Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O tabagismo é considerado uma patologia gerada pela dependência à nicotina e consta na 10ª Classificação Internacional de Doenças no grupo de transtornos mentais e de uso de substâncias psicoativas. Adicionalmente, causa aproximadamente 50 outras doenças. Há uma estimativa de que aproximadamente 8 milhões de pessoas morrerão em 2030 em todo o mundo por doenças relacionadas ao tabaco. Dessa forma, desde 1989 o Ministério da Saúde vem trabalhando no controle do tabagismo no Brasil, através do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que instituiu o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, com o objetivo geral de reduzir a prevalência de fumantes. Em 2002 iniciou-se o tratamento no SUS, na assistência especializada de alta complexidade. Somente em 2004 ocorreu a ampliação do tratamento à Atenção Primária à Saúde (APS). Em 2005, o Brasil assinou um tratado internacional, tornando-se parte da Convenção-Quadro da OMS. Em 2011 foram publicados o protocolo clínico e as diretrizes terapêuticas e em 2024 a resolução instituindo a Política Estadual de Controle do Tabaco no estado de São Paulo. Como consequência de todas essas ações, a prevalência de tabagismo declinou de 15,7% em 2006 para 9,3% em 2023. O Programa de Atenção Intensiva ao Tabagista de Santos conta atualmente com 29 Policlínicas cadastradas. A partir de 2014 a coordenação passa a ser feita pela Seatesc/DEAPS, nos moldes propostos pelo INCA.
-Alertar os profissionais sobre o impacto do tabagismo na saúde da população -Divulgar o Programa de Atenção Intensiva ao Tabagista do município de Santos -Mostrar os resultados do programa e traçar perfil dos fumantes e do tratamento realizado
O Programa de Atenção Intensiva ao Tabagista é desenvolvido por meio de encontros grupais com no máximo 15 usuários, com 7 reuniões em um período de 3 meses. Nesses grupos a abordagem se dá através de técnicas cognitivo-comportamentais e motivacionais, além de apoio medicamentoso com adesivos de nicotina e bupropiona, se necessário. Os medicamentos são comprados pelo Ministério da Saúde e distribuídos aos municípios. Os assuntos abordados através da cartilha são: porque se fuma e como isso afeta a saúde, os primeiros dias sem fumar, como vencer os obstáculos para permanecer sem fumar e os benefícios obtidos após parar de fumar. No decorrer dos encontros os profissionais aplicam o teste de Fagerstrom para avaliar o nível de dependência à nicotina, técnicas de respiração, entre outras estratégias para que o paciente lide melhor com a “fissura”. O Programa possui uma coordenação municipal e estadual. O abastecimento de medicamentos e envio de informações sobre o tratamento realizado nos grupos segue uma periodicidade quadrimestral. As Unidades preenchem um relatório com as seguintes informações: sexo, idade, escolaridade, comorbidades como câncer, doenças cardiovasculares, metabólicas, psiquiátricas, respiratórias, uso de práticas integrativas nos grupos, número de fumantes que usam cigarros contrabandeados, uso de medicamento e cessação. Ao fim de cada quadrimestre essas informações são lançadas em um sistema informatizado chamado Farmanet e os dados analisados.
O Programa de Atenção Intensiva ao Tabagista já atendeu 2428 fumantes desde 2014, sendo que 1063 pararam de fumar, indicando uma taxa de cessação de 43,78%. Nos últimos três anos essa taxa se manteve entre 30 e 40%. A maior parte dos fumantes, em torno de 80%, usaram medicamentos como bupropiona e adesivos de nicotina durante o grupo. Dos fumantes que cessaram o uso de tabaco nos grupos, menos de 10% conseguiram sem usar medicamento, com exceção de 2022 quando foram 13,95%. O total de grupos e, por consequência, de fumantes atendidos tem crescido nos últimos anos após a pandemia. Em 2022, registraram-se 137 usuários, aumentando para 180 em 2023 e alcançando 274 em 2024. Durante esse período de três anos, notou-se uma redução no consumo de cigarros contrabandeados, que caiu de 14,60% em 2022 para 8,76% em 2024. Além disso, notou-se um crescimento na adoção de práticas integrativas nos grupos, com destaque para a auriculoterapia. Em 2022, 18,75% dos grupos utilizaram essas práticas, enquanto em 2024 essa porcentagem subiu para 37,5%. Considerando os dados de 2022 a 2024 a maior parte dos participantes nos grupos eram mulheres, em torno de 70%. A faixa etária mais prevalente foi a de 18-59 anos, que está entre 60 e 70%. Entre 30 e 40% dos fumantes tinham ensino médio completo. O perfil de doenças e comorbidades instaladas mostra que o câncer mais comum foi o de pulmão, hipertensão (>30%), transtorno de ansiedade (15-25%), depressão (10-21%), bronquite crônica (4-9%).
O Programa de Atenção Intensiva ao Tabagista desenvolvido na Seatesc/Deaps desde 2014 se mostra eficiente, com altas taxas de cessação e com crescente número de Unidades de Saúde cadastradas e profissionais capacitados. A maior parte dos fumantes que participam nos grupos eram do sexo feminino, com faixa etária de 18-59 anos e ensino médio completo. As doenças e comorbidades mais comuns encontradas nos participantes dos grupos foram o câncer de pulmão, hipertensão, transtorno de ansiedade, depressão e bronquite crônica. O uso de cigarros contrabandeados é uma realidade em Santos, que pode ser explicada pelo seu preço reduzido. As práticas integrativas estão sendo aplicadas nos grupos e tem tendência de crescimento.
tabagismo, nicotina, promoção de saúde
ROGÉRIO NEPOMUCENO KREIDEL