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A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana continua a ser um dos principais desafios de saúde pública em todo o mundo, apesar dos avanços significativos no diagnóstico precoce e no tratamento antirretroviral. No Brasil, a vigilância epidemiológica do HIV é uma prioridade, especialmente em contextos urbanos onde a densidade populacional e o acesso variável aos serviços de saúde podem influenciar a disseminação do vírus. Nos últimos anos, o diagnóstico laboratorial do HIV avançou significativamente, tanto em termos de tecnologia quanto em acessibilidade e rapidez. A introdução e disseminação de testes rápidos para o HIV têm sido um dos maiores avanços. Esses testes podem fornecer resultados em menos de 30 minutos, facilitando o diagnóstico em ambientes de baixa infraestrutura e permitindo que os pacientes recebam cuidados de forma imediata. A expansão dos testes rápidos no SUS tornou o diagnóstico mais acessível e inclusivo. Ribeirão Preto, reconhecido como um importante polo de saúde no estado de São Paulo, desempenha um papel vital no diagnóstico e manejo de infecções, especialmente em relação ao HIV. O município conta com uma rede pública de saúde robusta, que inclui o Laboratório Municipal, uma instituição de gestão própria com capacidade operacional para realizar até 3 milhões de exames por ano. Essa capacidade não só demonstra a infraestrutura avançada da saúde pública local, mas também a eficiência no processamento e liberação de resultados.
Este estudo tem como objetivo analisar o perfil dos pacientes diagnosticados com HIV no Laboratório Municipal de Ribeirão Preto, considerando aspectos fundamentais como sexo, faixa etária, e a origem da solicitação do exame dentro da rede SUS ao longo dos últimos 18 meses. Ao focar nesses parâmetros, o estudo busca identificar padrões e tendências epidemiológicas que possam informar estratégias mais eficazes de prevenção e tratamento.
Estudo descritivo, de caráter retrospectivo que foi conduzido no Laboratório Municipal de Ribeirão Preto, focando na análise de pacientes diagnosticados com HIV de 01 de janeiro de 2023 a 31 de julho de 2024. Os dados foram coletados a partir dos registros eletrônicos do Laboratório Municipal, e foram incluídos todos os pacientes que tiveram o teste confirmatório de HIV, IMUNOBLOT realizados e confirmados como positivos no período de estudo. O teste confirmatório é realizado somente após pesquisa realizada em todos os registros de exames do paciente desde o ano 2000 e somente para pacientes que ainda não possuem diagnóstico do HIV. Para análise deste estudo consideramos todos os exames de IMUNOBLOT REAGENTES como pacientes recém diagnosticados. Foram consideradas as seguintes variáveis para a caracterização do perfil dos pacientes: O sexo a faixa etária, e a origem das solicitações: Se se encontravam dentro de Pré Natal, de Pré Natal do Parceiro, PEP (Profilaxia pós exposição com risco biológico), PREP (Profilaxia pré exposição ao vírus HIV), FIQUE SABENDO (pacientes testados na Campanha Fique sabendo), CTA (perfil de exames sorológicos para diagnóstico de sífilis, HIV, Hepatites B e C) ou o exame HIV de pacientes da rede de atendimento SUS.
No período analisado, foram realizados 109.122 testes de HIV no Laboratório Municipal, com 332 (0,30%) casos reagentes confirmados pelo Imunoblot. A maioria dos diagnósticos ocorreu nas Unidades SUS (74%), seguidos pelo CTA (18%), Pré-Natal (3%), PEP (2%) e Campanha Fique Sabendo (0,1%). Quanto ao perfil dos pacientes, 71% eram homens e 29% mulheres, com maior incidência entre 21-30 anos (27%) e 31-40 anos (33%), refletindo a vulnerabilidade de jovens adultos, especialmente homens que fazem sexo com homens (HSH). Observou-se um aumento no número de testes nos últimos anos: 47.435 (2021), 59.280 (2022) e 67.756 (2023). No entanto, a taxa de novos diagnósticos caiu de 0,43% (2021) para 0,29% (2023). O Laboratório Municipal mantém um prazo ágil de liberação dos resultados (24-48h), integrando-os ao sistema de saúde, facilitando decisões clínicas e garantindo comunicação eficiente entre assistência e vigilância epidemiológica. A notificação rápida dos casos permite o início imediato do tratamento e acompanhamento dos pacientes diagnosticados. Esse fluxo de informações contínuo assegura que todos os indivíduos diagnosticados com HIV sejam prontamente informados de sua situação sorológica, possibilitando o início imediato do tratamento e o acompanhamento adequado.
Os resultados deste estudo ressaltam a importância da rede laboratorial na detecção precoce do HIV, evidenciando a capacidade operacional robusta da rede pública. Foram realizados 109.122 testes em 18 meses, com uma taxa de positividade de 0,30%. Apesar do aumento no número de testes, houve uma queda na taxa de novos diagnósticos por IMUNOBLOT, de 0,43% em 2021 para 0,29% em 2023. Esse declínio pode indicar melhorias nas práticas de prevenção, como o uso ampliado de PrEP e PEP, ou uma possível estabilização da incidência de novas infecções, embora mais estudos sejam necessários para validar essa tendência. A agilidade na liberação dos resultados (24-48h) e a integração eficiente dos dados entre o laboratório, vigilância e assistência garantem um cuidado contínuo e intervenções clínicas rápidas. Esse fluxo de informações permite que pacientes diagnosticados iniciem o tratamento precocemente, reduzindo a carga viral e minimizando o risco de transmissão. O monitoramento constante e a rápida resposta do sistema de saúde são essenciais para o controle eficaz do HIV e a adaptação de estratégias preventivas conforme a realidade epidemiológica local.
HIV, DIAGNOSTICO, EXAMES LABORATORIAIS
EDUARDO BRAS PERIM, LUIZ BENJAMIN TRIVELLATO FILHO, GISLAINE CARLA BOVO GONÇALVES, GABRIELA INARA ARCARO VICENTINI, MARIA LIDIA MARIN, LARISSA ELIS SILVA CRIVELARI, GABRIEL MARTINS DA COSTA MANSO, HUGO MAISTRELO TORRES LIMA