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Nas últimas décadas, mudanças políticas, econômicas e socioculturais alteraram o modo de vida da população, ocasionando uma transição demográfica, epidemiológica e nutricional. O aumento da expectativa de vida e a redução da natalidade modificaram o perfil epidemiológico, fazendo das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) um grave problema de saúde pública. Essas doenças – como cardiovasculares, respiratórias, câncer e diabetes – são responsáveis por cerca de 36 milhões de mortes globais, impactando a qualidade de vida e gerando custos econômicos elevados. Fatores de risco modificáveis – alimentação inadequada, tabagismo, uso abusivo de álcool e sedentarismo – são centrais para a prevenção das DCNT. Diversos planos foram implementados para reduzir os índices de morbimortalidade, como o Plano de Ações Estratégicas (2011-2022), revisado para o período 2021-2030, que enfatiza a vigilância, a promoção da saúde e o atendimento integral. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também recomenda o monitoramento contínuo desses fatores, com metas específicas como a campanha “Mundo Livre do Tabaco” e a prática regular de atividade física (150 a 300 minutos semanais), que comprovadamente melhora diversos indicadores de saúde. A pandemia de COVID-19 agravou o cenário ao reduzir a atividade física, aumentar o consumo de álcool e tabaco e dificultar o acesso aos serviços de saúde, impactando negativamente o controle das DCNT. Diante desse contexto, torna-se urgente retomar ações.
Construir a linha de cuidado para DCNT no município de Uru. 1.Acompanhar através dos indicadores do Previne Brasil o acesso aos hipertensos e diabéticos 2.Realizar estratificação de riscos dos pacientes hipertensos e diabéticos 3.Rever ações e estratégias para que o município consiga completar uma equipe matricial de referência 4.Organizar espaços de Educação Permanente e continuada, voltada para as DCNT em parceria com as redes de atenção à saúde 5.Melhorar a divulgação e campanhas de comunicação sobre os riscos das DCNT, com foco na alimentação saudável, prática de atividade física e cessação do tabagismo 6.Reativar grupos na UBS com foco na alimentação saudável, prática de atividade física e cessação do tabagismo 7.Desenvolver projeto de acesso aos alimentos saudáveis para população de risco 8.Articular parcerias com as secretarias municipais para eventos de promoção à saúde 9.Articular com a CIR regional a melhoria da comunicação da referência e contra referência
Analíse situacional e desenvolvimento de matriz FOFA para identificar as fortalezas e dificuldades do ambiente.
Fortalezas no ambiente interno Estratégia de Saúde da família implantada em 100%, 100% população cadastrada no município. Prontuário eletrônico do paciente. Motivação da equipe gestora e equipe técnica Busca ativa e rastreamento dos usuários pelos Agentes comunitários de Saúde. Horário estendido de atendimento na unidade 07-23h. Academia da Saúde fraquezas no ambiente interno Alta rotatividade de médicos no Programa Saúde da Família. Ausência de protocolos clínicos e diretrizes de cuidado para DCNT. Dificuldade de adesão aos planos terapêuticos e mudanças no estilo de vida. Alteração no processo de trabalho devido a pandemia de COVID-19. Falta de campanhas específicas e divulgação dos cuidados para portadores de DCNT. Déficit financeiro. Oportunidades ambiente externo: Participação do Projeto DCNT da Secretaria do Estado de São Paulo Portarias MS 894/2021 Portaria ESPIN 2.994/2020, Participação no Projeto ArticulaRRAS Participação do curso Advocacy e Políticas Públicas para o enfrentamento das DCNTS. Parceria com as demais secretarias municipais para mobilização de ações de enfrentamento. Campanhas para prevenção e promoção à saúde. Ameaças ambiente externo: Pandemia de COVID-19 Rede desarticulada e com falha na comunicação. Referência e contra referência prejudicada na regional. Adesão do paciente.
Identificar o diagnóstico situacional de um município e estabelecer metas para melhorias da assistência à saúde é de suma importância para evolução do processo de cuidar na Atenção Básica. Identificar seu processo de trabalho, suas dificuldades e interferências são ferramentas de gestão capazes de modificar o cenário atual, mesmo que de forma gradativa. Demonstrar a necessidade de trabalhar com linha de cuidado para DCNT, com foco no diagnóstico, tratamento e prevenção de diabetes e hipertensão, bem como em seus fatores de risco como obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada norteia as ações que serão estabelecidas a partir de agora. Retomar projetos que foram suspensos por conta da pandemia de COVID-19, bem como a criação de novos, com foco nesta temática será um trabalho gradativo, porém com acompanhamento contínuo para que sejam alcançadas as metas estipuladas. Acredita-se ser um desafio para Uru a pactuação com os serviços de média complexidade, com oferta de exames e consultas ambulatoriais, uma vez que a oferta é pequena. Também outro desafio ocorre em decorrência do baixo financiamento do SUS sobrecarregando o município, que oferece um aporte financeiro em torno de 25,78 % do seu orçamento em saúde.
plano de ação de DCNT, ações de prevenção
PRICILA CAPOSSI BRITO SIVIERO, ADRIANA BOUÇAS RIBEIRO