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Este trabalho traz a perspectiva dos profissionais da equipe multiprofissional sobre o processo de implantação do serviço e início dos atendimentos à população no Centro de Referência da Dor Crônica Oeste (CRDOR CRÔNICA). O serviço se encontra localizado na zona oeste de São Paulo, possui como território de referência três subprefeituras: Butantã, Lapa e Pinheiros, sendo divididas em duas Supervisões Técnicas de Saúde: Butantã e Lapa/Pinheiros com população estimada, em 2023, de 1.082.874 habitantes. Foi inaugurado em dezembro de 2023, porém a equipe passou a se estruturar e realizar encontros de planejamento para a implantação do serviço em outubro de 2023. O escopo de atuação da equipe se dá aos quadros de dores crônicas que não obtiveram resultados satisfatórios na rede de atenção à saúde, demandando um cuidado especializado e multiprofissional. Em uma perspectiva macro do tema podemos pontuar que a dor crônica é um problema de saúde pública, estima-se que de 15% a 25% dos adultos sofrerão de dor crônica em algum momento da vida. Além disso, é uma das queixas mais frequentes apresentada nos serviços de saúde como um todo, pois cerca de 70% das pessoas atendidas na rede referem a dor como queixa principal. Neste sentido, o CRDOR CRÔNICA foi pensado como estratégia de intervenção na rede do município, para evitar peregrinação por vários serviços na rede, visando melhorar a qualidade de vida e a assistência integral desta população.
Objetivo Geral: Apresentar as percepções dos profissionais da equipe multiprofissional sobre o primeiro ano de implantação do Centro de Referência da Dor Crônica Oeste- São Paulo. Objetivos específicos: Compreender o papel do CRDOR na rede de atenção à saúde; Levantar equipamentos do território da área de abrangência; Articular com a Apoiadora Técnica, Supervisões Técnicas de Saúde Oeste e Coordenadoria Regional de Saúde Oeste espaços de apresentação do serviço in loco; Elaborar projetos terapêuticos singulares dos casos admitidos em equipe; Discutir em rede casos complexos.
Antes da implantação do serviço, a equipe multidisciplinar exerceu atividades de elaboração de processos de trabalho e fluxos para a implantação do equipamento, sendo assim, foram pensados momentos preparatórios e discutidas as etapas necessárias para início das atividades e atendimento à população. Inicialmente tivemos como proposta o processo de educação continuada, em forma de encontros presenciais, para alinhamento técnico e compreensão do papel do serviço na rede de cuidados às condições crônicas. Posteriormente, no mesmo formato, foram realizados encontros para elaboração de protocolos, instrumentos de avaliação e estruturação de grupos a serem ofertados. Concomitantemente, foi realizado o levantamento dos serviços disponíveis dentro das duas Supervisões Técnicas de Saúde para articulações em rede, visando a continuidade de cuidado durante o período de atendimento no serviço, que pode variar de 3 meses a um ano conforme protocolo. Em paralelo, foram realizadas visitas às Unidades Básicas de Saúde para conhecimento da realidade local e apresentação do serviço CRDOR com os critérios de elegibilidade e exclusão. Com o início dos atendimentos aos usuários da rede a equipe passou a realizar as avaliações multiprofissionais, construção de projetos terapêuticos singulares (PTS), atendimentos individuais e grupos. Sendo realizadas articulações com as unidades de referência para discussão de casos complexos.
A equipe avaliou positivamente, de forma qualitativa, a etapa de elaboração de processos de trabalho, instrumentos e fluxos para a implantação do serviço, tendo em vista que foi possível realizar um alinhamento inicial, sendo um facilitador no processo apresentação do serviço para a rede. No período de doze meses, após o início dos atendimentos à população, foram realizadas 860 avaliações multiprofissionais. Outro aspecto observado positivamente pela equipe é a aplicação do PTS e a compreensão da importância dessa proposta de cuidado pelo usuário.
Neste breve período de funcionamento do CRDOR CRÔNICA, a equipe considera que a implantação deste equipamento no território foi imprescindível devido às demandas de dores crônicas apresentadas e encaminhadas para o serviço, tendo em vista que a perda primária das vagas ofertadas para este atendimento não possui dados significativos. Destacamos a importância do processo de alinhamento, aprimoramento e troca de experiências na condução dos casos. Para concluir, consideramos de suma importância os espaços de discussão em equipe local e também matriciamento com as unidades encaminhadas para garantia a médio e longo prazo dos resultados observados e qualificação do cuidado.
dor crônica, centro de rederência da dor crônica
NATALIA GOTARDO MUNIZ DE SOUZA, JULIANA OLIVEIRA CANDIDO, SAMIRA APARECIDA LIMA FERREIRA