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No Brasil, em 2024 ocorreu um total de 6.484.890 casos prováveis de dengue, sendo o Coeficiente de Incidência (CI) de 3.221,7 casos por 100 mil habitantes e 5.972 mortes provocadas pela doença, estando ainda 908 óbitos em investigação. O Estado de São Paulo foi o que teve o maior número de casos prováveis (2.182.875). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o CI da dengue no Brasil, indica epidemia, pois apresenta taxas acima de 300 casos por 100 mil habitantes, reiterado pelo fato de um aumento em 2024 de400% dos casos de Dengue em relação ao ano anterior. No município de São Paulo ocorreram 1.240.303 casos, perfazendo um CI de 10.830,4 casos/100.000 habitantes, sendo o Coeficiente de Mortalidade por Dengue da cidade de 3,2 óbitos/100.000 habitantes. Um dos aspectos importantes é que a Dengue pode apresentar amplo espectro clínico, e parte dos pacientes pode evoluir para formas graves, inclusive levando a óbito. Destaca-se que a suspeita adequada e precoce da dengue, é um fator importante para evolução favorável. É muito importante que os profissionais de saúde no momento da triagem saibam identificar os sinais de alarme, e assim seguir os protocolos de atendimento, com a finalidade de evitar mortes pela doença. Levando-se em consideração o ano epidêmico da Dengue, e o impacto da doença nos serviços de saúde, bem como na saúde da população, é importante conhecer o perfil epidemiológico dos casos para que ações de prevenção e controle possam ser melhor direcionadas.
Identificar o perfil epidemiológico dos casos confirmados de Dengue entre os residentes na Supervisão Técnica de Saúde Penha (STS-Pe)/São Paulo – SP, no ano de 2024.
Pesquisa de caráter documental com abordagem quantitativa que utilizou o banco de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) online, sendo selecionados todos os casos com confirmação de dengue ocorridos no ano de 2024 residentes na STS-Pe.A região do estudo compreende a STS-Pe, localizada na região Leste do Município de São Paulo, que tem uma população estimada pelo censo IBGE de 2022 de 472.757 habitantes. Sendo composta por quatro distritos administrativos (DA): Artur Alvim (95.575 hab.), Cangaíba(141.172 hab.), Penha (132.452 hab.) e Vila Matilde (103.558 hab.). A região possui 20Unidades Básicas de Saúde (UBS), 04 Assistência Médica Ambulatorial (AMA), 01 Hospital Público e 02 Hospitais Privados de pequeno porte. Em 2024 foram notificados 53.182 casos suspeitos de dengue entre os residentes da região da STS Penha, 44.767 (84,2%) fizeram testagem, 41.183 fizeram apenas NS1, 744 apenas sorologia e 2.840 fizeram ambos testes. Sendo que para 8.415 casos a classificação final foi feita segundo critérios clínico-epidemiológico. Do total de casos 30.051 foram classificados como casos prováveis de dengue, o que perfaz um CI de 6.356,5 casos/100.000 habitantes. Destes 21.629 (72,0%) foram notificados por serviços não pertencentes a STS-Pe.
Em relação aos casos confirmados o DA com maior CI foi Cangaíba com 9.721 casos (CI6.886,9 casos/100.000 hab.) e o menor foi DA Vila Matilde com 5.695 casos (CI 5.499,3casos/100.000 hab.). Entre os casos classificados como dengue provável, a faixa etária que predominou foi de 20 a 39 anos, a menor idade entre os casos confirmados foi de 4 anos e a maior 96 anos. Sendo 16.485 (54,8%) entre mulheres, ocorrendo 218 casos entre gestantes(1,32%). Em relação a raça/cor, 13.536 (45,04%) dos casos prováveis foram registrados entre brancos; 10.892 (36,2%) entre pardos e pretos; sendo que, em 5.071 (16,87%) dos casos, a informação não foi registrada. A escolaridade foi informada apenas para 19.583 (65,1%) dos casos, e entre aqueles informados a escolaridade predominante foi 2° grau completo. Em relação aos sintomas, a febre é um parâmetro para suspeição dos casos de dengue, então se esperava que 100% dos casos apresentassem esse sintoma, mas foi informada apenas para26.634 (88,6%); seguida de 24.843 cefaleia (82,67%) e 23.751 mialgia (79,03%). Entre as comorbidades referidas 4.924 (16,4%) referiram hipertensão e 2.188 (7,2%) diabetes. Apresentaram dengue com sinais de alarme 262 (0,9%), sendo que ocorreu hospitalização para 165 (63%) pacientes. Ocorreram 35 óbitos pela doença, e entre estes 20 do sexo masculino, sendo a média de idade de 67,9 anos.
O CI na região da STS-Pe foi um pouco superior ao do município. A testagem foi realizada para maioria dos casos atendidos, sendo que a maioria foi notificada por serviços não pertencentes a UVIS-P. O DA com maior ocorrência de casos foi Cangaíba. Os casos predominaram para faixa etária de adulto jovem, mulheres, raça branca, com escolaridade superior 12 anos de estudo. A febre foi o sintoma mais referido, sendo considerada um dos critérios para suspeição, e a comorbidade que prevaleceu foi hipertensão. Os dados provisórios indicam 35 óbitos por dengue entre moradores da região, ocorridos na sua maioria entre idosos. O Coeficiente de Mortalidade de 7,4 óbitos dengue/100.000 hab., superior do Município de São Paulo. A identificação do perfil epidemiológico dos casos de dengue, permitiu conhecer o perfil epidemiológico da doença entre os residentes na STS-Pe, possibilitando assim traçar estratégias para o enfrentamento da Dengue no nível Regional.
Dengue, perfil epidemiológico, saúde.
MARIA LUIZA SILVA SOUZA LIMA, CÉLIA MARIA PIRES DE ANDRADE, ANTONIO ROJO, TALÉIA LÚCIA DE ANDRADE TOBIAS