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Os animais sinantrópicos, como ratos, baratas, pombos, escorpiões e mosquitos, convivem com o ser humano em áreas urbanas, encontrando abrigo e alimento no ambiente doméstico e comunitário. Essa convivência, muitas vezes silenciosa, representa um risco à saúde pública, pois muitos desses animais são vetores ou reservatórios de doenças como leptospirose, leishmaniose, dengue e outras arboviroses. No território, é comum que a população tenha dúvidas sobre como agir diante da presença desses animais e acabe recorrendo a práticas inadequadas, como o uso de venenos ou descarte incorreto de resíduos, o que pode agravar o problema. A Organização Social de Saúde (OSS) Sociedade Brasileira Caminho de Damasco (SBCD) estabeleceu parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Município de São Paulo e assumiu a responsabilidade de administrar as Unidades Básicas de Saúde no território na Região Norte do município de São Paulo, local onde essa experiência exitosa foi desenvolvida. Diante desse cenário, as equipes do PAVS (Programa Ambientes Verdes e Saudáveis), em parceria com as UBSs (Vila Nova Galvão, Jova Rural, Jardim Flor de Maio, Jardim Fontális, Jardim das Pedras, Jardim Apuanã, Vila Albertina, Vila Nivi, Lauzane Paulista, Joaquim Antônio Eirado), passaram a desenvolver ações educativas e orientações permanentes sobre o tema, com foco na prevenção e no manejo ambiental.
Promover a conscientização da comunidade sobre os riscos à saúde relacionados aos animais sinantrópicos e incentivar práticas preventivas no ambiente domiciliar e comunitário. Especificamente, busca-se: •Ampliar o conhecimento da população sobre os principais animais sinantrópicos e as doenças associadas; •Orientar sobre medidas de prevenção e manejo ambiental adequadas; •Estimular o descarte correto de resíduos e a manutenção de ambientes limpos e seguros; •Integrar ações educativas entre os profissionais das UBSs e demais serviços do território; •Reduzir a presença de vetores e pragas urbanas, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população.
As ações foram planejadas coletivamente entre os Agentes de Promoção Ambiental (APAs) e as equipes das UBSs, considerando o diagnóstico territorial e as demandas observadas nas visitas domiciliares e nos grupos educativos. As orientações foram realizadas de forma contínua, tanto em sala de espera quanto em atividades externas, como mutirões, ações coletivas, escolas, CCA, CEI, grupos. Foram utilizados materiais educativos elaborados pelo PAVS, cartazes, folders, slides e exemplares de animais sinantrópicos preservados, facilitando a identificação e o diálogo com a população. Durante as abordagens, os APAs explicavam sobre hábitos desses animais, doenças transmitidas e formas de prevenção, destacando a importância da limpeza, do armazenamento correto de alimentos e da vedação de frestas e ralos. Também foram realizadas parcerias com a Vigilância em Saúde (UVIS) para alinhamento técnico e encaminhamento de situações que exigiam intervenção específica.
As atividades alcançaram ampla adesão dos usuários das UBSs e fortaleceram a integração entre os profissionais da Atenção Básica e do PAVS. Observou-se um aumento significativo na procura espontânea por informações sobre o tema, além de mudanças positivas nos hábitos da população, como o acondicionamento adequado do lixo e o cuidado com o acúmulo de entulhos e recipientes. Em algumas unidades, houve redução nas notificações de presença de roedores e diminuição de criadouros de mosquitos, evidenciada pelos dados de campo e relatos das equipes. O tema passou a ser incorporado de forma contínua nas atividades educativas e campanhas sazonais, consolidando-se como uma prática permanente de promoção da saúde ambiental nos territórios, em 10 unidades com o programa PAVS.
A ação de orientação sobre animais sinantrópicos demonstrou que a educação ambiental é uma ferramenta eficaz na prevenção de agravos à saúde e na promoção de territórios mais saudáveis. A atuação integrada entre APAs, ACSs e demais profissionais das UBSs fortaleceu o vínculo com a comunidade e possibilitou um olhar ampliado sobre os determinantes ambientais da saúde. Além disso, o caráter contínuo das orientações favoreceu a manutenção dos resultados e a consolidação de práticas preventivas no cotidiano das famílias. A experiência reforça a importância de ações educativas permanentes, articuladas com a vigilância e o manejo ambiental, como estratégia essencial para o controle de vetores e melhoria da qualidade de vida da população.
Animais sinantrópicos, saúde ambiental, PAVS
KELLY CHRISTINA BISCHACHIN, DIULIAN SILVA, GUILHERME SILVA DO NASCIMENTO, MICHELLE PAES, GABRIEL ADACHI ARAUJO, FERNANDA BATISTA FELÍCIO