falta de formação contínua para os trabalhadores que atuam nos serviços de urgência e emergência. Por fim, ao tratar a saúde do trabalhador como um fenômeno que impacta não apenas o indivíduo, mas também sua família e a comunidade, destacamos a interconexão entre trabalho, saúde e segurança. Um acidente de trabalho não notificado não previne futuros incidentes, não garante direitos previdenciários, e pode resultar em mais custos para o SUS, já que outros acidentes no mesmo local podem ser atendidos nos serviços de saúde.
Acidente de trabalho - SINAN- Alto Tietê
KAREN AVILEZ ANDRADE, MARCIO FERRARACIO, THIAGO LORETO DE OLIVEIRA, ERMELINDA TOMÉ