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Em um cenário de crescente preocupação com a saúde pública, a sífilis e o HIV têm se tornado desafios significativos, especialmente no que diz respeito à transmissão vertical dessas infecções. Reconhecendo a urgência da situação, a Vigilância Epidemiológica de Assis e o Hospital HMA, integrante da rede particular, decidiram unir forças para enfrentar esse problema de forma eficaz. A experiência teve início em setembro de 2023, quando as duas instituições se comprometeram a implementar o protocolo de sífilis adquirida e congênita, alinhando-se às diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em prol da Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical do HIV e Sífilis, que está baseada em critérios e etapas estabelecidas no Guia para esta Certificação, onde os municípios que tenham, no mínimo 100 mil habitantes e critérios básicos para alcançar as Metas estabelecidas de eliminação por meio das metas de Impacto e de Processo. Essa parceria foi motivada pelo aumento alarmante dos casos de sífilis e HIV na região, com um foco claro na eliminação da transmissão vertical, visando proteger a saúde das gestantes e de seus bebês. A colaboração entre os setores público e privado representa um passo importante na luta contra essas infecções, promovendo um atendimento mais integrado e eficaz para a população.
Parceria de um Hospital e Maternidade Privado do município de Assis com a Rede Pública Municipal de Saúde para o alcance da Eliminação da Transmissão Vertical e Selo de Boas Práticas do HIV e Sífilis para as gestantes e puérperas que utilizam o serviço particular e convênio. Os objetivos deste projeto foram capacitar enfermeiros para realizar testes rápidos de sífilis e HIV, aumentando a detecção precoce em gestantes e estabelecendo protocolos de acompanhamento adequado para mulheres diagnosticadas. Buscando-se reduzir a transmissão vertical dessas infecções, promovendo tratamentos efetivos e conscientizando tanto gestantes quanto profissionais de saúde sobre a importância da triagem. Além disso, foi implementado um sistema de monitoramento para avaliar os resultados da parceria e fortalecer a colaboração entre a Vigilância Epidemiológica e hospitais, contribuindo para a melhoria da saúde pública em Assis e promovendo um ambiente mais saudável para as futuras gerações.
A partir da inclusão do município para participar da proposta da certificação, reuniões e encontros com o Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) da Região e os departamentos de Vigilância Epidemiológica, Atenção Básica, Comitê de Mortalidade Materno e Infantil da Secretaria de Saúde e com a participação e apoio dos Representantes do Hospital e Maternidade Particular, foram descritas as metas e propostas as quais incluíram ações nas Maternidades públicas e privadas. O Hospital privado reorganizou seu processo de trabalho em apoio das Boas Práticas de eliminação da transmissão vertical com as seguintes etapas; . Treinamento: Foram realizados workshops e treinamentos práticos para enfermeiros do Hospital HMA, abordando a realização de testes rápidos, interpretação de resultados e manejo de casos positivos. O treinamento também incluiu orientações sobre o protocolo de acompanhamento das gestantes. . Implementação do Protocolo: Após a capacitação, os enfermeiros passaram a realizar o exame de VDRL em gestantes e bebês expostos a sífilis, como também testes rápidos de sífilis e HIV em todas as gestantes atendidas no hospital. Um fluxo de atendimento foi estabelecido para garantir que as pacientes diagnosticadas recebessem tratamento imediato e acompanhamento contínuo. . Monitoramento e Avaliação: A Vigilância Epidemiológica acompanhou de perto a implementação do protocolo, coletando dados sobre a taxa de testes realizados, diagnósticos e seguimento das gestantes.
Após a reorganização do processo de trabalho implementado na Rede Privada identificamos que os resultados da experiência foram bastante positivos: – A taxa de realização de testes rápidos de sífilis e HIV nas gestantes e as notificações dos casos aumentou em 75% nos primeiros seis meses após a implementação do protocolo. – A detecção precoce de sífilis e HIV em gestantes aumentou significativamente, permitindo intervenções imediatas e redução da transmissão vertical. – O acompanhamento das gestantes diagnosticadas foi efetivo, com 90% das pacientes recebendo tratamento adequado e orientações durante a gestação e puerpério. – A parceria resultou em uma maior conscientização sobre a importância da triagem para ISTs, tanto entre os profissionais de saúde quanto entre as gestantes.
A experiência da parceria de um Hospital e Maternidade Privado em apoio à Vigilância Epidemiológica, no município de Assis, demonstrou ser uma estratégia eficaz para a eliminação da transmissão vertical da sífilis e HIV. A capacitação dos enfermeiros e a implementação do protocolo de acompanhamento foram fundamentais para o sucesso da iniciativa. Essa experiência não apenas melhorou a saúde das gestantes atendidas que utilizavam o serviço de saúde privada e convênios, bem como dos seus bebês, também contribuiu para a saúde pública da região ao proporcionar o acompanhamento, tratamento adequado, bem como a detecção e intervenções precoces das infecções pelo HIV e Sífilis aos RNs. A continuidade dessa parceria e a replicação do modelo em outras instituições são essenciais para fortalecer o combate às ISTs e garantir um futuro mais saudável para as próximas gerações.
Saúde publica, serviço privado, transmissão
JULIANA CAPELO COELHO, ALINE BIONDO ALCANTARA