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A Residência Terapêutica está dentro da Política Nacional de Saúde Mental que tem como principio básico a implantação e consolidação de um modelo de atenção à saúde mental voltado para a inserção social dos portadores de transtornos mentais na comunidade. Assim, neste contexto, conhecido como Reforma Psiquiátrica, a partir da Portaria 106/2000 do Ministério da Saúde. Caracterizam-se como residências terapêuticas, aquelas constituídas para responder às necessidades de moradia de pessoas portadoras de transtornos mentais graves, que, em decorrência do longo histórico de internações psiquiátricas, acabaram apresentando cronificação de seus quadros de saúde mental, sendo excluídas socialmente de seus laços familiares e comunitários. O suporte interdisciplinar, no caso o CAPS de referência, seja uma equipe da atenção básica ou especializada, deverá considerar a singularidade de cada um dos moradores bem como projetos e ações baseadas no coletivo. A participação de profissionais de embasamento corporal, como o fisioterapeuta, tem se tornado cada vez mais necessária nas equipes de saúde mental, devido à busca por terapêuticas capazes de minimizar as alterações corporais apresentadas pelos portadores de transtornos mentais. Sendo assim, esta experiência busca mostrar a importância da inserção do fisioterapeuta com terapias em grupo, seja na prevenção ou reabilitação, para estes moradores que muitas vezes apresentam limitações ou condições especiais físicas.
O objetivo deste trabalho é relatar a experiência desenvolvida com metodologia participativa dos autores após uma parceria feita com o Centro de Fisioterapia e Centro de Apoio Psicossocial (CAPS) do município de Bastos com um projeto intitulado PROFAG (Projeto Fisioterapêutico de Atendimento em Grupo) com moradores de uma Residência Terapêutica.
Trata-se de uma pesquisa descritiva, com ponto de vista crítico-reflexiva, em um modelo de relato de experiência. Localizada no interior de São Paulo, a cidade Bastos com aproximadamente vinte e um mil habitantes, possui uma Residência Terapêutica orientada pelo Centro de Apoio Psicossocial (CAPS). A RT conta com dez moradores, sendo cinco homens e cinco mulheres portadores de transtornos mentais, egressos de internação psiquiátrica de longa permanência, cujas trajetórias de vida foram impactadas significativamente pela lógica asilar de atenção em saúde mental por falta de alternativas que viabilizem sua reinserção no espaço comunitário. Uma ação intitulada “Projeto Fisioterapêutico de Atendimento em Grupo (PROFAG)” teve seu inicio em março de 2019, onde permanece perdurando até os dias atuais. Foram escalados pela coordenação do Centro de Fisioterapia profissionais da equipe de fisioterapeutas para execução das terapias. Os profissionais realizaram primeiramente uma ampla avalição física dos moradores, assim traçando seus objetivos e formulando terapias em grupos para os mesmos. Os atendimentos eram realizados uma vez na semana, com duração média de uma hora. No cenário os moradores eram trazidos para área externa da residência, faziam-se um círculo com cadeiras e com uma sequência preestabelecida o protocolo de atendimento era pautado em alongamentos, aquecimentos, exercícios de fortalecimentos e equilíbrio, exercícios respiratórios e exercícios de interação e cognição.
Faz-se necessário enfatizar a relevância da Residência Terapêutica na reestruturação da saúde mental no Brasil, com vistas à integração social do portador de transtorno mental egresso de hospital psiquiátrico. Um serviço capaz de acolher o portador de transtorno mental, de respeitar os seus direitos como cidadão e como sujeito em condição de viver em comunidade. Assim o fisioterapeuta entra como um profissional capaz de desenvolver atividades para inserção desse individuo na sociedade, mostrando que a interação do grupo favorece o desenvolvimento da expressividade e comunicação dos participantes, evidenciando que, quando o indivíduo se sente pertencente a um grupo, sua autoestima é fortalecida e ele se torna mais confiante para se envolver em novas relações sociais, configurando fator relevante para a reabilitação física e principalmente psicossocial. Outrora, Goulardins et al, cita que diversos estudos mostram resultados benéficos de técnicas fisioterapêuticas, tais como abordagens corporais que visam utilizar o corpo como uma forma de trabalhar o movimento, a postura e a expressão emocional e de atividade física orientada. Diante disto, vimos que a atuação da fisioterapia em serviços de saúde mental de um indivíduo ou grupo é de suma importância, assim pesquisas e projetos preliminares são relevantes para o tema proposto e sua intervenção mostra a eficácia e resultados benéficos para seus usuários.
Evidenciou-se que as terapias realizadas semanalmente por fisioterapeuta em numa Residência Terapêutica trata-se também de promoção e prevenção em saúde, que melhora qualidade de vida do indivíduo em geral, como a aumento da autonomia para execução de funções básicas do dia a dia, bem como o desenvolvendo cognitivo e sensorial, evitando agravos de saúde, além da diminuição do uso de medicamentos de forma crônica. Vale lembrar a importância da parceria dos vínculos entre repartições públicas de saúde do SUS, sendo o Centro de fisioterapia, o CAPS e Residência Terapêutica atuantes afim de trazer melhor apoio e cooperação numa rede de cuidados para todos envolvidos neste projeto, sendo a gestão, profissionais e usuários.
Residência Terapêutica. Fisioterapia. Atendimento
Matheus Luis Leite Coca, Rogéria Geris Guanais, Jessé Alves Pedroso