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As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são responsáveis por mais 74% de todas as mortes no mundo. No Brasil, as DCNT vitimam mais de 700 mil pessoas por ano. Trata-se de um grave cenário para a saúde pública e para o desenvolvimento econômico e social brasileiro. A Atenção Primária à Saúde (APS) tem sido alvo de interesse e prioridade das políticas públicas nas últimas décadas no Brasil e no mundo, caracterizando-se como o locus de resolubilidade da maior parte dos problemas de saúde presentes em uma dada população por meio da atenção prestada aos pacientes, famílias e comunidades no decorrer do tempo. A educação em saúde deve levar a ruptura da visão assistencialista verticalizada e mecanicista, e seguidamente, permitir a troca das experiências e práticas entre a comunidade e profissionais. Neste contexto, o Agente Comunitários de Saúde (ACS) é um mediador entre os saberes técnicos e populares, este se destaca como agente de ações e práticas independentes de saúde, pois ao mesmo tempo em que faz parte da equipe de saúde, faz parte da comunidade, sendo assim representa um dos principais elos entre o serviço de saúde e a comunidade por ser um profissional conhecedor das condições de vida e dos problemas enfrentados pela população em seu território. Diante do exposto, a Vigilância Epidemiológica das DCNT elaborou capacitação e material técnico, voltado a Educação em Saúde, para os ACS para a sua atuação frente às DCNT.
– Capacitar os ACS sobre as principais DCNT (diabetes, doenças do aparelho circulatório, doenças respiratórias crônicas, doenças respiratórias crônicas e obesidade. – Capacitar sobre ações de promoção e prevenção das DCNT no território. – Capacitar sobre os principais fatores de risco associados às DCNT. – Capacitar sobre sinais e sintomas das principais DCNT visando à realização da busca ativa no território. – Elucidar sobre a importância do rastreamento na população sob seu cuidado e apresentar instrumentos de rastreamento. – Apresentar as medicações inalatórias associados ao cuidado da asma e da doença pulmonar obstrutiva crônica. – Apresentar propostas de ação pelo ACS para a sua unidade de saúde.
Para a elaboração do material técnico realizou-se em fevereiro/24 o levantamento bibliográfico para a identificação de publicações relacionadas às DCNT e a atuação do ACS. Com a pesquisa realizada foi construída uma matriz de capacitação, e apresentada aos técnicos do Departamento responsável pela APS, assim como compartilhamento com representantes dos ACS do município. Em abril de 2024, após aprovação de todos os envolvidos no processo, foi elaborado documento orientativo para todos os gestores da APS e ACS, e disponibilizado link de inscrição para a capacitação. A capacitação foi disponibilizada em oito datas (07, 08, 14, 15, 21, 22, 28 e 29 de agosto), com cerca de 40 vagas por data. As aulas foram elaboradas com o uso do Power Point, com a inserção de diversos vídeos educativos, imagens e perguntas chaves sobre o tema. Contamos com a colaboração de enfermeira do Laboratório Boehringer Ingelheim, para abordagem do tema DPOC e Asma, que contou com a apresentação dos dispositivos inalatórios, disponíveis no SUS. Para a apresentação utilizamos o notebook, datashow, caixa de som e microfone. Os profissionais ACS receberam no momento da capacitação material que apresentava a Mortalidade por DCNT no município de Guarulhos, por Unidade de Saúde, no ano de 2023, e também uma impressão com a seguinte pergunta “O que posso mudar na minha unidade para melhorar as questões relacionadas com as DCNT?”. A duração de cada capacitação foi de 4 horas.
Capacitamos 304 ACS do município. Nas aulas observamos e foi referido por muitos que as informações trazidas eram desconhecidas, e que o conhecimento adquirido facilitaria a abordagem e orientação ao usuário. Outra questão debatida e bastante reforçada foi necessidade da busca ativa no território, de pacientes com sinais e sintomas associados às DCNT, e a oportunidade na visita domiciliar de realizá-la, assim como o rastreamento e ações promoção e prevenção. Ao final da capacitação os ACS responderam a seguinte questão “O que posso mudar na minha unidade para melhorar as questões relacionadas com as DCNT?”, essa resposta foi registrada em impresso e entregue ao final da capacitação para o facilitador. Seguem algumas devolutivas: “Orientar sempre o uso correto do dispositivo (bombinha). Mante-lo sempre orientado referente ao cuidado. Lembrando que o asmático são crônicos e precisa manter acompanhamento. Que todos podemos fazer a diferença e que a importância do cuidado faz parte do bem estar do próximo. Obrigada, só gratidão”. “Já conversamos em equipe para fazer busta ativa e também ajudar no controle deles. A novidade do curso é atentar para a idade a partir dos 18 anos. Procurar não medir o paciente com a minha régua”. “Foi gratificante esse curso, com essas informações, conhecimentos, capacitações produtivas posso passar para os meus cadastrados e não só para os cadastrados, para a família, amigos, parentes, mesmo que aos poucos conseguir uma mudança de hábito…”.
Com as capacitações verificamos a necessidade ações contínuas relacionadas à educação em saúde, e em especial, voltada ao conhecimento do perfil epidemiológico de cada unidade, região de saúde e do município, em relação às DCNT. Os indicadores de saúde, em especial de morbimortalidade devem ser compartilhados e utilizados para o planejamento das ações nos serviços de saúde. Conhecer os portadores de DCNT no território, em especial aqueles que utilizam os serviços de saúde, é fundamental, derrubar possíveis barreiras e promover saúde. O ACS é o profissional que deve estabelecer o elo entre o serviço e a comunidade.
Educação em Saúde; Vigilância
LÍGIA ORTOLANI DOS SANTOS, FERNANDA MATTA CARMO, MERILIN V.O. ALENCAR CPF: 216.944.228-60 - EMAIL: MERILIN_1LOIRA@HOTMAIL.COM, LETÍCIA T. ROCIO, DIANE FERNANDA B.C. CARDOSO