Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Com base nas diretrizes da Organização Mundial Da Saúde (OMS) e sob olhar atento e respaldado, o Ministério Da Saúde aprovou, através da portaria GM/MS no 971, de 3 de maio de 2006, a política nacional de práticas integrativas e complementares em saúde (PNPIC). A ozonioterapia no Brasil, faz parte da política nacional de práticas integrativas e complementares regulada pela portaria número 702, de 21 de março de 2018, lei número 14.648, de 4 de agosto de 2023, autoriza a ozonioterapia no território nacional. O ozônio é um potente oxidante, melhora a oxigenação sanguínea, promove aumento da flexibilidade dos eritrócitos, facilitando a sua passagem pelos vasos capilares, garante um melhor suprimento de oxigênio tecidual, reduzindo a adesão plaquetária, atua como analgésico e anti-inflamatório, estimulando o crescimento do tecido de granulação, em contato com os fluidos orgânicos, promove a formação de moléculas reativas de oxigênio as quais influenciam eventos bioquímicos do metabolismo celular que proporcionam benefícios à reparação tecidual, facilitando seu crescimento e inibindo o crescimento bacteriano, além de promover o efeito antimicrobiano e fungicida (haddad,2006; traina,2008). No Hospital Municipal do Guarapiranga (HMG), foi iniciado em maio de 2023 o projeto piloto para implementação das Prática Integrativas E Complementares no HMG visando minimizar o sofrimento físico mental e espiritual dos pacientes portadores de feridas crônicas e de suas famílias.
A ampliação do acesso e oferta as PICS em hospitais de retaguarda, são importantes para que ocorra o auxílio na qualidade de vida, afim de harmonizar diferentes modos de viver, nos níveis físico, mental, social, cultural, ambiental e espiritual. Este estudo tem como objetivo analisar a eficácia da ozonioterapia na cicatrização de lesões por pressão em pacientes hospitalizados, considerando seu papel como prática Integrativa Complementar regulamentada no Brasil. Além disso, busca avaliar os benefícios fisiológicos do ozônio no processo de reparação tecidual e sua aplicação no contexto hospitalar, com foco na experiência do projeto piloto implementado no Hospital Municipal do Guarapiranga em parceria com a estomaterapia.
Em maio de 2023 foi iniciado o projeto piloto para implementação da Prática Integrativas Complementares no HMG, em parceria com a estomaterapia, foram selecionados pacientes portadores de LPPs de difícil cicatrização, visando minimizar o sofrimento físico mental e espiritual do paciente e de seus familiares. Incialmente estratégias foram direcionadas aos cuidados de longa permanência com lesões por pressão, realizando a ozonioterapia predominantemente nas vias tópicas (bag seca e com água), com frequência de uma a três vezes por semana de acordo com a necessidade de cada paciente, em média quatro a seis atendimentos por dia, gerando 88 a 100 atendimentos/mês, tendo com formas de aplicação do ozônio predominante a bolsas (bag) seca, hidro ozônio, e subcutânea e via retal. A ozonioterapia e estomaterapia desenvolveram um fluxo para acompanhamento dos pacientes com feridas crônicas e de difícil cicatrização, tendo como complemento uso de coberturas especiais, a intensificação da mudança de decúbito, contando com a participação da equipe multidisciplinar e do grupo de pele do HMG, Grupo Assistencial de Cuidados e Atenção a Pele (GACAP). Inicialmente os pacientes eram direcionados a sala especifica para atendimento gerando o total de 4 pacientes atendidos por dia, após analisar uma forma para ampliar os atendimentos, a equipe optou por realizar parte dos atendimentos no quarto dos pacientes, trazendo mais agilidade e aumentando o número de atendimentos em até 6 pacientes ao dia.
Em 2024, foram realizados 926 atendimentos em 52 pacientes. A ozonioterapia proporcionou redução da dor, acelerou a cicatrização e ajudou no combate aos microrganismos. Destacam-se dois casos com maior êxito. O paciente nº 1, O.G.B.N., internado em 04/03/2024, apresentava lesão por pressão sacral, estágio 4, infectada, com tecido necrótico e esfacelo, medindo 9,0 cm x 12,0 cm x 3,5 cm = 108 cm², além de descolamento de bordas de 2,0 cm. Iniciou ozonioterapia em 14/03/2024, três vezes por semana. Evoluiu com aproximação das bordas, redução da profundidade e controle da infecção. No momento da alta, a lesão reduziu para 2,0 cm x 2,5 cm = 5 cm², sem profundidade ou descolamento, totalizando uma redução de 103 cm². Foi encaminhado para acompanhamento na UBS. O paciente nº 2, C.R.R., admitido em 24/12/2024, apresentava lesão sacral estágio 4, infectada, com necrose de liquefação, esfacelo e descolamento de bordas de 2,0 cm. A lesão media 13,5 cm x 15,5 cm x 2,0 cm = 209 cm². Em 03/02/2025, constatou-se melhora, com redução para 10,0 cm x 12,0 cm = 120 cm², descolamento de 0,5 cm, totalizando uma redução de 89 cm² em relação a sua admissão. O paciente segue em acompanhamento.
A implementação da ozonioterapia no HMG trouxe avanços na cicatrização de LPPs, ampliando atendimentos e promovendo bem-estar à paciente, a dificuldade de cicatrização ou o tempo prolongado para o processo de cura está relacionado à graves complicações clínicas bem como ao aumento da mortalidade. A ozonioterapia demonstrou ser uma estratégia eficaz na cicatrização de lesões por pressão, proporcionando alívio da dor, redução da infecção e aceleração do processo de reparação tecidual. A implementação do projeto no Hospital Municipal Guarapiranga possibilitou a ampliação do atendimento e aprimoramento do cuidado aos pacientes com feridas crônicas, promovendo melhora significativa na qualidade de vida. Os casos analisados evidenciam que a associação da ozonioterapia com práticas integrativas e complementares, aliada ao suporte da equipe multidisciplinar, contribui para resultados positivos no tratamento de lesões de difícil cicatrização. Dessa forma, recomenda-se a continuidade e ampliação dessa abordagem terapêutica, visando sua incorporação como prática consolidada na assistência hospitalar.
OZONIOTERAPIA, LPP, SUS, ESTOMATERAPIA, CICATRIZAR
CARMEN IZABEL DOMINGUES DE SOUZA, DANIELE DE MELLO MARTORANO, ELIANA CRISTINA DA SILVA, EDSON KAZUMA ONO, PAULA SUMYRE HIRATSUKA INADA