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As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) são definidas como o conjunto de ações e práticas terapêuticas que tem como objetivo a complementação e integração das ações em saúde, culminando assim na percepção do processo saúde-doença sob uma perspectiva ampliada. Propiciam o cuidado centrado no indivíduo, direcionando o estímulo dos mecanismos naturais e intrínsecos do organismo, abrangendo o reequilíbrio e estímulo integral dos potenciais endógenos. A Política Nacional de Práticas Integrativas (PNPIC) garante a utilização legal das PIC no âmbito do SUS, além de assegurar a integralidade do cuidado, constatando sua importância e eficácia comprovada na resolução das demandas de saúde. No âmbito da saúde pública, a Atenção Primária no Brasil vem se tornando efetiva através da Estratégia de Saúde da Família (ESF), possibilitando que seja vista como um local propício para as práticas de PICS, considerando a proximidade dos profissionais de saúde da realidade sociocultural dos usuários, e o acompanhamento longitudinal. Dentre as PICS, destaca-se a auriculoterapia. Caracterizada como uma das modalidades terapêuticas da Medicina Tradicional Chinesa, engloba o contexto físico, mental e espiritual do indivíduo. Essa prática defende a ideia de que o pavilhão auricular corresponde a todo o organismo, o qual requer equilíbrio de corpo, mente e espírito e, quando em desequilíbrio, tem a possibilidade de ser tratado por intermédio do estímulo de pontos auriculares.
Relatar a experiência sobre a implantação de auriculoterapia em uma unidade de estratégia de saúde da família do interior de São Paulo. Descrever as potencialidades de inserção das práticas integrativas em unidade de estratégia de saúde da família. Fortalecer a pratica de PICS entre os profissionais de saúde da atenção primária. Relatar a pratica exitosa desta experiência.
Trata-se de uma experiência exitosa, realizada na Unidade de Estratégia de Saúde da Família (ESF) Jovina Maria de Jesus, situada no município de Piedade/SP. A unidade dispõe de 1 equipe mínima de Saúde da Família, composta por 1 enfermeira, 1 médico, 2 auxiliares de enfermagem e 5 agentes comunitários de saúde com o quantitativo aproximado de 2615 cadastros vinculados, tem seu territorio formado por area rural. A enfermeira da unidade participou da Formação em Auriculoterapia para profissionais de saúde da Atenção Básica, realizada pelo Ministério da Saúde em convênio com a Universidade Federal de Santa Catarina, onde após a certificação da mesma, a gestão local de saúde forneceu os materiais para que a prática pudesse ser realizada na unidades de saúde e fomentou sua implantação. Foram realizadas sessões de auriculoterapia nos profissionais atuantes na unidade (agentes comunitários de saúde e auxiliares de enfermagem), como forma de sensibilizar a equipe acerca do novo método disponível para a população e durante as consultas de enfermagem, com predominância nos atendimentos à saúde da mulher e adulto, a enfermeira realizava uma breve explicação sobre a prática da auriculoterapia e, com o consentimento do paciente, realizava a primeira sessão. A aderência tem aumentado substancialmente, o que tem fortalecido o cuidado integral ao paciente.
Houve um aumento significativo no número de sessões de auriculoterapia realizadas na unidade, o que fortalece a pratica profissional e amplia o vinculo paciente-unidade. Houve boa procura e aderencia ao metodo de pratica integrativa e as principais queixas relatadas foram: ansiedade, dores musculares e ósseas, hipertensão arterial, depressão e compulsão alimentar. A partir da primeira sessão, o profissional consegue ter maior perspectiva das queixas realizadas, o que permite maior visão de saúde, e dessa forma, após plano terapêutico firma, já na sessão subsequente os pacientes tem relatado melhora dos sintomas apontados, dessa forma difundem a PICS na comunidade. Foi organizado um ciclo com a aderência de 20 pacientes, onde cada paciente passou por 4 sessões, sendo uma a cada semana. Ao termino do ciclo, observou-se o absenteísmo de apenas 3 pacientes. Dos 17 que continuaram, 11 relataram melhora substancial do quadro inicial, 5 relataram cura da queixa inicial. O projeto fomentou novos ciclos na mesma unidade, e a mesma tem servido de referencia para a implantação do mesmo escopo em outras unidades de saúde do município. O reconhecimento e sucesso da pratica tem fortalecido a equipe e o vinculo com a comunidade.
As PICS, no contexto da Atenção Básica, estão presentes como estratégia complementar aos cuidados biomédicos, tornando-se mais potentes na investigação, cuidado e cura, e no autocuidado, ao integrar saberes. A introdução da auriculoterapia no município tem sido marcada por aprendizados e desafios. A divulgação feita por etapas e pela prática boca-a-boca tem funcionado e bons frutos foram colhidos. A população apresentou aceitação e interesse na realização da prática e, foi possível perceber que os próprios usuários incentivavam outros a realizar as sessões, a partir da experiência positiva que tiveram. Esclarece-se porém que ainda tiveram casos em que os usuários apresentaram preferência pelo método biomédico de tratamento. Tem-se como meta para o ano de 2025 ampliar a divulgação da prática entre os usuários e aumentar o número de sessões ofertadas na unidade, além de implantar a prática em outras unidades de saúde no município, uma vez que a expansão das PICS na Atenção Básica é um processo contínuo, que demanda avaliação frequente, sendo imprescindível a participação de trabalhadores, gestores, usuários e comunidade local.
Praticas Integrativas, Auriculoterapia, APS
MARIA PAULA DE CAMARGO BRANTS, ANDREA DE CARVALHO FERRI, GILBERTO LEANDRO FILHO