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O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) visa fortalecer a formação de estudantes de cursos de graduação e de profissionais de saúde atuantes no Sistema Único de Saúde – SUS. Em um contexto de desigualdades, diante da importância do desenvolvimento de um ambiente de inclusão e pertencimento, que valorize a diversidade e promova a equidade, a Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto (SMS-RP) e Universidade de São Paulo – Ribeirão Preto elaboraram o projeto “Fortalecendo a integração entre ensino, serviço e comunidade: PET-Saúde Ribeirão Preto, SP pela equidade para as trabalhadoras do SUS”. Este projeto visa à sensibilização das trabalhadoras, trabalhadores, docentes e estudantes na adoção de comunicação não-violenta e práticas humanizadas na relação do trabalho na saúde (eixo 1) o reconhecimento dos diferentes fatores que promovem o sofrimento mental e as violências relacionadas ao trabalho na saúde, bem como a garantia de ações de promoção e reabilitação da saúde mental (eixo 2) e, o acolhimento no processo de maternagem com a valorização de mulheres, homens trans e outras pessoas que gestam (eixo 3). A equipe atuante neste projeto é composta por coordenador, orientadora de serviço, preceptores, coordenadoras de grupos, tutores e estudantes de cursos de graduação na saúde e em ciências humanas e sociais. Ao aprimorar a formação dos estudantes e o trabalho dos profissionais da saúde, espera-se benefícios diretos e indiretos aos usuários do SUS.
Relatar avanços e desafios no desenvolvimento da proposta “Fortalecendo a integração entre ensino, serviço e comunidade: PET-Saúde Ribeirão Preto, SP pela equidade para as trabalhadoras do SUS” do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde, 11ª edição – Equidade).
Os estudantes, preceptores e tutores estão distribuídos em cinco grupos tutoriais (GTs), que estão desenvolvendo atividades nos três eixos relacionados a valorização das trabalhadoras do SUS. Para identificar o contexto de trabalho nas unidades da rede de atenção à saúde, aproximar-se das trabalhadoras e trabalhadores e vivenciar um pouco da rotina no SUS, os estudantes realizaram visitas aos serviços assistenciais e no âmbito da gestão em saúde no município. Concomitantemente também realizaram buscas na literatura e em legislações e participaram de Conferências Municipais para fundamentar a desenvolvimento das ações dos GTs. Por meio de reuniões semanais, estudos, discussões, oficinas e rodas de conversa, os GTs planejaram ações para realização com trabalhadoras e trabalhadores. Além disso, houve aproximação dos GTs com representantes da gestão, como coordenadorias de saúde e recursos humanos, para estruturar ações e estratégias que pudessem permanecer para a SMS-RP após a finalização do projeto. Para possibilitar momentos de integração entre os GTs, mensalmente é realizado um encontro geral. Nesses encontros, diferentes estratégias são utilizadas: mesa-redonda, discussões em grupos, apresentação dialogada, vivências (capoeira, dança circular, cultura quilombola, batalha de rima).
Os GTs têm desenvolvido as ações nos 3 eixos: formas de preconceito e discriminação saúde mental e violência no trabalho e, processos de maternagem, com elaboração de zines, folders, filmes curtos e teatro fórum para abordagem das temáticas com os trabalhadores e trabalhadoras. Os GTs realizaram rodas de conversa (sobre gestação, puerpério, etarismo, violências e racismo), oficinas de sensibilização (com a temática LGBTQIAPN+), apresentação dialogada (no Programa de Integração ao Trabalhador e no Encontro Municipal de Aleitamento Materno) e ações de cuidado em saúde (práticas integrativas e complementares, vivência na Semana de Enfermagem e na Semana de Prevenção de Acidentes de Trabalho) no SUS. As ações foram realizadas tendo como público-alvo diferentes categorias profissionais, em unidades de saúde e em eventos da SMS-RP. Houve aproximação inicial com movimentos sociais, visando fortalecimento de integração. Cabe destacar que as ações do PET-Saúde também colaboraram para disparar a formação de uma Comissão de Prevenção e Atenção ao Assédio Moral e Sexual e da Discriminação e para elaborar um Protocolo na SMS-RP. A interprofissionalidade tem agregado experiências a partir de núcleos de conhecimento, ampliando a formação dos estudantes no e para o SUS. As ações sobre diversidade, raça, violência e assédio vislumbram o legado que o PET-Saúde poderá deixar. O desafio está sendo desenvolver atividades a partir dos horários dos estudantes, e disponibilidade dos serviços.
O PET-Saúde fortalece a integração ensino-serviço-comunidade, promove formação qualificada de estudantes e conecta saberes/experiências da Universidade e da RAS. As ações realizadas pelo PET-Saúde com trabalhadores e trabalhadoras tem abordado temáticas necessárias e relevantes para discussão da equidade e da valorização de trabalhadoras e futuras trabalhadoras no contexto do SUS. A formação de estudantes com abordagem para fortalecer a atuação interprofissional, inclusive com integração de cursos de Ciências Humanas e Sociais, é essencial e para isso, sugere-se que as Universidades não atribuam aulas em dias/períodos comuns aos diferentes cursos da instituição.
Sistema Único de Saúde, Equidade
LAUREN SUEMI KAWATA, LUCAS PEREIRA DE MELO, LUCIANE LOURES DOS SANTOS, CAMILA DE MORAES, PATRÍCIA LEILA DOS SANTOS, LUANA PINHO DE MESQUITA LAGO, ÁTILA ALEXANDRE TRAPÉ