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Em 2024, o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) fez mudanças significativas relacionadas a gestão e planejamento de Enfermagem: revogou a resolução 543/2017, que tratava do dimensionamento de Enfermagem e instalou o PARECER NORMATIVO Nº 1/2024/COFEN, que estabelece os parâmetros para o planejamento da força de trabalho da Enfermagem pelo Enfermeiro. Tais mudanças trouxeram a exigência da realização do Planejamento de Enfermagem em todas as unidades de saúde, conforme disposto em nossa Lei do Exercício Profissional, Lei nº 7498/86, conforme podemos citar em seu Art 3º: “O planejamento e a programação das instituições e serviços de saúde incluem planejamento e programação de enfermagem.” ¹ A partir desta publicação houve alteração nos instrumentos de fiscalização dos Conselhos Regionais de Enfermagem (Coren) e as unidades de saúde passaram a ser notificadas quanto à necessidade de realização do planejamento de Enfermagem. Neste trabalho será demonstrado a importância do processo de construção destes planejamentos nas Unidades de Saúde da rede municipal de Ribeirão Preto, bem como a apresentação dos dados dos planejamentos realizados das unidades e os resultados já disponíveis após as implementações das matrizes de intervenção.
Relatar o processo de construção do planejamento de Enfermagem na rede municipal de saúde, bem como os resultados disponíveis após as implementações realizadas.
Em 2023, a Divisão de Enfermagem iniciou a capacitação dos enfermeiros em gestão e Planejamento Estratégico Situacional (PES). Em 2024, o Coren passou a fiscalizar as unidades de saúde de Ribeirão Preto para garantir o PES de Enfermagem, uma prática inédita. Para esclarecer o processo, a Divisão de Enfermagem se reuniu com representantes do Coren-SP e criou um modelo de planejamento baseado no PES, que inclui diagnóstico situacional para identificar e resolver problemas. Foram definidos indicadores para a atenção básica, especialidades e saúde mental, focando em dados para aprimorar o trabalho da Enfermagem e promover intervenções. Na atenção básica, os indicadores incluíram número de atendimentos realizados, porcentagem de atendimentos programados e espontâneos, puericultura, testes rápidos, exames de pé diabético e análise de agendas de enfermeiros. Para as especialidades e saúde mental, também foram criados indicadores específicos. Esses indicadores seriam avaliados a cada quadrimestre, com a primeira análise iniciada em setembro de 2023. Nos primeiros meses de 2024, foram realizadas reuniões orientativas sobre o planejamento e diagnóstico situacional. Após o envio dos planejamentos, a equipe técnica da Divisão de Enfermagem analisou os dados e fez novas reuniões para orientar os próximos passos do PES e as matrizes de intervenção. Em junho e agosto foram realizadas apresentações sobre o impacto das intervenções na qualidade da assistência de Enfermagem.
Na reunião de maio, observou-se que 20 das 42 unidades de atenção básica enviaram planejamentos de Enfermagem para o último quadrimestre de 2023, com 14 apresentando dados incompletos ou incongruentes. Apenas 6 permitiram análise completa, com oportunidades de melhoria, como: baixo número de grupos com usuários, divergência nos registros de procedimentos, baixa realização do teste do pé diabético e dos testes de sífilis em gestantes. Na reunião de junho, 13 unidades enviaram seus planejamentos, sendo discutidas incoerências nos indicadores, como a quantidade de grupos e reuniões mensais de equipe de enfermagem, que resultou em esclarecimentos sobre forma de identificação e cálculos corretos dos dados. Além disso, foram apresentadas matrizes de intervenção, destacando o sucesso de uma unidade em melhorar o lançamento de procedimentos e a taxa de atendimento nas consultas de puericultura e pré-natal. A maioria das matrizes priorizou a realização de reuniões mensais da equipe de enfermagem, a capacitação para o exame do pé diabético e a melhoria no teste de sífilis nas gestantes. No setor de saúde mental, 3 das 6 unidades enviaram seus planejamentos, apontando para a otimização da agenda do enfermeiro e melhora dos registros de procedimentos. No setor de especialidades, 5 das 9 unidades enviaram seus planejamentos, identificando melhorias como a criação de grupos de usuários, a implementação de reuniões de equipe e a redução do absenteísmo nas consultas.
O planejamento das unidades de saúde realizado através do planejamento estratégico situacional com elaboração de indicadores e de matrizes de intervenção mostrou-se instrumento eficaz, trazendo reflexões e contribuições importantes para mudanças significativas no processo de trabalho da Enfermagem e na assistência à saúde dos usuários do Sistema Único de Saúde.
planejamento, enfermagem, indicadores
ANA CAROLINA TELES FLÁVIO, KARINA DOMINGUES DE FREITAS, LAUREN SUEMI KAWATA, LILIAN CARLA DE ALMEIDA PERECIN, MARIA DE FÁTIMA PAIVA BRITO, MARIANE FABIANI CICCILINI SIMÕES