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A Planificação da Atenção à Saúde (PAS) constitui um instrumento estratégico de gestão e organização da Atenção Primária à Saúde (APS), promovendo sua integração com a Atenção Ambulatorial Especializada (AAE) no âmbito das Redes de Atenção à Saúde (RAS).¹ Portanto a PAS configura-se como uma estratégia para qualificar as respostas do Sistema Único de Saúde às necessidades da população, tendo como objetivo apoiar as equipes técnicas das secretarias estaduais e municipais de saúde, bem como os profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e da Estratégia Saúde da Família (ESF), na organização dos macros e microprocessos da Atenção Primária à Saúde.² Diante do contexto e da necessidade de reorganização da rede atenção da saúde no estado de São Paulo na região de Lagos, em maio de 2024, o projeto da PAS teve início com reuniões e participação de gestores municipais de saúde da região da saúde lagos na linha de cuidado de doenças crônicas. O planifica iniciou no município de Andradina, com atividades, workshop, oficinas e atividades envolvendo profissionais e gestores da atenção primária à saúde. Realizamos uma pesquisa com foco na percepção dos profissionais envolvidos na Planificação do SUS, com o objetivo de compreender como esse processo é vivenciado no cotidiano dos serviços de saúde. A partir da análise dessas percepções, buscou-se identificar potencialidades, fragilidades e desafios na organização do trabalho na Atenção Primária à Saúde.
Objetivos geral Verificar a percepção dos profissionais de saúde sobre a Planificação da Atenção Primária à Saúde e propor um projeto de intervenção voltado à melhoria dos processos de trabalho no Sistema Único de Saúde. Objetivos Específicos •Analisar o nível de conhecimento dos profissionais de saúde acerca da Planificação da Atenção à Saúde •Identificar as principais potencialidades e fragilidades percebidas na implementação da Planificação da Atenção Primária à Saúde •Compreender os impactos da Planificação da Atenção à Saúde na organização dos macro e microprocessos da Atenção Primária. •Levantar sugestões dos profissionais para o aprimoramento das práticas de cuidado e gestão na APS. •Elaborar um projeto de intervenção baseado nos resultados da pesquisa, visando qualificar a assistência e fortalecer os serviços de saúde.
A metodologia adotada consistiu em um estudo transversal, de caráter descritivo, com proposta de intervenção. Esse delineamento possibilitou a coleta de dados em um único momento, permitindo analisar a percepção dos profissionais de saúde acerca da Planificação da Atenção Primária à Saúde no contexto dos serviços em que atuam. A abordagem descritiva teve como finalidade caracterizar o perfil dos participantes e compreender suas experiências, percepções e desafios relacionados ao processo de planificação. A partir da análise dos dados obtidos, foi elaborada uma proposta de intervenção voltada à qualificação dos processos de trabalho, à melhoria da organização da Atenção Primária à Saúde e ao fortalecimento das ações no âmbito do Sistema Único de Saúde.
Para a realização da pesquisa, foi elaborado um questionário estruturado na plataforma Google forms, o qual foi disponibilizado a todos os profissionais atuantes na Atenção Primária à Saúde do município. A coleta de dados ocorreu durante o mês de agosto de 2025. Ao todo, 181 profissionais responderam ao instrumento. Segundo os profissionais de saúde da Atenção Primária à Saúde, 68% relataram melhorias nos processos de trabalho após a implementação do projeto de Planificação, evidenciando impactos positivos na organização dos serviços. Em análise do instrumento proposto observou-se que o principal desafio para o projeto, sendo 55,2 % descreveu o aprimoramento da capacitação e conhecimento. Dentre as sugestões destaca a temática a capacitação e treinamento. À luz dos achados identificados, a gestão municipal concebeu e instituiu um Projeto de Educação Permanente em Saúde no âmbito da Atenção Primária à Saúde, com vistas à consolidação do horário protegido como dispositivo estruturante para a qualificação contínua dos processos de trabalho. A iniciativa contempla a sistematização de espaços regulares de aprendizagem e reflexão crítica, por meio da realização de reuniões semanais das 16 equipes de ESF, bem como de encontros mensais integrados envolvendo a totalidade dos profissionais, o fechamento programado das Unidades Básicas de Saúde uma vez ao mês, pelo período de três horas, destinado exclusivamente ao desenvolvimento de ações de EPS.
As evidências produzidas por este estudo demonstram que a Planificação da Atenção Primária à Saúde é percebida pelos profissionais como um dispositivo estratégico para a reorganização dos processos de trabalho e para o fortalecimento da Atenção Primária no âmbito do Sistema Único de Saúde. A percepção majoritária de melhorias após a implementação do projeto evidencia impactos positivos na organização das práticas assistenciais, na definição de fluxos, na integração das equipes e na qualificação do cuidado ofertado à população. A partir dos achados, a institucionalização da Educação Permanente em Saúde emergiu como elemento central para a consolidação das mudanças propostas pela Planificação, configurando-se como uma estratégia fundamental para a sustentação das transformações no cotidiano dos serviços. O estabelecimento do horário protegido, aliado à pactuação com as instâncias de controle social, reforça o compromisso da gestão municipal com a valorização dos trabalhadores e com a qualificação contínua da atenção. Dessa forma, conclui-se que a articulação entre Planificação da Atenção à Saúde e Educação Permanente contribui de maneira significativa para o fortalecimento da Atenção Primária, favorecendo práticas mais resolutivas.
Atenção Primária à Saúde, Planificação.
DIONER DA SILVA PAULA, MARISTELA RODRIGUES MARINHO, JAQUELINE SILVA DE FREITAS FERNANDES, ESTELA YAMAMOTO QUEIROZ, MAYRA KOTAKI ITAO, ALINE MARIA DE LIMA DE OLIVEIRA, MONIELLY DI CARLA BONFIM, RAFAELA BECCARIA CALESTINI SARANTE, KATIA DE OLIVEIRA ALMEIDA ARAÚJO CRUZ, REGIANE VITORIA MOTTA DE MEDEIROS