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O câncer de mama é a segunda neoplasia mais prevalente na população feminina após o câncer de pele não melanoma. Estima-se, segundo MS, que para cada ano do triênio 2023-2025 serão diagnosticados 74.000 novos casos com uma mortalidade anual de 17.500 mulheres e 200 homens. O acesso universal da população ao SUS tem sido desafiado pela heterogeneidade na implementação do sistema, pela presença de iniquidades na oferta de serviços de saúde e a insuficiência nas ações de cuidado. No que se refere à atenção ao câncer de mama, preconizam-se ações de promoção, prevenção, detecção precoce, tratamento oportuno e cuidados paliativos integrados e continuados pelos serviços da rede primária de saúde. Desde 2004, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) recomenda o rastreamento para mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos, conforme diretrizes baseadas nas melhores evidências científicas disponíveis. Essas recomendações são constantemente atualizadas com novos dados de pesquisa, a fim de garantir a eficácia e a segurança da população. Entre tais ações na atenção primária, enfatiza-se detecção precoce da neoplasia mamária a partir do conhecimento dos fatores de risco com a elaboração de um “checklist” de cada paciente para que ações assertivas sejam tomadas de forma adequada.
Verificar o “checklist” de fatores facilitadores (idade, IMC, casos em mães e irmãs e realização de mamografia) da neoplasia mamária na população feminina de Diadema. A idade é considerada, após o fato de ser mulher, um dos parâmetros mais importante; principalmente em mulheres acima de 50 anos. A obesidade e o câncer de mama têm uma relação direta com o tecido adiposo que produz hormônios e mediadores químicos que, em excesso, podem favorecer a ocorrência da doença. Neste quesito, inclui-se falta de atividade física e alto consumo de álcool. Mutações e alterações genéticas em familiares próximos aumentam as chances de ter a doença em 5 a 10% das vezes. A mamografia é responsável por 90% das chances de cura devido à detecção precoce do câncer.
A coleta de dados ocorreu mediante questionário entregue às mulheres que procuraram as unidades básicas em outubro de 2024 no município de Diadema durante os eventos do “outubro rosa”. As vinte unidades básicas foram agrupadas em 4 territórios denominados: Norte, Sul, Leste e Centro Oeste. O território Norte compreende as unidades básicas de saúde Jardim ABC, Canhema, Maria Tereza, nações, Paineiras e Reid. O Sul abrange Eldorado, Inamar e Paulínia. O Leste engloba Casa Grande, Nogueira, Nova Conquista, Piraporinha, Promissão, Ruyce e São José. O Centro Oeste envolve Centro, Conceição, Real e Serraria. Utilizou-se estudo observacional transversal como método e casuística. O questionário aplicado em 519 mulheres que aceitaram preenche – ló de forma nominal ou anônima visou a análise de possíveis fatores de risco para o desenvolvimento do câncer mamário nesta amostra. Os índices utilizados foram idade, IMC, parentes (mãe ou irmã) com câncer de mama antes dos 50 anos e realização prévia de mamografia. As perguntas foram realizadas num formato direto para melhor compreensão das mulheres, em ambiente adequado e todas dúvidas foram sanadas pela equipe local.
Houve predomínio de mulheres na faixa etária acima de 48 anos de idade (49,70%) que condiz com o período etário preventivo do câncer de mama cuja incidência maior ocorre em torno de 55 anos conforme a literatura atual. Em relação ao índice de massa corpórea (IMC), houve um predomínio de usuárias com IMC acima de 28 (47,20%). O que alerta as estratégias locais sobre o maior desenvolvimento de câncer nas mulheres com sobrepeso e obesidade. No item mãe ou irmã com câncer de mama, a maior parte da população estudada não tem histórico (79,39%). No quesito realização de mamografia como exame rastreador, 358 mulheres relataram já terem feito pelo menos 1 vez o exame o que corresponde a 68,97% das entrevistadas.
O conhecimento dos fatores de risco associados à neoplasia mamária e o perfil da população atendida nas unidades básicas de Diadema fornecem variáveis significativas para elaboração de ações estratégicas para detecção precoce e menor mortalidade pelo câncer de mama. Ressalta-se que a linha de cuidado deve ser estipulada desde o diagnostico até o final do tratamento. Conhecendo o usuário que procura espontaneamente as UBSs pode-se ainda promover ações que tragam àquelas pacientes que ignoram ou não dão importância ao assunto. Dentro da Atenção Primária a Saúde, a prevenção e promoção vão além das aplicações técnicas da saúde curativa incentivando a detecção precoce de doenças como o câncer de mama em sua fase inicial com maior chance de cura e tratamentos menos mutilantes e mais acessíveis sendo, portanto, o estudo epidemiológico um importante arma no combate às neoplasias malignas. O crescente papel da Atenção primária na efetivação da linha de cuidado oncológica decorre da maior capacidade de conhecer o território, organizar ações de rastreio, identificar casos suspeitos e viabilizar a melhor trajetória dentro do sistema de saúde, proporcionando elucidação diagnóstica em menor tempo e mais qualidade a cada uma dessas etapas.
Perfil epidemiológico, Prevenção, Cancêr de Mama
MARCIA GONÇALVES DE ALMEIDA SILVA, VANIA APARECIDA RODRIGUES, OZENIRA APARECIDA DA SILVA, CAROLINE FIORELLI DOS SANTOS TIEZZI, CRISTIANE LIMA ROA ROCHA