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A produção social do estigma e do preconceito vivido pelos usuários de saúde mental em seus processos de adoecimento e tratamento, pode provocar a redução do cuidado somente ao tratamento dos sintomas, acarretando processos de exclusão de espaços de convivência social, bem como restrições de demais direitos sociais. Num pais em que a precariedade de acesso a direitos sociais para sobrevivência é cotidiana, o usuário em intenso sofrimento psíquico parece, muitas vezes, experimentar um duplo processo de exclusão: ser brasileiro e louco (EMERICH, B. F.; CAMPOS, R. O.; PASSOS, E.- Direitos na loucura, 2014). No entanto a Lei da Reforma Psiquiátrica n 10.2016-2001 e a Portaria n 3.088\\2011, fornece subsídios para a construção de autonomia junto aos usuários dos serviço de saúde mental.
Promover a vida em coletividade, cidadania e projetos de vida. Estimular a circulação e interação social no território. Promover a autonomia, a independência e oferecer suporte para lidar com o inesperado e a desorganização neste processo. Explorar os recursos existentes (lazer, educação, cultura e esporte) para a viabilização dos projetos terapêuticos, os quais podem possibilitar transformações concretas no cotidiano.
O grupo PÉ PRA FORA tem como principal atividade a circulação no território. Os usuários, a partir da construção coletiva dos seus modos de vida, escolhem para conhecer lugares das mais diversas funções, tais como cultura, esporte, lazer e educação, buscando uma experiência de pertencimento e participação. além disso, há o suporte para acesso aos meios de transporte público, a orientação dos pais e da construção de sentido dos modos de vida e da autonomia.
Dentre os principais objetivos alcançados, destacamos: a ampliação da autonomia de circulação nos lugares de vida, da maior participação na construção dos projetos terapêuticos, descoberta d potencialidades (ex: leitura, música, etc), redução de situações e crise, acesso a recursos e redução da dependência familiar. Dessa forma, permitindo a construção de novas relações sociais entre todos os atores envolvidos. Além disso, através do reconhecimento das ações no território, houve repercussões dentro do serviço (CAPS), reforçando sua vocação comunitária e a luta anti-manicomial. permitindo conectar as discussões sobre autonomia dos usuários de saúde mental e a constituição destes como sujeitos de direitos sociais, com as práticas cotidianas dos serviços substitutivos.
O grupo visa permitir a compreensão da territorialidade como uma espécie de ponto de referência cultural onde é possível a vivência com os outros, com o diferente, com a construção cotidiana de novas relações sociais, com o aprendizado da convivência e, possivelmente, contribuindo para a diminuição dos preconceitos
Autonomia, Independência, Saúde Mental
MARIA JOELMA DA SILVA ARAUJO, IZABEL FERREIRA DOS SANTOS, CORINA JOSEFA DA SILVA