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Desde 1989, o Ministério da Saúde, por meio do Instituto Nacional de Câncer (INCA), desenvolve o Programa Nacional de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco de Câncer, envolvendo ações nas áreas de saúde, educação, legislação e economia. De modo descentralizado, em parceria com os Estados e Municípios, são capacitados recursos humanos das secretarias estaduais de saúde e de educação, que por sua vez capacitam equipes municipais para desenvolverem atividades de gerenciamento operacional e técnico do Programa. Entre tantos programas citados pelo Ministério da Saúde, as Práticas Integrativas Complementares em Saúde (PICS) são uma das ferramentas utilizadas no cuidado relacionado ao uso de tabaco. As PICS, como são conhecidas no Brasil, fazem parte das práticas denominadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) de Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI). As MTCI se referem a um amplo conjunto de práticas de cuidado em saúde que podem variar de país a país, e das práticas instituídas no sistema convencional de saúde. Este relato de experiência dialoga com práticas e teorias encontradas na literatura sobre “Técnicas de Terapia Cognitiva” no cuidado de pessoas tabagistas, bem como o uso de PICS no processo de manutenção e prevenção do cuidado aos usuários de tabaco.
Descrever o uso de PICS no processo de manutenção e prevenção do cuidado de usuários de tabaco, e também facilitadoras da promoção do autoconhecimento e autoconsciência.
Este trabalho foi realizado em uma Unidade de Saúde (UBS) da região Sul de São Paulo, em um grupo anti-tabagismo que acontece semanalmente, sob a liderança do psicólogo, nutricionista e médico generalista da unidade. É um grupo fechado, onde novas turmas são abertas a cada trimestre, e onde são aplicadas PICS, tais como: relaxamento/meditação, auriculoterapia, Terapia Comunitária Integrativa. Além das práticas complementares, conta-se com a abordagem terapêutica da Terapia Cognitiva Comportamental. As discussões são realizadas em rodas de conversas, com intervenções dos profissionais e técnicas comportamentais, fazendo com que o paciente desenvolva sua autocrítica e passe a se questionar. Nos encontros sempre se ressalta a importância do autoconhecimento, do autocuidado e do aumento de repertório cognitivo no que se refere ao tabagismo, e as práticas/técnicas são aplicadas de acordo com a demanda encontrada pela equipe no momento do atendimento. Para a sua realização utiliza-se da busca por literatura, que apresentam conhecimento teórico e várias técnicas para ampliar a gama de intervenções, considerando cada caso apresentado, de maneira personalizada e individualizada, entendendo o paciente/usuário como co-gestor do seu plano terapêutico, buscando que a teoria e prática “caminhem” juntas.
Durante o ano de 2023 tivemos uma média de 5 participantes em cada grupo (turma trimestral). As técnicas realizadas durante os encontros mostraram comportamentos disfuncionais e pensamentos automáticos que levam os pacientes a aceitar crenças centrais, profundamente enraizadas em suas mentes, raramente questionadas e frequentemente tratadas como verdades inquestionáveis. A melhoria na qualidade de vida é um resultado recorrente nos relatos, assim como a socialização, mostrando que as PICS têm sido utilizadas de forma mais ampla, além do simples tratamento de queixas específicas. As PICS não se centram em patologias instaladas ou com probabilidades de serem contraídas, mas se relacionam com uma dimensão de viver do sujeito (LUZ, 2013).
Considerou-se que a aplicação das PICS no grupo anti-tabagismo foi uma ferramenta bastante eficiente para a adesão e reflexão dos participantes, possibilitando uma abordagem diferenciada de técnicas promotoras de mudanças no padrão comportamental relacionado ao uso do tabaco. E tal fato, pôde ser observado com a redução considerável do uso da droga (garantida pelo plano de redução de danos), assim como a suspensão total de seu uso por parte dos usuários.
anti-tabagismo, PICS, autoconhecimento
Joel Leite da Silva, Diana Ulhôa Cintra de Oliveira Santos, Bárbara Aparecida Lollato, Heloísa Hitomi Handa