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A tendinopatia do manguito rotador é uma afecção comum, dados do ministério da previdência social mostram que lesões na região do ombro resultaram no afastamento laboral de 14.788 pessoas no Brasil em 2022, a síndrome do manguito rotador foi responsável por 78% dos casos, sendo mais frequentes em trabalhadores que executam serviços repetitivos, principalmente mulheres. neste estudo, paciente M.F, sexo feminino, 54 anos, usuária da UBS Santista Mauá-SP, enfermeira, procurou atendimento do grupo de dor naquela UBS. A queixa principal foi de dor e redução da amplitude de movimento no ombro esquerdo (E) há 4 anos, mas de forma mais intensa há 1 ano durante o movimento de abdução ativa até 90 ° com EVA inicial de escore nível 7, referindo dificuldade para realizar tarefas de vida diária. Passou por tendinoplastia reparadora artroscópica do tendão do supra espinal no lado contra-lateral (direito) em 02/2019, também informou ter realizado fisioterapia e uso de tratamento medicamentoso com Alginac mas relata pouca ação sobre a dor. Durante a execução dos atendimentos paciente não realizou outro tratamento relacionado à queixa principal (tendinopatia). Observado o exame de ultrassonografia do ombro E (realizado em 05/2020) constando a tendinopatia do supra espinal e bursite subacromial. Como queixas secundárias, relata apresentar parafunção mandibular (bruxismo), com presença de estalidos na articulação temporo-mandibular (ATM) e zumbidos.
Relatar o caso de aplicação de técnica de neuroterapia por reload proprioceptivo em paciente com tendinopatia do supra espinal no ombro E.
Foi realizado manipulaçãoda paciente: que foi colocada na posição sentada, ajuste da relação posicional maxilo-mandibular seguidos de estimulos occípto-sacro-coccígeo (OSC) e manipulação podal (metatarsal e falangeana). Houve uma Frequência de atendimentos: uma sessão de 20 minutos a cada 7 dias, por três semanas. Na Anamnese: realizado avaliação física, histórico da doença. E Avaliações específicas: Aplicado Algometria por escore numérico com Escala Visual Analógica (EVA) Aplicado um questionário de qualidade de vida EUROQOL EQ-5D-5E Realizado registro de imagens dos métodos diagnósticos e a aplicação de técnica de NRP em três atendimentos.
Primeira sessão: observada redução da EVA final para dor nível 1, abdução de 120º de forma ativa, representando uma melhora aproximada de 85% da algia e ganho de 30 graus na amplitude de movimento. Segunda sessão: apresentou-se com EVA inicial nível 5, 28% melhor que a dor inicial do primeiro atendimento, abdução mantida a 120º. Após realizado o protocolo de tratamento, a EVA final foi de nível zero e 180º de amplitude ativa para abdução, representando uma melhora de 100% da algia e ganho de 90º da amplitude de movimento (ADM) em comparativo com a avaliação inicial do primeiro atendimento e de 60º considerando a avaliação inicial do segundo atendimento. Terceira sessão: E.V.A inicial 5 e E.V.A final 0, reproduzindo o mesmo resultado da segunda sessão.
A percepção da dor aguda é um produto da atividade neural em uma rede cerebral amplamente distribuída, normalmente após um estimulo nocivo. Em condições de dorcrônica, contudo, o processamento alterado dentro desta rede pode criar, amplificar ou sustentar a percepção da dor independentemente da estimulação nociva. Em suma, a dor crônica pode ocorrer por um dano real ou potencial. O estudo de ALAITI de 2021, comparou 130 indivíduos com dor crônica nos ombros e níveis de lesão distintos, divididos em 3 desfechos, onde os resultados apontaram que a dor não era proporcional à lesão. A propriocepção apresenta uma clássica definição, que é a capacidade do corpo e/ou de um segmento se perceber no espaço, entretanto sua relevância muitas vezes é subestimada. Esta percepção espacial ocorre devido a populações de neurônios mecanossensoriais distribuídos por todo o corpo, principalmente em músculos, tendões, aponeuroses, ligamentos e labirinto, que são chamados coletivamente de proprioceptores e não só possui capacidade de ser aprimorada. Uma hipótese que poderia elucidar a melhora do quadro álgico da paciente, é que a propriocepção consciente pode ser uma via que pode atuar sobre a modulação da dor, independente da lesão tecidual.
Dor; melhoras queixas; neuropatia por reload.
Vânia Aparecida da Silva, Janaina Thereza Negri Heleno de Oliveira, Yujiro Abe