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O trabalho descreve o perfil farmacoterapêutico dos pacientes acompanhados pela Assistência Farmacêutica no AMA-E BURGO PAULISTA, durante o 1º semestre de 2023. A infecção pela hepatite B (HBV) é considerado problema de saúde pública, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS)1, que estimou em 257 milhões o número de pessoas vivendo com infecção crônica e em 900 mil o número de mortes pelo HBV em todo mundo, em 2015. Em 2016, a OMS lançou uma estratégia global para eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública até 2030. No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a Linha de Cuidado pode ser definida como uma estratégia de organização do percurso assistencial centrada nas necessidades do usuário, garantindo um fluxo de cuidado integral e em rede, fortalecendo os fluxos horizontais entre Atenção Primária à Saúde (APS), Atenção Especializada e demais pontos da rede, a partir da valorização de um cuidado multiprofissional e compartilhado. Neste contexto, destaca-se o profissional farmacêutico, com objetivo de estabelecer vínculo com o paciente de forma a entender como o meio que o paciente vive pode influenciar no uso dos medicamentos, identificar problemas relacionados à farmacoterapia (PRF), promover uso racional dos medicamentos e, pactuar com paciente estratégias para o alcance de metas terapêuticas.
Descrever a importãncia da assistência farmacêutico na linha de cuidado de hepatites virais, com ênfase na caracterização do perfil farmacoterapêutico dos pacientes em tratamento de hepatite B no AMA-E Burgo Paulista.
Levantamento de registro histórico em prontuário clínico de 85 pacientes em acompanhamento farmacêutico, para tratamento para hepatite B na unidade durante o primeiro semestre desse ano. Foram averiguados dados relacionados a idade, sexo, antecedentes patológicos, comorbidades clínicas, perfil de polifarmácia, e identificação de problemas relacionados a farmacoterapia. Considerou-se polifarmácia, pacientes em uso de 4 ou mais medicamentos ou mais no momento da consulta farmacêutica.
A prevalência dos pacientes em acompanhamento farmacoterapêutico para HBV são do sexo masculino, com idade média de 52 anos, sendo que 63% referiram em consulta farmacêutica a presença de outras comorbidades clínicas. Destaca-se a hipertensão arterial sistêmica em 29% seguido por diabetes mellitus e transplante hepático, representados por 11% em ambos. Nota-se a presença de algumas comorbidades pouco comuns na prática da farmácia clínica em serviço de saúde primário, como por exemplo a granulomatose eosinofílica com poliangite (GEPA) e miastenia gravis, presente em 1% dos pacientes em acompanhamento. Em 45% dos pacientes foi identificado polifarmácia e em 54% dos pacientes, identificou-se PRF. Destaca-se PRF de segurança, onde em 57% são de interações medicamento x medicamento ou medicamento x alimento, especialmente nos pacientes transplantados em uso de tacrolimus e/ou entecavir. Demais 43% referem-se à identificação de alguma reação adversa ao medicamento (RAM), sendo as queixas mais comuns a cefaleia e fadiga. O PRF adesão, é bem evidenciado pelo atraso na retirada do medicamento, em todos os casos foi realizado busca ativa e orientação sobre a importância da manutenção do tratamento e os riscos do uso irregular dos medicamentos e, neste aspecto, constatamos efeito positivo, visto que no início do semestre o absenteísmo representadava cerca de 70% e, em Junho, o mesmo indicador diminuiu para 10%. Sobre PRF de efetividade e necessidade, nenhum caso referiu-se ao antiviral.
Considerando-se que o perfil dos pacientes em acompanhamento apresentam mais de uma comorbidade clínica e polifarmácia e que, em 54% dos pacientes foram identificados PRF, conclui-se que a assistência farmacêutica no serviço, colabora com os objetivos da rede, garantindo melhores resultados na saúde pública e na sustentabilidade do acesso ao tratamento, proporcionando intervenções necessários à um tratamento mais seguro e eficaz. Cumprindo dessa forma com as diretrizes da farmácia clínica no SUS, evidenciadas nas ações assistenciais voltadas para a clínica farmacêutica,destacando a orientação terapêutica ao usuário, a revisão da farmacoterapia, o acompanhamento farmacoterapêutico, a conciliação de medicamentos e a avaliação e promoção da adesão terapêutica.
Hepatite B, Perfil Farmacoterapêutico.
LYGIA FERNANDA ALVES DE LIMA RAMPASO