Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A dengue é uma doença viral em que é transmitida por vetores, sendo o principal o Aedes aegypti. Ela é caracterizada por ser uma doença febril aguda, sistêmica, dinâmica, debilitante e autolimitada, em que o indivíduo pode evoluir para formas graves e óbito, sendo que o óbito pode ser evitado e depende, na maioria das vezes, da qualidade da assistência prestada e organização da rede de serviços de saúde. O enfrentamento deste problema de saúde pública requer ação multisetorial e estratégias articuladas dos vários segmentos da gestão municipal. A magnitude, transcendência e vulnerabilidade apresenta perfil com aumento da gravidade dos casos em todo o Estado de São Paulo. Entre os meses de abril/2023 e maio/2023 foram observados aumento dos casos notificados de dengue no município de Santa Branca/SP e falha nos acompanhamentos pelas equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF) e da Vigilância em Saúde. As falhas se dão em identificar os casos positivos e suspeitas, controle vetorial, bloqueio de transmissores e ações como o “casa-a-casa”.
Identificar os casos positivos, suspeitos e negativos de dengue; solicitar sorologia para os casos suspeitos de dengue que negativaram após a realização de NS1; investigar outras patologias em casos negativos (NS1 e sorologia); monitorar os casos; mapear as áreas com maiores notificações; programar ações de controle vetorial e bloqueio de transmissores; melhorar a comunicação entre as equipes de ESF e a Vigilância em Saúde; acompanhar os pacientes de forma sistemática.
A Vigilância em Saúde após receber as notificações preenche na “Planilha de Acompanhamento Dengue (Vigilância em Saúde + ESF” na “Planilhas Google” disponível no Google Drive os seguintes dados: nome; data de nascimento; endereço; qual ESF de referência; resultado NS1; resultado sorologia; se o paciente foi internado; data dos primeiros sintomas; data da coleta para sorologia (após 07 dias do 1º sintoma); data de notificação; data de visita dos vetores; descrever se foi encontrado larvas na casa do paciente; descrever se houve viagem nos últimos 15 dias e se houve viagem para a zona rural; data da coleta de sorologia; datas das visitas domiciliares dos ACS; datas de consultas e intercorrências/observações. Os dados iniciais são preenchidos conforme as notificações entregues ao setor de Vigilância e os demais dados conforme as equipes realizam as visitas e acompanham/monitoram os casos. O item visita na zona rural nos últimos 15 dias possui como proposta identificar possíveis casos de febre maculosa. As equipes de ESF, as coordenadoras das unidades básicas de saúde (UBS), a equipe de Vigilância em Saúde e a Diretoria de Atenção Básica possuem acesso à planilha. O Diretor de Atenção Básica é o responsável pelo gerenciamento da planilha, em que analisa se os dados estão preenchidos adequadamente.
No período de maio/2023 até 15/02/2024 foram notificados 249 casos, dentre eles 64 casos positivos no NS1. Foram realizadas coletas de sorologias e alguns pacientes recusaram a intervenção. Foi possível observar o empenho das equipes e melhora do entendimento em que o controle vetorial e monitoramento dos casos deve ser feito pelo Atenção Básica e Vigilância em Saúde. Foi realizado bloqueio de transmissores. Destaco que em uma semana cerca de 400 imóveis foram visitados, com orientações aos moradores e ações mecânicas e coletas de larvas. Após as coletas de larvas, elas passam por análise e a Vigilância em Saúde entra em contato com o resultado. Foram agendados hemogramas nos casos confirmados e sorologia para os casos suspeitos. Em ambos foi realizada visita domiciliar inicial e monitoramento via ligação telefônica até após 48h de interrupção dos sintomas. Foram entregues materiais gráficos sobre as orientações.
É possível concluir que o acompanhamento dos casos de arboviroses é multifatorial e interdisciplinar. Durante todo o período em que houveram casos ou suspeitas de dengue os ACS realizaram o “casa-a-casa” durante o processo de trabalho e em todos os territórios, com urgência maior nas micro áreas com maiores incidências de notificações. Foi possível identificar criadouros e focos de acúmulo de água, orientar a população quanto à prevenção da dengue, identificar sinais e sintomas, e, zonas de risco. É atribuição de todos o registro adequado de toda a rotina de trabalho, identificando e registrando as situações que interfiram no curso das doenças ou que tenham importância epidemiológica relacionada aos fatores ambientais, realizando, quando necessário, bloqueio de transmissão de doenças infecciosas e agravos, encaminhar usuários para a unidade de saúde de referência, registrar e comunicar o fato a gestão. Sendo também de responsabilidade e de comum atribuição das equipes informar e mobilizar a comunidade para desenvolver medidas simples de manejo ambiental e outras formas de intervenção no ambiente para o controle de vetores e orientar comunidade sobre sintomas, riscos e agentes transmissores de doenças e medidas de prevenção.
Dengue, monitoramento, ESF, bloqueio; vigilância.
Caio da Cunha Pinto