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A ocorrência de surtos e epidemias, como síndromes respiratórias, arboviroses e outras doenças infectocontagiosas, têm demandado cada vez mais sistemas de saúde robustos, capazes de implementar estratégias de vigilância eficazes e em tempo oportuno. O Regulamento Sanitário Internacional de 2005, prevê a implementação de estruturas voltadas para a melhoria das capacidades de detecção e resposta aos riscos de disseminação de doenças e agravos [1]. Entre essas estruturas está o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS), criado pela portaria Nº30, de 7 de julho de 2005. O CIEVS tem a atribuição de ser a unidade de inteligência epidemiológica para detecção, verificação, avaliação, monitoramento e comunicação de risco imediata de potenciais emergências em saúde pública [2]. O monitoramento e a avaliação são ferramentas essenciais na gestão contemporânea dos serviços de saúde, fornecendo subsídios informacionais robustos para a tomada de decisão. Porém no Brasil, existe uma grande quantidade de dados gerados pelos serviços de vigilância em saúde, distribuídos em diversos sistemas de informação e bancos de dados, frequentemente apresenta pouca integração e baixa visibilidade. A construção de painéis de monitoramento epidemiológico é uma alternativa interessante para integração dos bancos de dados, visualização das informações de forma gráfica e possibilidade de monitoramento por parte da gestão e trabalhadores da saúde.
O objetivo é fazer um relato de experiência sobre o processo de construção e implementação de painéis de monitoramento de dados epidemiológicos voltados para vários níveis de gestão da vigilância e atenção à saúde, que possibilitem a visualização de dados de forma oportuna e integrada.
Optou-se pela plataforma Microsoft Power BI (PBI), definida como uma coleção de serviços de software, aplicativos e conectores que transformam fontes de dados não relacionadas em informações coerentes, visuais e interativas. Os dados podem estar em diversas fontes, como planilhas do Excel, bancos de dados MySQL e nuvem [3]. A primeira etapa busca compreender os objetivos, intencionalidade e público alvo. Junto à área técnica, definir os bancos de dados, seguido por uma análise exploratória dos mesmos para a definição das variáveis. A terceira etapa é a preparação dos dados, afim de deixar a atualização mais dinâmica e oportuna. Esse processo envolve a limpeza do banco, tratamento de valores ausentes, criação de novas variáveis/categorias, como faixa etária. Posteriormente, a etapa de criação de layout, elementos gráficos e indicares, como indecência e mortalidade. Essa etapa visa fornecer as informações de maneira organizada, compreensível visualmente e direcionada. Seguida pela etapa de avalição, fundamental para identificar possíveis erros, divergências, sendo desejável que essa etapa também seja realizada junto a área técnica. Por último, a publicação e divulgação do painel ao público alvo. Os painéis foram disponibilizados aos profissionais pelo Portal de Serviços de Saúde. O sistema foi desenvolvido pela Coordenadoria Departamental de Tecnologia da Informação (DACT/CDTI), conta com níveis de acesso e a visualização é liberada após cadastro/solicitação pelo servidor.
Campinas, um município de grande porte com 1.139.047 habitantes (Censo 2022), localizado a 90 km da capital do estado de São Paulo, está dividido em seis distritos: Norte, Sul, Leste, Sudoeste, Noroeste e Sudeste. Essa configuração territorial e demográfica apresenta desafios complexos para a gestão em saúde, exigindo a implementação de estratégias eficientes e abrangentes para atender às necessidades da população. Em resposta às demandas dos profissionais do Departamento de Vigilância em Saúde (DEVISA), a equipe do CIEVS-Campinas desenvolveu painéis de monitoramento de dados epidemiológicos voltados para a gestão e atenção à saúde. Atualmente, a equipe administra cerca de 20 painéis, acessíveis aos profissionais de saúde do município por meio do Portal de Serviços da Saúde. O acesso é liberado após cadastro/solicitação, garantindo que as informações sejam utilizadas de forma responsável e adequada. Entre os exemplos de painéis disponíveis, destacam-se o Painel de Nascidos Vivos (com dados do SINASC), o Painel de Sífilis e o Painel de Denúncias e Demandas da Vigilância Sanitária de Alimentos. A decisão de restringir o acesso aos painéis de monitoramento aos profissionais de saúde se justifica pela necessidade de trabalhar com variáveis sensíveis e informações detalhadas, cujo nível de especificidade não é adequado para a divulgação pública.
Os painéis de monitoramento de dados epidemiológicos voltados para gestão e atenção à saúde ajudam a subsidiar a proposição de ações de prevenção e controle, bem como a elaboração de políticas públicas pelos gestores municipais de saúde. A divulgação de informações em saúde, mesmo que para dentro do serviço, contribui para aumentar a transparência e ampliar a utilização da informação pelos profissionais da área. A escolha dos painéis auxilia na organização dos dados e divulgação dos mesmos, tornando a informação mais visual, dinâmica e oportuna.
painéis de monitoramento,Microsoft Power BI (PBI),
THAMIRIS GOMES SMANIA, VALÉRIA CORREIA DE ALMEIDA, KAMILA DE OLIVEIRA BELO, TESSA ROESLER, WANICE SILVA QUINTEIRO PORT