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A experiência ocorre no Centro de Doenças Infectocontagiosas de Piracicaba (CEDIC), que atua como Serviço de Atenção Especializada (SAE) e Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) no município de Piracicaba, sendo referência no cuidado às pessoas vivendo com HIV e abrigando a Unidade Dispensadora de Medicamentos (UDM), conhecida como Farmácia do CEDIC. O trabalho demonstra como a organização de um serviço farmacêutico estruturado em espaço físico distinto do tradicional “balcão de farmácia” pode favorecer a identificação de demandas clínicas e psicossociais ao longo do tratamento, fortalecendo o vínculo do usuário com o SAE e sua adesão terapêutica. No contexto do SUS, especialmente na atenção às pessoas vivendo com HIV e na prevenção combinada, a farmácia constitui ponto estratégico de contato contínuo. A qualificação da equipe e a ambiência acolhedora, com garantia de privacidade e escuta qualificada, mostraram-se centrais para o cuidado humanizado e a continuidade do acompanhamento. A Farmácia do CEDIC foi configurada para atendimento individualizado, com registro sistematizado das dispensações e controle integrado de exames laboratoriais e consultas médicas, o que tem se mostrado, desde sua implantação, como ponto fortalecedor para a coordenação do cuidado.
– Descrever a estrutura física e organizacional da Farmácia do SAE e sua configuração como espaço diferenciado de cuidado. – Apresentar como a organização do processo de trabalho possibilita atendimento individualizado, com escuta qualificada, registro sistematizado das dispensações e integração das informações clínicas. – Evidenciar o papel da farmácia como ponto estratégico de contato contínuo, favorecendo o acompanhamento dos usuários para além da dispensação de medicamentos. – Descrever como essa organização contribui para a identificação precoce de situações de risco de abandono do tratamento e para o fortalecimento do vínculo com o SAE, qualificando o cuidado no âmbito do SUS municipal.
Trata-se de um estudo descritivo, retrospectivo, do tipo relato de experiência, realizado na Farmácia do CEDIC, desde sua implantação até os dias atuais. O relato baseou-se na observação sistemática das atividades desenvolvidas no serviço, incluindo atendimentos aos usuários, interação com a equipe multiprofissional do Serviço de Atendimento Especializado (SAE) e acompanhamento da rotina assistencial. A estrutura física inclui consultório farmacêutico e espaços destinados ao atendimento individual pelos auxiliares de farmácia, cada um com mesa e cadeira para acolhimento dos usuários. O serviço foi organizado com o objetivo de ampliar a atuação farmacêutica para além da dispensação de medicamentos, incorporando acolhimento individualizado, escuta qualificada, garantia de confidencialidade e acompanhamento clínico sistematizado dos usuários. A equipe farmacêutica é composta por uma farmacêutica responsável técnica e três auxiliares de farmácia, capacitados conforme as diretrizes do Programa Nacional correspondente. As atividades são desenvolvidas com usuários que vivem com HIV e incluem monitoramento da adesão terapêutica, controle das datas de exames laboratoriais e consultas médicas, bem como identificação precoce de situações de risco para abandono do acompanhamento em saúde.
Ao longo dos anos, observou-se que a organização da Farmácia do CEDIC tem favorecido a identificação precoce das necessidades individuais, contribuindo para o reconhecimento de situações de risco de abandono do tratamento, fortalecimento do vínculo e ampliação do cuidado integral. Atualmente, a Farmácia acompanha 2.557 pessoas cadastradas para retirada de antirretrovirais, com média de 966 atendimentos mensais. Em todos os atendimentos, previamente à dispensação, são verificadas as datas de exames laboratoriais e consultas médicas. Diante de atrasos na retirada, exames vencidos ou faltas às consultas, o usuário é orientado e articulado com a equipe multiprofissional, assegurando encaminhamento oportuno e reforço dos compromissos assistenciais. O modelo adotado amplia a escuta qualificada no momento da dispensação, favorece a reintrodução ao tratamento quando necessária e facilita o acesso a atendimentos social, psicológico, de enfermagem e odontológico. Embora de difícil mensuração quantitativa, observa-se impacto qualitativo na organização do cuidado, com relatos de maior percepção de acolhimento, confidencialidade e abertura para esclarecimento de dúvidas. A integração entre farmácia e equipe multiprofissional fortaleceu a coordenação do seguimento clínico e qualificou o cuidado no âmbito do SUS municipal.
A experiência da Farmácia do SAE (CEDIC), em Piracicaba/SP, evidencia que a organização do serviço farmacêutico pode ir além da dispensação tradicional de medicamentos, consolidando-se como estratégia de cuidado e vínculo para pessoas vivendo com HIV. O atendimento individualizado, com garantia de privacidade, escuta qualificada e monitoramento sistemático de exames e consultas, favoreceu a identificação precoce de situações de risco de abandono do tratamento e o fortalecimento do vínculo entre usuários e equipe. A integração da farmácia à equipe multiprofissional mostrou-se fundamental para qualificar o seguimento clínico e ampliar a resolutividade no âmbito do SUS municipal. Embora os impactos quantitativos ainda exijam avaliação específica, observa-se ganho qualitativo significativo na organização do cuidado, na segurança assistencial e na percepção de acolhimento pelos usuários. A experiência reforça o papel da farmácia do SAE como espaço estratégico na promoção da adesão terapêutica e na consolidação do cuidado integral. Perspectivas futuras incluem consolidação de indicadores, ampliação da divulgação da experiência e apoio à replicação do modelo em outros serviços do SUS.
HIV; adesão terapêutica; cuidado integral;
CLAUDIA MEZLEVECKAS CARIAS CAMPOS, KARINA CORRÊA CONTIERO, CARINA ELIAS BARON