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O envelhecimento populacional brasileiro impõe desafios crescentes à Atenção Primária à Saúde, especialmente no cuidado de pessoas idosas em situação de vulnerabilidade social, clínica e funcional. Garantir longevidade com qualidade de vida exige políticas públicas que promovam equidade, cuidado integral e ações interdisciplinares articuladas no território. Nesse contexto, o Programa Acompanhante de Idosos (PAI) destaca-se como estratégia fundamental do Sistema Único de Saúde, ao ofertar cuidado domiciliar contínuo às pessoas idosas com limitações funcionais, contribuindo para a redução de riscos de agravamento clínico, institucionalização precoce e exclusão do acesso aos serviços de saúde. A inclusão da paciente no PAI justificou-se pela presença de alta complexidade situacional, caracterizada por dependência funcional severa, restrição ao leito, deficiência visual, isolamento social e suporte familiar insuficiente. Esses fatores comprometiam sua autonomia, segurança e perspectivas de longevidade saudável. Diante desse cenário, tornou-se necessária a construção de um plano de cuidado complexo, centrado na pessoa idosa e em seu contexto familiar, reafirmando o PAI como ferramenta essencial para a promoção da equidade, do envelhecimento ativo, da proteção social e da longevidade com qualidade de vida no âmbito da Atenção Primária à Saúde.
Promover a longevidade com qualidade de vida por meio do cuidado individualizado ofertado pelo Programa de Acompanhante de Idosos (PAI), assegurando atenção integral no domicílio à pessoa idosa em situação de vulnerabilidade. Ampliar a autonomia funcional nas atividades de vida diária e reduzir riscos associados à fragilidade, especialmente quedas e isolamento social. Fortalecer a função cognitiva, o autocuidado e a participação ativa da pessoa idosa no plano de cuidado. Garantir equidade no acesso à atenção em saúde no domicílio. Reorganizar o cuidado familiar, reduzindo a sobrecarga da cuidadora principal. Adequar a ambiência domiciliar para promover segurança, mobilidade e independência, monitorando continuamente a condição funcional por meio da Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa (AMPI).
Relato de experiência de atendimento individual realizado no âmbito do Programa de Acompanhante de Idosos (PAI), desenvolvido no ano de 2024. A paciente foi incluída no programa em setembro de 2024, inicialmente classificada como média complexidade, passando a receber três visitas semanais da Acompanhante de Idosos, conforme diretrizes do programa. O cuidado foi organizado a partir de avaliação multiprofissional, com participação de médico, enfermeiro e assistente social, utilizando a Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa (AMPI) como instrumento para estratificação de risco, identificação de vulnerabilidades e planejamento do cuidado. As intervenções contemplaram apoio nas atividades de vida diária, estímulo ao autocuidado, incentivo à deambulação segura, estimulação cognitiva estruturada, acompanhamento em demandas de saúde e organização do cuidado social. Foram implementadas ações sistemáticas de prevenção de quedas, monitoramento ambiental e orientação contínua à família. Realizou-se reunião familiar para reorganização das responsabilidades do cuidado e fortalecimento da corresponsabilização. A ambiência domiciliar foi adequada com reorganização dos espaços, retirada de barreiras arquitetônicas e instalação de barras de apoio. O acompanhamento ocorreu de forma contínua, com reavaliações periódicas e ajustes no plano de cuidado, visando promover autonomia, segurança, equidade no acesso ao cuidado domiciliar e longevidade com qualidade de vida.
Os resultados evidenciaram impacto positivo do Programa de Acompanhante de Idosos (PAI) na promoção da longevidade, da autonomia funcional e da segurança da pessoa idosa acompanhada. Observou-se aumento significativo da independência nas atividades de vida diária, com retomada da capacidade de pentear os cabelos, trocar-se e realizar o banho de forma autônoma, respeitando seus limites funcionais. Houve melhora do controle esfincteriano, com uso de fraldas restrito ao período noturno, contribuindo para maior conforto, autoestima e dignidade. As adequações realizadas na ambiência domiciliar, associadas ao acompanhamento sistemático e ao engajamento familiar, resultaram em redução expressiva do risco de quedas, possibilitando maior mobilidade, segurança e confiança no deslocamento dentro do domicílio. A realização de reunião familiar favoreceu a reorganização das responsabilidades do cuidado, o fortalecimento do suporte social e a diminuição da sobrecarga da cuidadora principal. O acompanhamento multiprofissional e contínuo demonstrou a efetividade do PAI como estratégia de equidade no acesso ao cuidado domiciliar, promovendo ganhos funcionais, sustentabilidade do cuidado no território e melhoria da qualidade de vida da pessoa idosa e de sua família, reafirmando o papel do programa na Atenção Primária à Saúde.
O acompanhamento da paciente pelo Programa de Acompanhante de Idosos (PAI) evidenciou a potência dessa política pública na promoção da longevidade com equidade no âmbito do Sistema Único de Saúde. A abordagem multiprofissional, integrada, territorializada e centrada na pessoa idosa possibilitou avanços significativos na autonomia funcional, na segurança do domicílio e na reorganização do cuidado familiar, mesmo diante de um quadro inicial marcado por alta complexidade situacional, fragilidade funcional e vulnerabilidade social. Os resultados obtidos reafirmam o PAI como estratégia essencial do SUS para garantir acesso equitativo ao cuidado domiciliar, prevenir agravos, reduzir desigualdades no envelhecimento e promover qualidade de vida. O fortalecimento da rede familiar, aliado à adesão às orientações da equipe, contribuiu para maior sustentabilidade do cuidado ao longo do acompanhamento. Em novembro de 2025, a equipe foi informada pelos familiares acerca do falecimento da pessoa idosa. O acompanhamento manteve-se até a finitude da vida, assegurando dignidade, respeito, suporte integral e cuidado humanizado.Diante do desfecho, procedeu-se à alta administrativa do programa, com a família devidamente informada e ciente dos encamin
pessoa idosa;longevidade;equidade;cuidadoPAI;SUS
JANDERCI MARIA DOS SANTOS GURGEL LIMA, SILZA TAMAR DOS SANTOS