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As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) oferecem opções para manejo da dor e cuidado emocional, físico e espiritual, inclusive na obstetrícia. Métodos como massagem, aromaterapia e acupuntura, alinhados à Política Nacional de PICS, ampliam abordagens terapêuticas no SUS e tensionam o paradigma biomédico1-6. As PICS não substituem cuidados convencionais nem fármacos; atuam de forma complementar, como massagens, aromaterapia, meditação, hipnoterapia, ioga, acupuntura, termalismo, musicoterapia e reflexologia4. Na obstetrícia, as PICS aliviam a dor do parto e favorecem ambiente acolhedor e menos intervencionista, promovendo experiência mais positiva7,8. A dor do parto, natural porém intensa, é modulada por fatores psicológicos, culturais e ambientais9-12. Manejá-la adequadamente é essencial, e as PICS têm papel relevante. A International Confederation of Midwives (ICM) recomenda terapias não farmacológicas no manejo da dor e no apoio ao parto fisiológico, com cuidado que respeite a individualidade e as escolhas das mulheres13-15. Em consonância, a Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta para uma experiência positiva de parto baseada em cuidado respeitoso, com apoio contínuo e participação das pessoas nas decisões sobre trabalho de parto e parto16. Justificativa Incorporar PICS na obstetrícia integra corpo, mente e espírito, em ambiente seguro que promove empoderamento.
Investigar o uso e a percepção de puérperas sobre as práticas integrativas e complementares em saúde (PICS).
Estudo descritivo qualitativo, realizado na Casa Angela (Centro de Parto Normal Peri-hospitalar na zona Sul da cidade de São Paulo). A instituição tem como missão a humanização da assistência ao parto e o protagonismo da parturiente, incorporando práticas integrativas e complementares em saúde (PICS). Profissionais habilitados incentivam o uso das PICS em toda a assistência prestada, promovendo conforto e bem-estar. A divulgação do estudo para captação de participantes, ocorreu por meio de mídias sociais com vídeos e postagens. Após aceite e assinatura do TCLE, foi agendada entrevista telefônica com a participante. Os critérios de inclusão foram idade ≥20 anos, estar no puerpério e ter utilizado PICS no parto. A coleta ocorreu entre abril e maio de 2020 por duas graduandas de enfermagem, em entrevistas estruturadas com dados sociodemográficos e seis questões sobre uso, apoio recebido, momentos de aplicação, percepção das contrações, contribuição para lidar com a dor e impacto na experiência em relação às PICS. As entrevistas foram transcritas e analisadas segundo Bardin20,21, identificando unidades como preparo psicológico, alívio da dor, motivação, importância da informação, eficácia das PICS e mudanças na experiência22-25. A análise baseou-se nas recomendações da OMS para parto positivo. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da FMABC (CAAE 24528819.5.0000.0082), conforme Resolução CNS 466/12.
Das 21 mulheres que contataram a equipe, 10 participaram do estudo; as demais foram excluídas por não atenderem aos critérios ou não responderem ao convite. Todas eram casadas, média de 27,1 anos, sete com ensino médio e três com ensino superior. Houve predomínio de primíparas (n=7), partos normais e recém-nascidos a termo, com peso adequado.
A experiência evidenciou que o uso das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde durante o trabalho de parto contribui para uma vivência mais positiva, marcada por maior autonomia, regulação emocional e manejo da dor. As mulheres relataram sentir-se mais preparadas, acolhidas e confiantes em seus próprios recursos, o que favoreceu tanto o processo fisiológico quanto o significado atribuído ao parto. Esses resultados reforçam a importância de incorporar e fortalecer as PICS no âmbito do SUS como estratégias de humanização da assistência, ampliando as possibilidades de cuidado integral e respeitoso. A experiência apresentada demonstra que a oferta dessas práticas, quando conduzida por profissionais capacitados, pode ser replicada em outros serviços, colaborando para a consolidação de um modelo de atenção obstétrica centrado na mulher, em consonância com as recomendações da OMS e com a Política Nacional de PICS.
Terapias Complementares; Parto Normal;
THAÍS TREVISAN TEIXEIRA