Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A cidade de Santos, conhecida por possuir o maior porto da América Latina, foi por muito tempo um dos maiores centros financeiros do país. A partir da década de 70, ocorreram mudanças no cenário político e industrial que contribuíram para o empobrecimento da área central de Santos. Essa decadência fez com que a região se tornasse um local de predominância de cortiços, atraindo famílias de baixa renda, pessoas em situação de rua e profissionais do sexo. Estas últimas não possuem nenhuma política pública específica, apesar de todas suas demandas de cuidados. A prostituição pode ser motivada por diversos fatores, como dificuldades econômicas, abandono familiar, baixa escolaridade, desemprego, condições de vida precárias, violência e ausência de apoio familiar. As profissionais do sexo enfrentam preconceito e exclusão devido à associação com infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), uso de drogas e comportamento considerado moralmente desviante. As profissionais do sexo ainda tem muita dificuldade de acesso aos serviços de saúde devido a esta marginalização. Pensando num caminho para suprir esta lacuna, profissionais de saúde de uma unidade de saúde da família, equipe e-multi e Residencia Médica e Multiprofissional da atenção primária de saúde de Santos criaram um projeto que, além da oferta de testes rápidos e coleta de preventivo, leva orientação sobre saúde da mulher, medidas de redução de danos e conscientização sobre direitos civis às profissionais do sexo.
Objetivo geral Promover cuidado em saúde integral às profissionais do sexo em seu ambiente de trabalho. Objetivos específicos Facilitar o acesso das profissionais do sexo às equipes de saúde do território e aos serviços de assistência social; Fomentar a reflexão das profissionais do sexo sobre os seus direitos civis e sociais.
O projeto de educação em saúde da mulher é realizado na região do central do município de Santos-SP, que tem como público alvo mulheres que trabalham como profissionais do sexo e o local escolhido para a ação são os hotéis, bares, night club e salão de beleza frequentado por estas trabalhadoras do sexo. A proposta inicial contava apenas com uma médica residente, uma psicóloga residente e o agente comunitário de saúde do território com oferta de acolhimento psicológico, acesso facilitado à coleta de papanicolau e entrega de preservativos. Hoje também são ofertados roda de conversa sobre métodos contraceptivos, uso de PREP e PEP, orientação sobre direitos civis e trabalhistas, testes rápidos para infecções sexualmente transmissíveis, assistência farmacêutica, medidas de redução de danos, orientação nutricional e saúde da mulher em geral. As ações ocorrem semanalmente, nos locais onde estas profissionais do sexo estão inseridas e em horário adequado devido a sua atividade laboral ser em sua maioria desenvolvida em horário vespertino e noturno. O número de mulheres em cada encontro é variável, sendo de dois a dez mulheres por semana. A ampliação do projeto com oferta de ações que envolvem o desenvolvimento do bem estar físico, psíquico e social dessas mulheres foi possível com a inserção de novos integrantes na equipe, representada pelas seguintes categorias profissionais: farmacêutica, enfermeira, profissional de educação física, assistente social e nutricionista.
As profissionais do sexo participantes dos encontros semanais são em sua maioria de baixa renda, com pouca escolaridade e pequena ou nenhuma rede de apoio, o que às torna mais suscetíveis à violência e exploração. Houve também uma grande variação da idade e da origem das profissionais do sexo, característica da sazonalidade inerente ao município, que é uma cidade turística e portuária. No tocante ao estado civil, observou-se que a maioria dessas mulheres não eram casadas, mas possuem parceiro fixo, com os quais não utilizam preservativo e seu uso ficava restrito ao trabalho, fazendo com que a maioria dessas mulheres acabassem se infectando com IST’s pelo próprio parceiro. Durante os encontros, a maioria das ações e iniciativas voltadas para as profissionais do sexo eram direcionadas às questões reprodutivas e sexuais, porém através da contribuição de todos os profissionais de saúde envolvidos com o projeto foi possível expandir os atendimentos para áreas tanto clínicas, quanto assistenciais. Os encontros semanais não enfocaram apenas as questões médicas, mas também aspectos emocionais, sociais e culturais que impactam na saúde e bem-estar dessas mulheres. A interação entre os profissionais enriqueceu a tomada de decisões, resultando em cuidados personalizados e eficazes.
A prostituição envolve diversas vulnerabilidades, tanto pela natureza da atividade quanto pelas condições em que é exercida. As mulheres que atuam nessa profissão estão constantemente expostas a ISTs, situações de violência física e psicológica e ao uso abusivo de álcool e drogas ilícitas. Apesar da exposição a esses fatores de risco, muitas só procuram atendimento quando alternativas como a automedicação não são suficientes para suprir suas necessidades. O acesso aos serviços de saúde é dificultado por barreiras institucionais e sociais. Portanto, é essencial desenvolver estratégias adaptadas a essa população, como a oferta de dias e horários flexíveis conforme sua disponibilidade. Através dessa experiência vivida em campo foi possível observar que a atenção integral e humanizada ao usuário garante uma maior efetividade do cuidado. O olhar ampliado para as pessoas vulnerabilizadas gera vínculo entre usuários e profissionais, facilitando a promoção e prevenção em saúde. Se faz urgente a implementação de políticas de saúde que atendam essa camada da sociedade para garantir um atendimento digno e equitativo.
Profissionais do Sexo, Saúde da Mulher, Equidade
VIVIAN LEMOS LOPES DE CICCO, JASLANNY TELLES DA SILVA, LUCIANA MACHADO WERNECK, ELORA DANA SCHMIDT OUTUBO DRAGO, GIOVANNA GONÇALVES NASCIMENTO, GIOVANNA VICTORIA SOARES CLAURE MORALES, JHERRY LENNON SILVA DA LUZ, RENATA HERMOGENES DA SILVA MELO, TAÍS EMERIQUE CEIDE, WILDERLANE ARAÚJO RIBEIRO