Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Ubatuba tem um histórico de dificuldade em tratar assuntos relacionados à sexualidade para adolescentes em escolas e nas unidades básicas de saúde, muitas vezes impedidos por responsáveis referindo que ao falar de saúde reprodutiva, haverá incentivo para sexualidade precoce. De acordo com os dados em 2022 tivemos 123 nascidos vivos de mães com idades entre 10 a 19 anos, sendo 07 menores de 15 anos e 116 de 15 a 19 anos. Em 2023 foram 66, sendo 02 em menores de 15 anos e 64 na faixa etária de 15 a 19 anos. Verificamos ainda o número de sífilis em gestante nas faixas etárias supracitadas entre os anos 2019 a 2023, com 01 caso em menor de 15 anos e 30 entre 15 e 19 anos.
Tendo em vista o cenário epidemiológico municipal em relação a sífilis e a sexualidade precoce e sem orientação, e as demais ações desenvolvidas para busca ativa para pessoas com faixa etária acima de 18 anos, viu-se a necessidade de voltarmos a atenção especial à casos em adolescentes e muitas vezes com gravidez precoce, realizando ações para a faixa etária de 13 a 17 anos. Com o intuito de estimular auto cuidado relacionados a saúde da mulher e educação em saúde afim de uma população instruída, bem como vencer as barreiras ligadas a saúde reprodutiva e utilizando o mês relacionado aos cuidados do público feminino, criamos a “Campanha Outubro Pink: hoje meninas, amanhã mulheres saudáveis” e desse modo poder falar de assuntos ligados a saúde feminina e inserir a prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e gestação precoce.
Considerando que uma das formas mais efetivas de trabalhar prevenção na população da faixa etária de 13 a 17 anos é ter a parceria com a educação, a campanha teve seu foco principal a realização de palestras e atividades em escolas de ensino fundamental 2 e médio em Outubro de 2023, aproveitando o mês voltado para conscientização na saúde da mulher e ênfase para o câncer de mamas . Para que não houvesse dificuldade de aceitação de pais e responsáveis a ação teve ciclo de palestras e trabalhos envolvendo os seguintes temas: ciclo menstrual, higiene pessoal e íntima, auto exame de mamas e importância de conhecer o corpo saudável, direitos e deveres dos adolescentes, assédio e ao final a prevenção de gravidez precoce e IST. As unidades de saúde de referência das escolas que atendem a faixa etária, em parceria com a Vigilância Epidemiológica realizaram ações para meninas durante o turno escolar e de acordo com agendamento das instituições. A princípio as palestras aconteceriam somente para o público feminino, porém algumas escolas abriram para todos os alunos da faixa etária alvo que quisessem participar.
Ao longo do mês houve ações em 11 escolas, em diversos turnos, totalizando a participação de mais de 700 alunos. Aconteceram atividades em demais equipamentos sociais como no Centro Comunitário Quilombola, em algumas UBS e em ações pelos bairros. Houve ainda o respeito pelo desejo da aluna(o) de frequentar as palestras, bem como a questão inclusiva relacionada a identidade de gênero e opção sexual, podendo tirar dúvidas e falar sobre o assunto durante a palestra ou individualmente ao final de cada evento.
A aceitação por parte dos alunos, escolas e responsáveis foi positiva e no decorrer das atividades foi possível acolher demandas importantes como vítimas de abuso sexual, dúvidas de professores e até mesmo suprir a necessidade dos adolescentes em se expressar sobre os assuntos, dúvidas e tabus sobre temas trabalhados. Os adolescentes puderam ter acesso a informações adequadas e poder suprir a dificuldade dos pais em falar sobre sexualidade. Nas palestras foi possível identificar que mesmo com acesso a tecnologia e ser uma geração com a possibilidade de informações com mais facilidade, existem arestas que precisam ser aparadas como instrução adequada sobre saúde reprodutiva e pais e responsáveis mais abertos a falar sobre o tema.
Sífilis, IST, meninas, gravidez, precoce, abuso.
Alyne Christina Bittencourt Ambrogi Coli, Ana Paula da Silva Rico