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O município de Iepê/SP possui população de 7.619 habitantes (Censo 2022), contando com três Estratégias de Saúde da Família (ESF), um Centro de Atendimento Especializado e um Hospital Municipal que atende usuários locais e do município vizinho de Nantes,. Assim como em diversos municípios de pequeno porte, observava-se demanda reprimida para consultas e exames especializados, com usuários aguardando meses ou anos por atendimento, especialmente em Cardiologia e Oftalmologia. Em julho de 2024, o Governo Federal instituiu as Ofertas de Cuidado Integrado (OCI), por meio do Programa Mais Acesso a Especialistas (PMAE), com a proposta de reorganizar o acesso à atenção especializada por meio de pacotes assistenciais que integram consulta, exames e procedimentos, reduzindo filas e qualificando o diagnóstico. Nesse contexto, o município identificou nas OCIs uma oportunidade estratégica para reorganizar fluxos, fortalecer a regulação e ampliar a resolutividade local.
Implantar as Ofertas de Cuidado Integrado no município de Iepê com a finalidade de reduzir o tempo de espera por atendimento especializado e qualificar o acesso à atenção secundária. Como objetivos específicos: – Diminuir a demanda reprimida nas especialidades contempladas pelas OCIs; – Ampliar a oferta local de especialistas por meio da contratação e reorganização da capacidade instalada do Hospital Municipal; – Reduzir deslocamentos intermunicipais para consultas e exames; – Agilizar o diagnóstico e o início do tratamento, conforme protocolos estabelecidos pelo PMAE.
Inicialmente, em março de 2025, foram realizadas capacitações e oficinas com médicos e enfermeiros das ESF sobre critérios de elegibilidade, CID compatíveis, fluxos de solicitação e protocolos assistenciais das OCIs ofertadas na região. Paralelamente, o Hospital Municipal contratou especialistas em Cardiologia e Oftalmologia e reorganizou a atuação de Ortopedia e Ginecologia (especialidades estas já existentes no hospital) para execução também das OCIs. A regulação municipal realizou análise ativa da demanda reprimida, convertendo encaminhamentos antigos, quando compatíveis com os protocolos, em solicitações de OCI, priorizando casos de maior tempo de espera. Posteriormente, diante do aumento da demanda por exames complementares, foram contratados serviços de Holter 24 horas e Teste Ergométrico, ampliando a capacidade diagnóstica local.
Nos primeiros meses observou-se resistência e dificuldades por parte de profissionais das ESF quanto à adequada indicação das OCIs, com solicitações incompatíveis com os protocolos. A realização de novas capacitações e o apoio sistemático da regulação municipal foram fundamentais para qualificar os encaminhamentos. Entre abril e novembro de 2025, foram solicitadas 717 OCIs pelas ESF, predominantemente em Cardiologia e Oftalmologia. No mesmo período, o Hospital Municipal executou 764 OCIs, sendo 335 em Cardiologia, 338 em Oftalmologia e 91 em Ortopedia, evidenciando ampliação da capacidade assistencial e redução significativa da demanda reprimida. Na OCI de Avaliação Cardiológica, identificaram-se pacientes com indicação de cateterismo após consulta especializada. Em um dos casos, o exame evidenciou doença coronariana em estágio avançado, com alto risco de evento isquêmico iminente. A agilidade no acesso possibilitou intervenção oportuna, demonstrando que, no modelo anterior — marcado por longos períodos de espera — haveria elevado risco de evolução para Infarto Agudo do Miocárdio. Observou-se ainda redução expressiva do transporte sanitário para municípios de referência, gerando economia aos cofres públicos e maior segurança aos usuários.
A implantação das Ofertas de Cuidado Integrado em Iepê evidenciou que a articulação entre gestão municipal, regulação e hospital local pode transformar o acesso à atenção especializada, mesmo em municípios de pequeno porte. A redução do tempo de espera, a ampliação da oferta local e a diminuição de deslocamentos intermunicipais demonstram impacto positivo tanto assistencial quanto financeiro. Apesar dos desafios iniciais relacionados à adesão e ao adequado uso dos protocolos pelas equipes da Atenção Primária, a educação permanente mostrou-se estratégia fundamental para consolidar o processo. A experiência reforça a importância do planejamento integrado e da regulação ativa como instrumentos de organização do cuidado e fortalecimento da regionalização do SUS, configurando-se como modelo potencialmente replicável em contextos semelhantes.
Ofertas de Cuidado Integrado, Regulação, Agilidade
LUCAS BORDIGNON ULIANA, LENARA PAGANOTTI DURAN FERNANDES, KELLEN CRISTINA VIEIRA LIRA, LALESCA ALVES DA SILVA