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A vigilância sentinela de síndrome gripal (SG) faz parte da vigilância de vírus respiratórios no Brasil (implementada pelo Ministério da Saúde no ano 2000), que realiza, de forma sistemática, a vigilância epidemiológica e laboratorial de vírus respiratórios. A identificação da circulação de vírus respiratórios relevantes para a saúde pública, por meio de diagnóstico laboratorial, é essencial para a implementação de medidas eficazes de prevenção e controle das síndromes gripais, permitindo o monitoramento da demanda de atendimento por essa doença, além da adequação da vacina da influenza sazonal. A confiabilidade do diagnóstico depende diretamente da qualidade da amostra clínica coletada, bem como de seu transporte e armazenamento adequados antes do processamento laboratorial por meio da reação em cadeia polimerase de transcrição reversa (RT-PCR) em tempo real. O município de Osasco deu início à Vigilância Sentinela (VS) de SG na Unidade Sentinela (US) Hospital Municipal Antônio Giglio, no ano de 2011, e passou a transferir esta US para o Pronto Socorro (PS) José Ibrahin (com atendimento para todas as faixas etárias por 24 horas) em setembro de 2023, devido à possibilidade de maior representatividade das amostras coletadas. O Instituto Adolfo Lutz de São Paulo é o laboratório de referência para encaminhamento das amostras, mediante o cumprimento da definição de oportunidade de coleta (preferencialmente entre o 3º e 7º dia após o início dos sintomas).
O trabalho tem como objetivo caracterizar a circulação dos principais vírus responsáveis por SG no município de Osasco e realizar uma discussão crítica dos principais desafios na implementação e manutenção da US. A avaliação do processo realizada pelo Núcleo de Doenças Respiratórias da Vigilância Epidemiológica de Osasco (NDR – VE) é pautada por meio de indicadores, como: tempo de digitação; oportunidade de coleta (diferença entre data de coleta e data de primeiros sintomas); tempo de liberação de resultados; investigação (diferença entre a data de encerramento e data de preenchimento); e tratamento. Portanto, outro objetivo é realizar uma breve avaliação dos indicadores na US.
Neste trabalho foram levantados dados provenientes das fichas de notificação registradas no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP Gripe). Os casos selecionados para o projeto sentinela pelo PS José Ibrahin são incluídos neste sistema e posteriormente analisados pelo NDR – VE Osasco, após resultados do RT-PCR. Para determinar a etiologia da SG, cada unidade sentinela deve coletar semanalmente sete amostras clinicas de RT-PCR de secreção de nasofaringe dos casos que atendam a definição de caso de SG (cara caracterizada pelos indivíduos com febre, mesmo que referida, acompanhada de tosse ou dor de garganta, e com início dos sintomas nos últimos 07 dias). Na seleção das amostras devem ser considerados pacientes de todas as faixas etárias, sem priorizar grupos específicos. A equipe do NDR – VE é composta de duas enfermeiras sanitaristas, uma técnica de enfermagem e um agente de endemias. O trabalho deste grupo inclui reuniões periódicas junto à US para discussão de resultados, e realiza-se o tratamento e acompanhamento de informações incluídas no SIVEP Gripe. Durante as reuniões periódicas com a US pudemos levantar os principais pontos de dificuldade na operacionalização do projeto e propostas de melhorias. Estes resultados também são discutidos semestralmente em reunião e apresentação de resultados junto ao Grupo de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo.
No ano de 2024 a vigilância sentinela de SG teve o objetivo de identificar diferentes tipos de vírus em circulação em Osasco. Na proporção geral, o vírus respiratório predominante é o Rinovírus (38,33%), seguido pelo SARS-COV-2 com 15,86%. Nas crianças menores de 2 anos, o Rinovírus foi o de maior detecção (68,4%), com a segunda maior frequência de Adenovírus (21,1%). Já na faixa etária da população maior que 60 anos, o SARS-COV-2 foi o principal causador das SG (43,8%), seguido pelo Rinovírus (37,5%). A taxa de negatividade das amostras nas últimas semanas do ano foi pauta de discussão com a US, e tem como fundamento a coleta fora da janela de oportunidade, por falta de casos que se encaixassem nos critérios de seleção, especialmente nas datas próximas a feriados. A seleção dos pacientes é realizada na ala de Classificação de Risco, anterior ao atendimento médico, portanto solicitamos que fosse realizada a confirmação da duração de sintomas para seleção dos casos. A estratégia de agilizar o atendimento dos casos selecionados, diminuindo o tempo de espera, garante que seja atrativo ao paciente que concorda em participar. A coleta é realizada antes do atendimento médico também para que não seja perdida a oportunidade de captar pacientes. O tratamento realizado com o antiviral Oseltamivir também é um ponto crítico, pois a prescrição muitas vezes não é registrada na ficha de atendimento do paciente pelo médico, e a informação se perde.
Com relação aos principais desafios o NDR-VE trabalhou junto à US para tentar sanar alguns deles. Foi criada uma ficha específica para registro de prescrição do antiviral, que fica fora das salas de atendimento do projeto sentinela (que são fixas e normalmente tem atendimento pelos mesmos médicos), além da sensibilização dos médicos para colaboração com o projeto. A equipe de enfermagem necessita também de sensibilização, para executar as coletas conforme o cronograma. A falta de profissionais de enfermagem e a demanda excessiva dos serviços dificulta a adesão da equipe no geral. O balanço dos indicadores de 2024 foi positivo, com pontos de melhora no tratamento e oportunidade de coleta. As discussões com a US e instâncias superiores fortalecem o laço de cooperação entre as equipes e o processo em si.
Vigilância Sentinela, Síndrome Gripal, NDR-VE
MARTA MOTTER MAGRI, VALERIA ALVES PEIXINHO, DOMENICA APARECIDA VENEZIANO URBANO DA SILVA, LUCAS SILVA PAVAN PINTO, SATIRO MARCIO IGNACIO JUNIOR