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O atendimento em pronto socorro faz parte da atenção secundária da saúde ou de média complexidade. Durante muito tempo a fisioterapia foi vista somente como fonte de reabilitação e cura para determinadas patologias e isso fez com que o fisioterapeuta enfrentasse certo grau de exclusão nas áreas de prevenção e promoção da saúde, para integrar os princípios propostos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Devido ao aumento na demanda de pacientes nas unidades de pronto atendimento (UPA) e mudanças no perfil de pacientes, considera-se importante a inserção do profissional fisioterapeuta neste setor, atuando diretamente no serviço de emergência, que pode refletir em um atendimento mais rápido e eficiente. Apesar das evidências demonstrarem os benefícios da fisioterapia, sua inclusão nas unidades de urgência e emergência de pronto atendimento ainda não está amplamente estabelecida nos modelos organizacionais de gestão e parece ser questionada por outros profissionais.
Verificar o perfil de paciente atendidos pela fisioterapia em uma unidade de pronto atendimento na cidade de Santo André.
Trata-se de um estudo retrospectivo com análise de 1.405 prontuários, no qual foi realizada a remoção de registros duplicados, totalizando 714 prontuários, do ano de 2019 até o ano de 2023, onde os participantes de pesquisa são pacientes adultos, que passaram por atendimento fisioterapêutico na sala vermelha e amarela durante internação na UPA Perimetral da cidade de Santo André.
Dos pacientes atendidos no período do estudo, 52,9% eram do sexo masculino, com média de idade de 70,4±16,3 anos. A conduta mais utilizada foi fisioterapia respiratória e motora (98,2%), predominando na sala amarela (63,9%). Cerca de 44,4% dos pacientes fizeram uso de oxigenoterapia durante a internação, enquanto 89,2% necessitaram de ventilação mecânica. O diagnóstico mais prevalente foi de alterações respiratórias (41,8%), incluindo doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), crise asmática, pneumonia, edema agudo pulmonar (EAP), sepse de foco pulmonar, derrame pleural, pneumotórax e tromboembolismo pulmonar. Alterações cardiológicas foram observadas em 20,5% dos casos, destacando-se insuficiência cardíaca, infarto agudo do miocárdio, fibrilação atrial, síndrome coronariana aguda e parada cardiorrespiratória. Alterações metabólicas estiveram presentes em 14,5% dos pacientes, incluindo sepse de foco urinário, insuficiência renal aguda, insuficiência renal crônica, infecção do trato urinário, hiperglicemia e urgências oncológicas.
Conclui-se, que o fisioterapeuta, é um profissional altamente capacitado, e com grande conhecimento teórico e prático, para atuar na UPA. Por ter uma área de atuação bem abrangente, o fisioterapeuta pode contribuir de diversas formas em campanhas e ações preventivas para promoção e manutenção da saúde. Ele está apto a trabalhar em programas voltados a pacientes, com alterações respiratórias, cardiológicas nos setores de emergência. A implementação da fisioterapia nos cuidados emergenciais pode resultar em uma diminuição nas taxas de óbito, um aumento na alta hospitalar, além de reduzir complicações e desconforto dos pacientes, o que, por sua vez, diminui a necessidade de retorno ao hospital ou permanência prolongada.
fisioterapia, urgência, emergência, promoção saúde
CINTIA FREIRE CARNIEL, GABRIELA DE ANDRADE MARTIN, MARIA EDUARDA FRIGO SILVA, NATHÁLIA MULINI, HENRIQUE FERREIRA LEITE, RODRIGO DAMINELLO RAIMUNDO, CAMILA MANINI MOREIRA GEMENEZ, VAGNER BORGES DE SOUZA, DANIELE DOS SANTOS LOPES ALFONSO