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A raiva é uma zoonose viral causadora de uma doença aguda do Sistema Nervoso Central nos mamíferos, inclusive os seres humanos. Caracterizada por uma encefalomielite fatal causada pelo vírus do gênero Lyssavirus, sem tratamento específico, constitui um agravo extremamente relevante do ponto de vista clínico e de saúde pública, com letalidade de aproximadamente 100% dos casos. Embora seja uma doença grave, pode ser prevenível por vacina e soro, em humanos, e vacina antirrábica em cães e gatos. A raiva é transmitida por meio de mordidas, arranhaduras e lambeduras de mucosas ou ferimentos pré-existentes de mamíferos infectados. No caso dos morcegos, a transmissão pode ocorrer pelo simples contato. Os cães e gatos são os principais transmissores da raiva em áreas urbanas e são as únicas espécies que podemos observar por um período de 10 dias, os quais evoluem para óbito em até 5 dias após o início dos sintomas. Durante o período de observação, os cães e gatos causadores da agressão são avaliados quanto à suspeita ou não de raiva, presença ou não de sintomatologia de alterações do sistema nervoso, mudança de comportamento, contato prévio com morcegos, e vacinação contra a raiva. Em caso de óbito desses animais, orienta-se a população a nunca descartar o corpo, mas avisar o Departamento Técnico de Controle de Zoonoses para diagnóstico de raiva animal e procurar o serviço de saúde o quanto antes.
Apresentar o trabalho realizado pelo Departamento Técnico de Controle de Zoonoses (DTCZ) para observação dos cães e gatos agressores do município e os desafios encontrados para realização dessa importante ferramenta de Vigilância, Prevenção e Combate à raiva.
A partir do recebimento do Sinan ou da ficha de reclamação preenchida diretamente no DTCZ, o paciente é identificado e seus dados compilados a uma planilha do Microsoft Excel, agrupados de acordo com a data de recebimento, endereço, telefone de contato, data da exposição, espécie afetada, data e status do atendimento. Após preenchida ficha de observação do animal agressor inicia-se a tentativa de contato com o paciente através do número de telefone e endereço fornecidos, onde pretende-se complementar as informações relativas ao agravo, tais como: localização da agressão e dados do animal – local onde se encontrava, tutor do animal e características físicas, carteira de vacinação contra a raiva, temperamento, motivo da agressão, entre outras. Questionamos também quanto a presença ou não de enfermidades, sintomatologia nervosa, alteração de humor/comportamento, bem como a importância de nos comunicar caso haja qualquer alteração do quadro de saúde do animal, além de óbito, desaparecimento, doação. Passados os dez dias de observação, novo contato é realizado para finalizar a observação e orientar a necessidade de procurar atendimento médico-veterinário, atualização da carteira de vacinação, mudança de manejo, entre outros. A Coordenadoria de Vigilância em Saúde estabeleceu que o índice a ser apresentado como meta deve ter como numerador o número de vezes em que o primeiro contato foi realizado dentro do prazo e, como denominador, o Número de notificações recebidas no prazo.
Entre os anos de 2022 a 2024, foram recebidas 1801 notificações de acidentes com animais potencialmente transmissores da Raiva. Deste total, 515 foram realizadas em 2022, 748 em 2023, e 538 em 2024. Em 2022, do total de 515 notificações, 418 foram recebidas no prazo, ou seja 81%. O DTCZ conseguiu realizar, ao menos, uma tentativa de contato com a vítima em 366 vezes, ou seja 88% dos casos. Salienta-se, no entanto, que, apesar da quantidade de vezes em que o primeiro contato foi feito dentro do prazo, somente em 30% dos casos foi possível finaliza-las em tempo. Em 2023, as notificações recebidas no prazo foram 471 de um total de 748 fichas, o que corresponde a 62% dos casos. Desses, o primeiro contato foi realizado dentro do prazo em 95% das vezes. No entanto, o contato efetivo, dentro dos dez dias de prazo, foi realizado em 62% dos casos. O total de notificações recebidas durante o ano de 2024 foi de 538, sendo que 501 chegaram dentro do prazo de dez dias, ou seja 93%.
Os acidentes por agressão nem sempre são notificados e na maioria das vezes, observa-se que as próprias vítimas, proprietárias ou não dos animais agressores, por desconhecimento, não procuram atendimento médico nem orientações com médicos veterinários. Inúmeros são os desafios para o atendimento antirrábico em tempo hábil. Começa com a necessidade de ampla divulgação de informações à população em geral. O fluxo de informações intersetoriais deve ser alvo de constante aperfeiçoamento por parte dos gestores, para que as fichas de notificação cheguem dentro do prazo de observação animal. Além disso, o cadastro dos pacientes deve estar sempre atualizado. A maioria dos munícipes não atendem ao telefone, destarte sugere-se a disponibilização de aparelho com acesso à internet e equipado com aplicativo de trocas de mensagem, a fim de viabilizar e facilitar a comunicação com a população. Outra dificuldade está relacionada ao fato de que nem sempre o veículo da equipe está disponível para vistoria das agressões, pois são inúmeras as demandas do DTCZ. Sugerimos aumentar a disponibilidade de veículo e equipe, inclusive médicos veterinários, a fim de garantir a celeridade na execução das ações de combate à raiva e outras zoonoses.
Raiva, observação animal, cães, gatos, agressores
CAMILLA PANIZZA DE CAMARGO, MARTA CHAVES PEREIRA DE LIMA